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VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA GANHAR MAIS
E CUSTAR MENOS?
Paulo C. A. Benetti
Consultor Sênior do Instituto MVC
Especialistas estão chamando a
atenção. Pesquisas estão mostrando
as dificuldades a serem
enfrentadas. Estamos vivendo na Era
da Criatividade que contém em si a
destruição criativa. Países
avançados ou não estão tomando
providências. As pessoas e as
empresas estão começando a ter
prazos de validade, tal qual
produtos de supermercado. Afinal o
que fazer? Quais são os verdadeiros
desafios? Vamos esperar a teoria de
Darwin ter razão mais uma vez?
Há algum tempo, 1996, John Kao, um
misto de consultor, palestrante,
fundador de empresas e professor
convidado das universidades de
Harvard e Stanford, lançou um livro
sobre criatividade. “Jamming” é o
nome do livro, numa alusão ao
momento em que os músicos de jazz
têm muita liberdade para criar
dentro de uma música que está sendo
tocada. Nele Kao defende firmemente
que estamos na Era da Criatividade.
Isto quer dizer, no ambiente da
gestão empresarial, que a Era da
Criatividade agrega valor, novo
conhecimento, ao que chamamos de Era
do Conhecimento. Uma das
observações de Kao para chegar a
esta conclusão é a necessidade das
empresas reinventarem a si mesmas a
todo tempo.
Quatro anos mais tarde Vicent Nolan,
professor no Reino Unido e
ex-chairman do grupo Synectics,
lançou uma coletânea de trabalhos
com o objetivo de discutir a
importância da criatividade na
educação. Melhor dizendo, o ensino
da criatividade na educação formal.
Este livro “Creative Education –
Educating a Nation of Innovators”
propõe discutir a defasagem das
escolas com relação ao ensino ou ao
estímulo da criatividade aos seus
alunos.
E não bastasse isto, no ano passado,
dois especialistas da McKinsey,
Richard Foster e Sarah Kaplan,
lançaram um livro, na realidade um
relatório, sobre uma pesquisa que
fizeram por muitos anos sobre
trinta e seis anos de vida de mais
de mil empresas nos Estados Unidos.
O livro, já traduzido no Brasil,
“Destruição Criativa – Por que
empresas feitas para durar não são
bem-sucedidas”, é contundente ao
mostrar que o tempo médio de
permanência das empresas na lista
das 500 maiores dos EUA está caindo
de 65 anos para 10 anos. Mais. A
previsão para 2020 é a de que 75%
das maiores empresas serão formados
por organizações que não conhecemos
hoje.
É a vitória da tese do economista
Joseph Schumpeter que, na década de
trinta, cunhou a expressão “ventos
da destruição criativa” ao analisar
a vida e morte das empresas em
decorrência da ação do mercado
financeiro.
Tudo isto quer dizer que estamos em
uma efervescência da atividade
criativa nas organizações. Nunca se
criou tanto, e nunca as palavras
criatividade e inovação foram tão
usadas. Estão não somente mudando
comportamentos, mas as condições de
vida de todos nós. A onda está
chegando ao Brasil, assim como
outras chegaram. Aqui percebemos as
coisas rapidamente, mas tomamos
providências lentamente. Um dia
vamos ver a importância disto e
vamos fazer um trabalho sério e para
valer.
Uma grande preocupação minha é que
corremos sempre o risco de ir a
reboque do reboque da história. E
esta onda avassaladora pode varrer
muitas pretensões para longe.
Preocupa-me muito a teoria de
Darwin, a da sobrevivência dos mais
adaptados. Cada vez mais ela está
mostrando a sua importância no mundo
moderno, confirmada que é pela
observação de Schumpeter e pelo
relatório citado. Se não tomarmos
providências urgentes não vamos nos
adaptar à Era da Criatividade.
Nos Estados Unidos e na Europa
existem vários centros dedicando-se
ao estudo da criatividade e da
inovação e propondo novas
abordagens, técnicas e métodos. Já
existem empresas cujo negócio é
vender idéias, tornando-as um
produto com o objetivo para se obter
lucro. A Inglaterra tomou uma
providência em suas escolas do
ensino básico, aqui chamadas de
primeiro grau. A partir deste ano
letivo a prioridade das escolas
primárias naquele país é o
desenvolvimento da criatividade.
Está tomando o caminho de uma nação
de inovadores como pediu Nolan.
Neste ano colaborei na fundação da
primeira escola de facilitação em
criatividade e inovação na América
Central. Um projeto que começamos em
1999 na Espanha. Na Guatemala
cinqüenta estudantes, que vão se
formar professores da rede primária,
estão se preparando para serem
facilitadores em criatividade e
inovação junto a populações pobres,
ajudando-as a sair, a partir de suas
próprias capacidades, da terrível
pobreza. Trata-se do primeiro
projeto desta natureza no mundo.
Evidentemente bancado por governo e
fundações de países avançados.
Minha experiência como consultor em
criatividade e inovação mostra que
as organizações no Brasil estão
começando a se interessar pela
criatividade como uma aliada no seu
crescimento. E da forma como
preconiza Jerry Hishberg, fundador e
presidente da Nissan Design
International que disse: “A
criatividade é o principal papel dos
negócios. Quando a criatividade é
priorizada como um princípio das
organizações nos negócios, não
somente as inovações são
incrementadas mas, também, a
produtividade, a eficiência, a
qualidade, o espírito de equipe e as
vendas”.
