Insight MVC nº 17


Abril 1999

Insight MVC 17
Educação Corporativa Através das Universidades Corporativas (Prefácio do Livro Corporate Universities – Jeanne Meister) – Marco Aurélio / Costacurta
Treinamento por Massa Crítica – II Costacurta / Fernando Henrique
O que Está Faltando nos Programas Gerenciais? Denize Dutra
A Mulher que Trabalha por Dois – Fernando Henrique da Silveira Neto
MBA Executivo: O que é? Qual escolher? – Luiz Moreto
O Empresário do Século XXI – Fernando Vigorena

 

 

 

 

 

 

 

Editorial

A cada dia que passa vislumbramos no horizonte duas tendências que consideramos irreversíveis. Por um lado as empresas buscam otimizar cada vez mais os custos em treinamento; por outro demandam que os processos de mudança cada vez ocorram de forma mais rápida, envolvendo simultaneamente, todos os atores desse processo.

Isso nos estimulou, com a ajuda do FERNANDO HENRIQUE DA SILVEIRA NETO a reescrever o artigo "Treinamento Por Massa Crítica", que, acreditamos, seja uma das respostas para essa tendência.

Como sempre, lembramos aos leitores a possibilidade de indicar interessados em receber, gratuitamente, o INSIGHT MVC.

Reiteramos também nosso interesse em obter seu feedback sobre o que temos publicado.

E-mail: costacurta@institutomvc.com.br

Costacurta / Marco Aurélio

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Educação Corporativa Através das Universidades Corporativas

(PREFÁCIO DA EDIÇÃO BRASILEIRA DO LIVRO CORPORATE UNIVERSITIES-JEANNE MEISTER)
L.A.Costacurta Junqueira
Marco Aurélio Ferreira Vianna
INSTITUTO MVC

 

A implantação de Universidades Corporativas no Brasil ainda está em fase embrionária.

Algumas empresas importaram o conceito de suas matrizes (Motorola, McDonald’s, Grupo Accor, Coca-Cola), outras tomaram a iniciativa de fazê-lo a partir da crença que a medida otimizará o processo de treinamento e desenvolvimento de seus recursos humanos (Algar, Brahma).

Cerca de 20 outras empresas estão no processo de aprovação do conceito de Universidade Corporativa; seus nomes não serão citados aqui pois ainda não existe um posicionamento definido sobre a questão.

Acreditamos que existam algumas razões específicas de nosso contexto que estejam apontando para a necessidade de termos, no Brasil, um número maior de Universidades Corporativas.

Em primeiro lugar não se pode dizer que o conceito da atividade de treinamento e desenvolvimento tenha nota 10 em nosso contexto; sua transformação em Universidade Corporativa certamente iria enobrecer a atividade, tornando-a algo mais respeitado e desejado, no contexto organizacional.

As empresas brasileiras carecem de uma unidade responsável pela difusão de sua visão, valores estratégicos, bem como pela acumulação do conhecimento adquirido, missão que cabe as Universidades Corporativas.

Os executivos cobram da área de T & D um foco maior no negócio, a demonstração do custo/benefício de suas atividades e a imagem de um centro de lucros; os dois tópicos são característicos de uma Universidade Corporativa.

As atividades de T & D deverão cada vez mais focar o futuro, a partir de uma abordagem proativa, deixando de ser apenas solucionadoras de problemas que já ocorreram (passado). Aí também está o campo de ação das Universidades Corporativas.

O reforço da cadeia de relacionamentos empresa/clientes/fornecedores/comunidade é algo extremamente cobrado de T & D; o alargamento de seus horizontes, atuando não apenas atendendo a clientes internos, é também escopo das Universidades Corporativas.

O combate a rápida obsolescência do conhecimento, a aceleração do seu fluxo dentro da organização, hoje imperativo da sociedade globalizada, é certamente uma das missões da Universidade Corporativa.

