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OS Chineses Sensíveis
às Marcas Estrangeiras
Gilbert Gilles GERTEINY
Consultor e professor de Marketing
Internacional
O mercado chinês cada vez mais
competente e atuante está chamando a
atenção das empresas do mundo em
busca de ganhos e especialmente de
conquista de mercados.
Empresários devem ficar atentos a
este dragão que despertou para o
mundo e que está preste a dominar
diversos segmentos da economia,
galgando cada vez mais os degraus da
vitória e da fama no concorrido
mercado internacional.
Este gigante, outrora adormecido, de
cerca de 1.400 milhões de
habitantes, está mostrando sua face
ao mundo e promete repetir a façanha
nipônica de conquista econômica dos
países mais desenvolvidos. Em todos
os mercados mundiais é raro não
achar produtos, de qualidade e de
origem chinesa. Sem dúvida nenhuma,
existem como foi no caso japonês,
taiwanês e coreano de duas a três
décadas atrás, produtos de
carregação, mas a culpa desta
escolha é única e exclusiva dos
importadores ávidos de lucros fáceis
e imediatos. Compra produtos de má
qualidade chinesa quem quer, porque
como foi no caso dos tigres
asiáticos outrora, o país produz
todos os gêneros de qualidades. Os
produtos considerados para a Classe
A são destinados aos países do
primeiro mundo, os de qualidade
mediana vão para os países em via de
desenvolvimento enquanto que os de
carregação se destinam ao terceiro
mundo. Não se iludam, existem
produtos chineses de ótima qualidade
e com garantia de durabilidade,
eficiência e eficácia nos paises
mais desenvolvidos do planeta: eles
não são de marcas desconhecidas, mas
de marcas globais e que estão se
tornando produtos ditos globais, e
em alguns casos obedecendo às regras
da mundialização crescente. São
produtos customizados e feitos à
medida e gosto dos países
importadores e que levam em conta
usos, costumes e até mesmo tabus dos
novos consumidores. Os capitães de
industria chineses estão fazendo uma
devassa mundial olhando todos os
azimutes, a fim de corresponder aos
anseios, desejos e características
dos mercados potenciais e colocar no
mercado produtos e serviços com
atributos essenciais destinados a
estes consumidores, ávidos de
produtos bons e baratos.
O próprio mercado chinês já está
absorvendo grande parte da produção
de bens e serviços produzidos na
própria China. Não esqueçamos que
para esta população, a taxas não
desprezíveis de crescimento, como
vemos abaixo:
-
430 milhões de telefones não são
suficientes,
-
111 milhões de internautas ainda
estão longe do ideal chinês,
-
20 bilionários e 320.000
milionários,
-
141 títulos de campeões do mundo
(2006), 165 medalhas de ouro;
-
e mais de 365 milhões de
televisores,
-
quatro milhões de carros
(imaginem se copiam a Índia com
o TaTa a 1.400 euros e se o
fizeram ainda mais barato e
exportável?).
-
três milhões de prédios,
-
um bilhão de jornais e 3 bilhões
de periódicos,
-
6.2 bilhões de livros,
-
previsão de abrir 200.000
bibliotecas,
-
cerca de 120.000 estudantes fora
do país,
-
mais de 10 parques tecnológicos,
-
expectativa de vida superior a
72 anos
-
mortalidade infantil beirando os
28/1000,
-
reservas estrangeiras invejáveis
e perigosas para a economia
mundial,
-
crescimento de quase 10% ao ano
-
inflação abaixo de 4%,
Mas a China lida hoje com a pena de
morte e ainda com execuções
numerosas, com a poluição que
inquieta tanto quanto o aumento do
orçamento militar e finalmente ela é
mestre na pirataria de produtos
clandestinos em todo o mundo.
Os dados acima abrem oportunidades
para investidores estrangeiros
ocuparem mais espaços no mercado
chinês e conseqüentemente no mundo,
visto que os maiores investidores
ainda estão situados na região, ou
seja, Hong Kong e Ilhas Virgens;
japoneses, taiwanêses, coreanos e
singapurenses também estão
investindo na região e ao contrario
do que faz os Estados Unidos no
México, que transferem para os
países em via de desenvolvimento
suas fábricas obsoletas, eles
investem em tecnologia de ponta e em
novas unidades industriais no país.
Hoje a China detém 20% da produção
mundial de produtos alimentares “contrefatos”,
100 bilhões de sopas e pratos
chineses liofilizados, 90% de
isqueiros, 80% de chumaço para
enchimento de colchas, 80% da
produção de esferográficas, 65% de
“mouse” de computador, 50% de
sapatos e é o primeiro produtor
mundial de pescados, segundo de
milho e chá e terceiro de madeira,
agrumes e cana de açúcar abrindo
assim um espaço para produção de
Etanol.