Ao sair da Era Moderna para a que
chamamos de Era Pós-Moderna vimos
que, na primeira, o que persistia
era o padrão, o paradigma, a
semelhança. Acabou. A segunda está
nos dizendo que não existe mais
padrão, paradigma e semelhança. O
que vale é novo. Não vale mais
copiar. Benchmarking é
alguma coisa que devemos procurar
não mais para copiar, mas para
passar à frente. Outro dia dizia em
uma palestra o empresário Jorge
Gerdau Johannpeter, presidente do
Conselho Superior do MBC – Movimento
Brasil Competitivo –, que temos de
ser Benchmarking em todas as
áreas. Ser isto quer dizer estar na
vanguarda da gestão empresarial.
Para isto é necessário usar grandes
doses de criatividade.
Pela primeira vez na história
estamos assistindo as pessoas e as
empresas terem prazos de validade.
Isto mesmo! Da mesma forma que vamos
ao supermercado e olhamos o prazo de
validade de um produto e aceitamos
ou não, agora temos isto com relação
a nós mesmos e às empresas para
quais trabalhamos. Os profissionais
serão vistos, cada vez mais, pelas
empresas que nos contratam ou pelo
mercado pela capacidade de suplantar
os ventos da destruição criativa e
tornar as organizações adequadas ao
seu tempo. E isto muda muitas coisas
na nossa vida. Saímos de um prazo
de validade longo, como poucas
décadas atrás, em que uma pessoa se
formava e conseguia sobreviver quase
toda a vida com aquele conhecimento
adquirido na universidade, para uma
situação de produto perecível. E a
velocidade está de tal forma, que
até bem pouco tempo ainda podíamos
contar o nosso prazo de vencimento
em anos. Agora não mais. É bem
possível que vamos entrar em breve
na mesma velocidade das hortaliças.
Por isto proliferam os locais de
educação continuada, embora muitos
deles estejam, na realidade,
oferecendo aquilo que deveriam dar
na graduação, e deixando de oferecer
o que pode representar um grande
diferencial na competitividade: a
criatividade e a inovação.
As empresas não estão mais
privilegiadas que as pessoas. Se
não forem agressivamente inovadoras
o mercado financeiro fará a
destruição delas. Se não
apresentarem novidades aos
clientes, serão abandonadas. Haverá
sempre espaço para um concorrente
ocupar ou para fazer uma aquisição.
Por outro lado temos visto um grande
movimento por parte de profissionais
e empresas em torno da Gestão por
Competências e Gerenciamento do
Conhecimento. São temas
interessantes e fundamentais para as
organizações e até para os países.
Entretanto, “há algo de podre no
reino da Dinamarca”. A primeira
observação é que na questão da
gestão por competências, esquecem-se
de que a maior e mais importante
competência é a de criar novas
competências. E é isto que está
colocando os profissionais
aturdidos. Pensam eles que adquirida
uma competência o resto está
resolvido. Ledo engano. O
profissional terá que criar cada vez
mais novas, melhores e diferentes
competências para si. A segunda
observação é a de que nos programas
de gerenciamento do conhecimento não
temos visto a principal dimensão: a
da criação de novos conhecimentos.
Ou seja, o desenvolvimento da
criatividade e da inovação na
organização para que ela não venha
sucumbir às forças do mercado.
Assim, o grande desafio profissional
atual é como ganhar mais custando
cada vez menos. O grande desafio
empresarial é como produzir cada vez
mais inovações revolucionárias, que
são aquelas que trazem maior
retorno. Todas a organizações
deverão montar um algoritmo com
estes dois desafios para determinar
o seu crescimento constante.
Numa escala maior temos visto no
país uma grande discussão a respeito
das Reformas da Previdência e
Tributária. Por certo elas são
fundamentais para colocar o país em
marcha, para resolver problemas de
caixa e de investimentos e colocar
nossa economia mais arrumada. Elas
permitem uma melhora substancial
neste paciente que está com grandes
dificuldades. Elas resolvem o
problema do bolso, mas não do
cérebro. E é este que tem
capacidade de fazer o crescimento
sustentável. Riquezas são
conseguidas quando o país consegue
criar conhecimento e dispô-lo para o
seu crescimento.
Logo, a reforma mais importante que
nós temos a reclamar é a da
educação. Seja em casa, na escola,
ou na empresa, temos que tomar
providências sérias no sentido de
melhorar e revolucionar a educação
que é hoje disponível aos
profissionais brasileiros. Sob pena
de, mais uma vez, termos problemas
com a teoria de Darwin. Somente
esta reforma terá chance de criar
uma economia sustentável para nosso
mercado.
E neste caso as empresas têm um
papel fundamental. Pois elas podem
liderar todo o processo. Elas podem
orientar os profissionais para onde
caminhar e, estes, as suas escolas.
Estas além de dar uma formação
ampla, saberão a direção a ser dada
aos seus cursos regulares. Terão
que revolucionar a forma como
ensinam hoje. Ao invés de procurar
a resposta certa para um problema,
deverão lutar para que os alunos
saibam como procurar novas respostas
para o mesmo problema.
Podemos todos, de certa forma,
ajudar as escolas sintonizarem-se
com o futuro e desenvolver
capacidades e habilidades que
realmente tragam resultados. Que
permitam as pessoas realizarem-se
pessoalmente.
Não existe milagre neste caminho. O
que precisamos é de muito esforço e
persistência. Temos condições de
mudar para muito melhor. Temos
condições de revolucionar tudo isto
que está aí. Mas, por favor, vamos
começar logo porque a história não
vai ficar parada esperando a nossa
participação.
Rio de Janeiro, Outubro de 2003.
Fale conosco:
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