Entre o foco na informação e o foco na mudança, há uma predominância cada vez maior da segunda alternativa. Os programas de treinamento devem ser desenvolvidos para solução de problemas específicos, para pessoas que têm em comum esses problemas. É também o fim do catálogo de treinamento, em que cada interessado se inscrevia e que o pano de fundo era mais voltado para as necessidades individuais. A Universidade Corporativa estará sempre mais centrada no treinamento de famílias (TRACKS) que possuam problemas comuns e cujo objetivo seja a solução desses problemas.

Difundir o conhecimento é cada vez mais uma responsabilidade das chefias; dar aos executivos a oportunidade de ensinar e acelerar o fluxo desse conhecimento é um dos objetivos da Universidade Corporativa.

Treinar para o inimigo tem sido uma das características do dia a dia de inúmeras organizações brasileiras. De nada vale o melhor treinamento do mundo se não houver a preocupação de reter na empresa as pessoas que passaram por esse treinamento. Aí entra a Universidade Corporativa, como uma entidade que acena com perspectivas de desenvolvimento a longo prazo, atraindo e retendo talentos.

Para aqueles que estão pensando em ter uma Universidade Corporativa em sua organização, seguem alguns conselhos:

Opte pela virtualidade, nada de gastar rios de dinheiro numa belíssima sede.

Tenha o presidente da empresa como o principal mentor da idéia; obtenha dele a dedicação de, no mínimo, 1 dia por mês para a Universidade;

Procure subordinar a Universidade Corporativa diretamente ao Presidente; lembre-se de que o reitor da Universidade não é, necessariamente, o Diretor de RH.

É fundamental saber quanto custa hoje o seu Departamento de Treinamento; isto para, amanhã, poder comparar esse custo com o da Universidade Corporativa.

Prepare-se para mudar paradigmas em T&D; Internet, Intranet, Best Pratices, etc, devem fazer parte do dia a dia da Universidade Corporativa.

Consultores internos e externos devem ser treinados antes de "dar aula" na Universidade Corporativa; devem conhecer a missão, o contexto, os diferenciais etc. É fundamental exigir dos consultores que saiam do seu mundo, se flexibilizem e conheçam o mundo da empresa.

Tenha um foco especial nas atividades de auto desenvolvimento; a sala de aula deve ir até o participante e não o contrário. Dê ao participante a possibilidade de se desenvolver onde, como e em que momento ele desejar.

Caso tenha interesse em pesquisar mais sobre Universidades Corporativas entre nos sites / E-mail, a seguir:

 

NO BRASIL

 

 

NOS E. U. A

Obs: Material retirado seminário / consultoria Treinamento e Desenvolvimento no Século XXI

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Treinamento por Massa Crítica - II

FERNANDO HENRIQUE SILVEIRA NETO E
L. A. COSTACURTA JUNQUEIRA
CONSULTOR E VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC

 

Nos últimos congressos que temos participado, no Brasil e no Exterior, o que tem ficado patente é que as grandes novidades na área de treinamento gerencial residem mais na metodologia e na tecnologia do que em novos produtos.

O que denominaremos "Treinamento por Massa Critica" se enquadra no que colocamos no parágrafo anterior..

A direção das empresas cada vez mais demanda processos de mudança mais rápidos, com atividades cada vez mais vivenciadas, e uma simultaneidade cada vez maior. O treinamento se aplica nos processos de mudança de cultura organizacional (por exemplo, nos casos de aquisição de controle acionário, implantação de sistemas da qualidade), ou expansão de negócio ou novos produtos ou processos etc. Na realidade, o conceito de massa crítica se operacionaliza quando conseguimos fazer para 500 pessoas, simultaneamente, o que até então era feito com grupos de 20 participantes. Evidentemente que continuam válidas também para os eventos de caráter informativo a maioria das colocações a seguir:

Quais então os requisitos para que isto aconteça ?

Um consultor com grande domínio de grupos, nome conhecido no mercado e altamente carismático.

Uma metodologia que permita alto grau de participação/vivência, grupos homogêneos (mesma área ou problemas comuns).