O que fazer para participar deste
crescente mercado consumidor? Como
se posicionar para galgar um
market share, mesmo que seja
mínimo, deste gigantesco mercado em
crescimento? Como abordar e
introduzir um produto ou um serviço
neste mercado tão heterogêneo e que
poucos sociólogos e estudiosos do
comportamento humano dominam? Como
decifrar o enigma de um povo
impermeável e tão diferente de nós,
ocidentais? Como, enfim, assegurar
um mínimo de risco na introdução de
um produto no mercado e garantir o
retorno de um vultoso investimento
necessário numa conquista de
terrenos?
É preciso cativar e seduzir para
conquistar estes consumidores
chineses cada vez mais sensíveis às
marcas estrangeiras. Para tal, as
empresas interessadas devem adaptar
suas estratégias de marketing às
preferências e aos comportamentos de
diversas categorias e classe social
da clientela. Um estudo realizado
pela empresa Accenture, em linha,
junto a um painel de 1.000
consumidores chineses residentes nas
diversas zonas urbanas e
“periurbanas” do país, revelou a
existência de seis tipos diferentes
de clientela, sendo que três delas
demonstrarem uma nítida preferência
por marcas estrangeiras.
Segundo o referido estudo, a
categoria que apresentou o melhor
potencial foi a “JUVENTUDE DOURADA”,
ou seja, os jovens urbanos
diplomados, na sua maioria mulheres,
que ostentam um nível de vida
elevado e um grande interesse por
marcas estrangeiras devido a sua
aculturada tendência ocidental. Os
consumidores classificados nesta
categoria são duas vezes mais
suscetíveis que os outros, não
somente para comprar as novas
marcas.
(28% contra 14 no Maximo para os
outros), mas também para testá-las
em primeiro lugar (43% contra 32 dos
outros).
A outra categoria identificada como
os “AMBICIOSOS” são jovens que, como
no primeiro caso da “Juventude
Dourada”, se mostram particularmente
sensíveis às marcas e cobiçam os
novos e melhores produtos, mas cujos
rendimentos não permitem realizar
seus sonhos; a categoria de “ALTOS
RENDIMENTOS”, também busca produtos
exclusivos com tecnologia de ponta,
mas diferente das anteriores,
“plebiscita” marcas reconhecidas e
reputadas.
O estudo, também identificou duas
categorias orientadas para as marcas
nacionais: os “PATRIOTAS”
majoritariamente homens (82%)
dispondo de um rendimento médio que
escolhem as marcas chinesas por
lealdade ao seu país e os
“COMPRADORES DE VALORES SEGUROS”, na
sua maioria chefes de família que
privilegiam o aspecto pratico do
“amor à primeira vista” e a
qualidade na exclusividade.
A sexta e ultima categoria agrupa os
‘INDIFERENTES” e que são na sua
maioria, estudantes com baixo poder
aquisitivo e que manifestam, pouco
interesse pelas marcas em geral.
Esta segmentação permite ao
profissional de marketing abordar o
mercado chinês, com cuidado a fim de
conseguir atingir seu consumidor
alvo. Ele necessita agir com o seu
prospect de maneira mais
científica e lhe oferecer produtos e
serviços que satisfaçam suas
necessidades prementes, dentro de um
critério de usos, costumes, hábitos
e especialmente estilos de vida.
Este estudo nos mostra, sobretudo,
que os consumidores chineses são
menos receptivos aos canais de
distribuição e marketing
tradicionais, como a venda via
correio ou as campanhas
publicitárias na imprensa escrita,
ao contrario dos consumidores de
outras nacionalidades.
As decisões de compra dos
consumidores chineses se fundamentam
principalmente nas recomendações de
seus próximos ou formadores de
opiniões, nos estudos dos produtos,
nos apadrinhamentos e nas mídias
numéricas tais como publicidade em
linha, kiosques multimídias e
cartazes numéricos.
Talvez aconteça uma revolução de
marketing, “à oriental”, o que nos
induz a estudar melhor e mais
profundamente os comportamentos
emergentes, usando técnicas mais
modernas de pesquisas de mercado e
atentando, sobretudo, às mínimas
mudanças de hábitos de consumo.
Nossos profissionais de marketing
precisam de uma imaginação mais
fértil e de uma adaptação a uma
maneira de vida mais dinâmica a fim
de atingir grupos de consumidores
mais segmentados como àqueles que
surgiram com o advento do Babyboom
ou do Papyboom.
A importante recomendação para a
nova geração de profissionais de
marketing que se destina a
participar do mercado chinês é de se
preparar de maneira profissional,
analisar os comportamentos mutantes
e os novos estilos de vida e
especialmente estudar chinês, caso
desejam realmente aceitar o desafio
deste império do desmedido, deste
dragão que está apenas bocejando.
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