Uma infra-estrutura que permita que todos trabalhem na mesma sala (mesas redondas), no campo visual do instrutor (microfones em todas as mesas).

Participação simultânea de todos os envolvidos no processo de mudança, da Diretoria aos níveis mais baixos.

A elaboração de um produto final/ plano de ação para implementação depois do evento; cada indivíduo faz o seu, com ênfase no que ele desenvolverá e no que ele precisa dos outros para desenvolver.

Quais seriam então as vantagens do treinamento por massa critica ?

Custo mais baixo por participante (embora mais caro por dia de trabalho); imaginamos um custo diário por volta de R$ 10.000,00, o que para 500 pessoas, por exemplo, implicaria num valor de R$ 20,00 dia, por participante. Tudo favorece, é claro, a relação custo/benefício (para turmas de 20 pessoas, na metodologia tradicional, o custo dia médio é de R$ 2.500,00.)

Rapidez maior na mudança; ao fim de dois ou três dias, todos terão passado pelo mesmo processo e de forma simultânea

Uso de apenas um consultor que pode acumular grande dose de conhecimento do negócio, facilitando a operalização de qualquer aprendizagem em benefício da empresa.

Comunicação uniforme; como todos passam, simultaneamente pelo mesmo processo, é menor o risco de qualquer problema de "entendimento" do que foi abordado.

Otimização do tempo dos participantes, pela natureza sistêmica da metodologia.

Possibilidade de se colocar junto pessoas que têm problemas comuns e de resolver alguns destes problemas no âmbito do próprio evento.

Na mesma linha dos seminários para até 500 pessoas, outros processos também estão sendo usados para a abrangência simultânea de um grande número de participantes:

Teleconferência, Internet, CBT, (Treinamento Interativo com Micro) etc. Esta tendência representa o uso cada vez maior do tempo como diferencial competitivo, também em treinamento gerencial.

 

Obs: Material retirado dos Planos Diretores de Aprendizado, elaborado pelo Instituto MVC

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O que está faltando nos Programas Gerenciais ?

DENIZE DUTRA
CONSULTORA DO INSTITUTO MVC

 

Sempre ouvi dizer que "é muito fácil ser engenheiro de obra pronta", por isso costumo ser muito cautelosa ao fazer críticas ao trabalho de terceiros. Mas em contrapartida, minha apurada autocrítica, me leva a compartilhar um questionamento que me acompanha nestes 18 anos em que atuo na área de desenvolvimento de pessoas:

O que está faltando nos programas gerenciais ?

Baseada em minhas experiências profissionais e em leituras , penso, que o que falta é EMOÇÃO.

No momento em que estamos entrando no terceiro milênio, quando procuramos não chamar pessoas de recursos, quando descobrimos que o maior patrimônio da empresa , é o seu capital intelectual e o conceito de inteligência emocional está sendo cada vez mais difundido, começa a fazer sentido, entender que mudanças de atitudes, passam ,necessariamente, pelos aspectos emocionais.

O que ocorre é que, geralmente, as metodologias utilizadas são as mesmas, para informar sobre procedimentos e processos da empresa e, também , para promover as tais mudanças comportamentais. Considerando que a tendência natural das pessoas, frente à possibilidade de mudanças, é criar resistências, qualquer processo de ensino que só trabalhe o intelecto, acaba por reforçar as racionalizações e justificativas, que o indivíduo cria para si mesmo para manter um comportamento. Com as atuais contribuições que a educação moderna tem recebido, passou-se a entender que o foco do processo ensino-aprendizagem, é o ALUNO , ou no nosso caso, o participante dos programas de treinamentos ou de educação continuada. É preciso propor atividades que promovam além de reflexão , consciência crítica, e assimilação de novos conceitos, principalmente, uma sensibilização para "determinadas mudanças", através do "toque" na vontade, no prazer, e demais emoções que movem o homem e o tornam a mais fantástica e complexa obra do Universo !

As organizações, movidas pela constante necessidade de melhoria de seus resultados, acabam por contribuir para as pessoas tornarem-se mais frias, fechadas, excessivamente competitivas, desconfiadas, e , por isso, os trabalhos desenvolvidos com estes profissionais precisam valorizar o afeto, que sempre se procurou destituir das relações de trabalho. Como pensar em tornar o trabalho uma fonte de prazer e auto-realização humana; as relações entre empresas e empregados uma verdadeira parceria; as organizações um ambiente de aprendizagem e de inovações, se não conseguirmos ensinar os homens a se relacionarem de forma mais profunda e verdadeira? Fica difícil "ensinar" um gerente a dar um feedback eficaz, a "motivar"sua equipe, a negociar com a equipe ou com um cliente externo, se este mesmo gerente não está preparado para receber críticas, se não sabe ouvir, se sente constantemente ameaçado por todos, se não sente prazer no próprio trabalho, ...

Como ensiná-lo a agir profissionalmente de forma ideal, se ele não tem oportunidade, de perceber os reflexos de seu próprio comportamento sobre o dos outros?

Se ele fica apenas , no discurso, no conceito ? Segundo as pesquisas, em apenas 6 semanas, restam somente 5% de tudo o que foi dito .

Como "consultores-instrutores", precisamos assumir que somos apenas os FACILITADORES DA APRENDIZAGEM, e como tal, precisamos criar um clima de abertura, de confiança, de interesse em dar/receber feedback dos parceiro sobre o seu comportamento e provocar o desejo da mudança. É preciso estar comprometido com os resultados do outro, a ponto de "falar a verdade com amor" ! Acho que o que nos falta, como "instrutores" é planejar e desenvolver nosso trabalho pensando verdadeiramente nas necessidades dos clientes e não nas nossas necessidades de demonstrar o que sabemos,. Precisamos deixar de ser o protagonista do show e ...

TER MUITA PAIXÃO EM TRABALHAR COM PESSOAS !!!

"A EMOÇÃO TEM RAZÃO " !!!

Obs: Material retirado dos trabalhos de consultoria do Instituto MVC

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A Mulher que Trabalha por Dois


FERNANDO HENRIQUE DA SILVEIRA NETO
Consultor do INSTITUTO MVC

 

Muito se tem escrito sobre liderança, motivação, delegação e gestão do tempo para executivos. E é possível perceber que quase todos os textos são escritos por e para os homens, que ao chegarem em casa descansam e pensam consigo mesmo: dever cumprido por hoje!

Será que as mesmas soluções sobre tempo se aplicam às mulheres executivas ou, de uma maneira geral, àquelas que trabalham durante o dia, e quando chegam em casa iniciam outra jornada como mães, mulheres e donas de casa?

Nos dias de hoje se espera das mulheres um desempenho semelhante ao dos homens nos ambientes de trabalho. Talvez até um pouco mais, como se isso fosse necessário para provar que elas são capazes de trabalhar tão bem quanto eles. Tudo que se espera da gestão do tempo de parte de executivos e profissionais no trabalho é válido para ambos os sexos.

O problema é que ao chegarem em casa, passa a haver uma distinção entre ambos. Não é que muitos homens hoje em dia não ajudem em casa, mas admitamos: não é regra geral.

A imagem clássica da chegada do homem em casa, desde os tempos de nossos avós e pais, mostra o homem sendo recebido pela mulher com um par de chinelos, indo tomar seu banho e jantando logo a seguir. A mulher tinha ficado em casa cuidando para que tudo desse certo nessa hora.

Mas isso mudou, e muito.

Não é raro encontrar mulheres que saem de casa antes e retornam depois dos maridos, têm responsabilidades maiores no trabalho, são mais qualificadas e até ganham muito mais que eles.

Os reflexos disso no trabalho são inevitáveis, mas algumas dicas podem ajudar nessa delicada tarefa:

é preciso que as mulheres admitam que vão ter que lidar com problemas domésticos mesmo estando longe de casa, como o filho que se machuca ou não quer comer, as lições do colégio e o atraso do motorista levando as crianças para o ballet e o judô

os homens também devem aprender a conviver com as mesmas mulheres, pois os minutos que elas gastam com a casa as deixam tranqüilas e as fazem render muito mais logo a seguir, certas de que seus problemas foram resolvidos

é bom que as empresas também aceitem isso tudo como normal daqui em diante; afinal, não são elas que falam tanto em qualidade de vida?

 

O reflexo na vida familiar e da casa também é grande, e uma nova postura se torna necessária, principalmente por parte dos filhos e do marido:

a primeira e grande mudança é o estabelecimento de um pacto de ajuda mútua, no qual não se espera que o outro faça, mas se faz quando é necessário, cabendo a nós realizar naquele momento aquilo que outros não podem fazer por qualquer motivo (abrir a porta para a diarista, tomar recados ao telefone ou receber a roupa que o tintureiro está entregando)

todos devem ter tarefas a cumprir, e não apenas esperar que a dona de casa o faça (afinal, é obrigação dela…). Exemplos típicos são arrumar a cama e botar a mesa.

participar do processo de compras de supermercado, açougue ou padaria, olhando não apenas o seu lado, mas também a casa e a família. Isso implica em comprar não só as guloseimas, mas também detergente, lâmpadas, sabão e saco de lixo entre outros.

estabelecer um lugar comum para troca de mensagens e avisos que interessam a todos ou que podem influir nas decisões do dia-a-dia. A geladeira é um lugar recomendado, pois todos a usam com freqüência (lembretes sobre pagamentos, informações do seu roteiro de hoje e telefones onde pode ser achado, a nota dos remédios pedidos e entregues pela farmácia)

respeitar ao máximo as regras da pró-ação, principalmente se a casa não tem empregada ou se não é dia da diarista. Traduzindo: não deixe o copo na pia após beber água, pois ele não se lava sozinho; estenda a toalha após o banho, pois ela não voa da sua cama para o varal por si mesma!

evitar de todas as formas adotar posições comodistas e fugir das responsabilidades dizendo aos filhos: isso é sua mãe quem decide!

Às listas acima podem ser acrescentadas mil outras frases, simples como essas ou não, mas o recado importante está dado: empowerment, delegação, team building, pró-ação, planejamento e comunicação tem lugar não apenas no trabalho mas sobretudo em casa.

Respeitar a mulher que trabalha fora de casa ou não é a proposta da nova família. Dividir com ela as responsabilidades domésticas é sinal de respeito e maturidade. É reconhecer que as mudanças no trabalho tem mais chances de ocorrer se eu souber implantá-las antes no meu ambiente familiar, onde os erros e acertos são tratados com amor e carinho, e não como veículos de competição e medição de resultados.

Além disso tudo, quantas famílias só realizam sonhos maiores de viagens, estudos e conforto por que são as mulheres executivas que garantem todos ou grande parte desses sonhos?

Você achou o que leu com cara de deja vu?

Talvez seja porque nós homens saibamos agir, mas infelizmente, não agimos como sabemos.

OBS. Material retirado da Palestra do INSTITUTO MVC Trabalhando por dois: O Tempo da Executiva

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MBA Executivo: O Que é? Qual Escolher?


LUIZ MORETTO
CONSULTOR DO INSTITUTO MVC

 

 

Na era da informação o mercado de trabalho é exigente e seletivo: quer profissionais graduados, que falam inglês, entendem de computador e estejam atentos às mudanças.

Consultemos a matéria publicada na revista Veja de 23/09/98, baseada no estudo de Marcelo Neri, do IPEA, sobre pesquisa do IBGE.

Um curso de extensão universitária proporciona no Brasil salários 66% maiores do que os recebidos por quem cursou apenas o bacharelado.

A taxa de desemprego é de apenas 1% entre os pós-graduados e 2% entre os que só fizeram faculdade, quando a média nacional é de 8% e, para os que só estudaram seis anos, 9%.

Cada vez que uma pessoa completa uma etapa de estudo, sua remuneração aumenta cerca de 50%, sendo que o maior salto se dá com o diploma de um curso superior.

Hoje o mercado pede, além do diploma universitário, alta especialização.

Cada ano de estudo aumenta em 15% o salário.

O melhor investimento de longo prazo que se pode fazer hoje é em educação.

O efeito diploma é o fator mais decisivo na colocação do profissional no mercado de trabalho.

Cada vez mais é necessário se desenvolver profissionalmente para se obter melhor empregabilidade, maiores salários e oportunidades de ascensão profissional, e uma das formas mais procuradas é cursando um MBA ou outro tipo de pós-graduação.

Mas o que é um MBA e como ele se distinguem entre si? O MBA no Brasil vale o mesmo de um MBA no estrangeiro?

Um curso de MBA (sigla de Master in Business Administration) no exterior é um mestrado em administração de negócios com dois anos de duração, que exige dedicação integral e exclusiva. MBAs tradicionais no exterior como Harvard, Wharton ou Michigan são para jovens até 35 anos, bem preparados, que querem comandar um negócio como empreendedores ou como executivos. No retorno ao Brasil são muito procurados por grandes bancos de investimento ou consultorias de primeira linha, por exemplo. Devem ter condições de gastar cerca de 100 mil dólares (50% de custos da escola, mais passagens, seguro saúde obrigatório, além da casa e comida, e outras despesas, pois não poderão trabalhar). Alguns MBAs no exterior tem duração de um ano (INSEAD ou IMD), mas também exigem dedicação exclusiva. Existem cerca de 900 escolas de negócios pelo mundo e nem todas têm o mesmo valor!

Não existe MBA no Brasil eqüivalente a um MBA no estrangeiro. Seja pelo conteúdo, seja pela duração, os cursos daqui são diferentes, e alguns se enquadram numa categoria conhecida nos EUA como Executive MBA. O Executive MBA é um curso com duração de um ano, com aulas um ou dois dias por semana, sendo normalmente voltados para executivos com mais experiência e que não podem parar de trabalhar enquanto se desenvolvem.

No Brasil só o MBA Executivo pode ser comparado com um Executive MBA, pois dá ao aluno uma

visão geral e integrada do negócio. Os demais (MBA Marketing, MBA Varejo, MBA Saúde etc) são especializações, o que os qualifica no máximo como pós-graduado lato-sensu. A verdade é que a sigla MBA tem sido muito usada como marketing para valorizar o curso.

Se você quer se atualizar, o melhor é fazer um MBA no Brasil, principalmente se não pode ou quer deixar de trabalhar enquanto faz o curso. Algumas empresas investem em seus profissionais inscrevendo-os num MBA existente no mercado ou, na falta desse apoio, o próprio profissional investe seu tempo e dinheiro na busca do melhor preparo.

Como escolher? Se você ou sua empresa optar por um MBA aberto, oferecido por uma universidade nacional, você tem a vantagem de ter uma experiência nacional, vivenciar outras culturas organizacionais, contatar executivos de outras empresas do país e até de outros países como do Mercosul. Por outro lado, se a sua empresa tem condições de montar um MBA próprio, em convênio com uma universidade, você tem mais contato com a realidade da sua empresa, principalmente se ela for distribuída geograficamente, e pode discutir os problemas dela abertamente, colocando em discussão até problemas que atormentaram os executivos no seu cotidiano e contexto.

O MBA aberto normalmente é preparado pela instituição de ensino, sem ouvir as empresas, tem os professores escolhidos dentro do seu corpo discente, e não raro com experiência e interesse acadêmicos.

Num MBA feito sobre medida para a sua empresa você pode dispor adicionalmente de consultores especializados para montar o MBA que você acha mais adequado à sua realidade e ao público alvo de cada turma. É possível contar com professores das diversas universidades e com consultores do mercado que têm grande experiência prática além de qualificação acadêmica. A mescla pode ser muito melhor e mais isenta. O MBA feito sob medida será o MBA da sua empresa e não um MBA para diversas empresas. O investimento por aluno inscrito num MBA próprio é inferior em cerca de 30% a um MBA aberto, que hoje gira em torno de 16 mil reais.

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O Empresário do Século XXI

FERNANDO VIGORENA
DIRETOR REVISTA EMPRENDEDORES (Chile)
NA INTERNET www.emprendedores.com

 

Nos acostumamos a identificar diversas pessoas como empresários, mas na verdade são confundidos com executivos ou administradores de empresas. Ser um empresário significa assumir riscos que na maioria das vezes podem
comprometer o patrimônio pessoal, cometer erros, considerar os fracassos também como resultados e possuir uma perseverança a toda prova.

Quando o risco que se assume envolve bens de terceiros e não próprios, trata-se verdadeiramente de acionistas, capitalistas, donos ou talvez executivos gerentes, mas não de empresários. Todos eles constituem elos importantes na criação de novas empresas, e no desenvolvimento econômico. Uns o fazem a custa de ter sonhos novas idéias, com disposição para transformar o que não existe num produto ou serviço que satisfaça a milhares de pessoas, outros colocando em jogo seu prestigio profissional, capital ou seu cargo.

No mundo dos negócios, tem surgido um novo tipo de empresário, o ENTREPRENEUR, galicismo que identifica um tipo de criador, com maior tolerância a incertezas, com detonadores automáticos perante as mudanças com uma ampla capacidade de criar e assumir riscos. É o empresário do Século XXI, habilitado para detectar os negócios através de "sintonia fina", que emergem na sociedade do conhecimento em que habitamos. Esta nova filosofia de negócios, conhecida como ENTREPRENEURSHIP, se ensina nas Universidades da vanguarda e ainda constitui um paradigma novo nos negócios, pois se baseia em variáveis como o risco, os erros, os fracassos e a paixão por uma idéia, que pode surgir como algo absurdo ou impossível de acontecer, mas que constitui a nova essência no estilo em que se esta forjando em nosso continente. Na verdade está emergindo uma cultura de grandes proporções, onde muitas pessoas estão optando por iniciar seus próprios negócios, fenômeno que se verifica mais entre a gente jovem e numa corrente de ex-executivos e profissionais que estão criando novas oportunidades em empresas de serviço, comércio, conhecimento, informação e na área fabril. São gente sem historia empresarial, não reconhecida pelos agentes financeiros tradicionais, trabalhando com recursos próprios ou com capital de risco que é financiado por outros empresários ou investidores, que apostam no sucesso dos seus empreendimentos.

O berço do Entrepreneurship (desenvolvimento empresarial moderno) está no Vale do Silício uma localidade a uns 15 quilômetros ao sul de São Francisco nos Estados Unidos, onde um exercito de ENTREPRENEURS trabalha com participação acionaria e geralmente em suas casas, criando novas idéias, produtos e serviços que farão mais fácil a vida de muitas pessoas no mundo. Esses empreendedores trabalham para empresas como Atari, Hewlett Packard, Apple Computer, Microsoft, Intel, Xerox Corp, Digital Equipment, etc, nutridos pelos ensinos da Universidade de Stanford. Steve Jobs criador dos computadores pessoais que todos temos agora em nossos escritórios, nos resume no livro "Futuro-prepare-se de Marco A.F.Vianna e Sérgio D.Velasco, seu ingresso no seleto clube do Vale do Silício o Silicon Valley:

"Então nós fomos até a Atari e dissemos: Olhem, nós conseguimos um aparelho surpreendente juntando umas peças das suas máquinas. O que acham da idéia de nos financiar? Ou, então, nós os damos a vocês. Paguem nossos salários e nós trabalhamos para vocês. E eles disseram: Não. Então nós fomos até a Hewlett-Packard e eles disseram: Olhem, nós não precisamos de vocês. Vocês ainda nem saíram da faculdade. Steve Jobs e Steve Wozniak, tentando interessar a Atari e a HP na produção de um aparelho estranho que eles tinham inventado no garagem da sua casa, o
computador pessoal o microcomputador no ano 1968.
Foi assim que tudo começou ..........

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