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Competências e suas dimensões, às vezes esquecidas ou ignoradas

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O que é, mesmo, competência?

Esse conceito compreende 3 dimensões: a operacional, a moral e a comportamental. Quem não as distinguir haverá de incorrer (meu caso, como consultor de empresas e contratante de profissionais para minha empresa) em avaliações inadequadas, frustrantes, desastrosas mesmo.

CONCEITOS

A competência operacional se refere ao saber fazer, à competência técnica. É, claro, indispensável. Depende apenas do centro intelectual. Dispensa o centro emocional. É condição necessária... mas não suficiente.

A competência moral depende basicamente do centro emocional. Tem a ver com o nível de ser, com a confiabilidade ética da pessoa, seu compromisso com certos valores, dentre os quais pontifica a verdade. Como a competência operacional (técnica), a competência moral (ética) também é necessária, mas não suficiente.

Para concluir, a competência comportamental se refere a maneiras de agir, hábitos adequados ou inadequados. Pontualidade, iniciativa, ouvir ativamente, cooperatividade – inúmeros são os comportamentos que podem produzir sinergia (o todo resulta maior do que a soma das partes, isto é, 2+2 somam 5, ou 6, ou 7) ou podem produzir dissinergia  (o todo resulta menor do que a soma das partes, isto é, 3+3 somam apenas 4, ou 3, ou até mesmo 0). A competência comportamental, como as anteriores, é também necessária... mas insuficiente.

Vale ressaltar, em nome de rigor terminológico e de compatibilização com resultados inquestionáveis de pesquisas científicas, que a palavra “comportamental” pode/deve significar conduta (I.E. comportamento manifesto) e, pois, observável, comparável, avaliável (John Watson e B.F. Skinner, pais do chamado behaviorismo).

O CONJUNTO E SUA IMPORTÂNCIA – QI + QE +QS

Somente quando tomadas em conjunto é que essas 3 dimensões se tornam suficientes, como um todo, para corresponder plenamente ao conceito de competência. Hoje, considero mais sábio começar pela competência moral, prosseguir pela competência técnica e concluir pela competência comportamental.Isso tem tudo a ver com a dificuldade de suprir deficiências e limitações em cada uma delas. Procuro explicar e justificar tal seqüencia, neste comentário, a partir da minha experiência pessoal.

É esclarecedor, para compreensão do conceito de competência, relacionar as 3 dimensões desse conceito com 3 outras dimensões (estas hoje definitivamente consagradas) do conceito de inteligência.

Até há relativamente pouco tempo, determinado indivíduo era simplisticamente “rotulado” como muito, ou medianamente, ou pouco inteligente (em suma, alto, mediano, ou baixo QI). Uma classificação generalizadaindiferenciada, como se a natureza da inteligência fosse uma só, não setorializavel, não desmembrável em áreas específicas. Hoje (em verdade, já de algum tempo), é um foco alentado de estudos  a  inteligência emocional (que como o QI, também tem um quociente, o QE). Isto significa que, assim como o pensar (QI) pode variar desde a burrice à genialidade, o sentir (QE) compreende emoções neuróticas, “burras” (defesas do ego contra a ansiedade, fugas, negação da realidade) e emoções inteligentes (aceitação - mesmo com desagrado – da realidade). Não sei de quem ouvi, ou onde li:

“A neurose emburrece o homem.” Mas do Professor José Hermógenes aprendi que a “normose” (conceito criado por ele para definir quem é “normal” numa sociedade predominantemente alienada, mecânica) neurotiza o homem.

A partir deste ponto e até uma nota informando a retomada de minhas próprias reflexões sumarizo, com vista a evitar transcrições literais, o excelente material que recebi sobre a Inteligência Espiritual.

No livro QS – Inteligência Espiritual, lançado no Brasil pela Editora Record em 2012, a Dra. Danah Zohar, 57anos (formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Technology – MIT , atualmente lecionando na universidade inglesa de Oxford )  aponta para um terceiro quociente, o da consciência espiritual (em Inglês, QS), decorrente de pesquisas efetuadas por cientistas de várias partes do mundo e só há pouco divulgadas. O livro expõe e fundamenta a existência de um terceiro tipo de inteligência, que amplia os horizontes das pessoas, tornando-as mais criativas, e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida (vale chamar atenção para a proposta central do luminar da moderna psicanálise, Viktor Frankl).

As revistas americanas Newsweek e Fortune publicaram matérias sobre o assunto, recentemente. Danah afirma: “O QS coletivo é baixo na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente pobre, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.

Em entrevista concedida à revista Exame, em Porto Alegre, Danah Zohar destaca abundantemente as características do QS. Para efeito deste texto, seleciono apenas a mais impactante.

“A inteligência emocional me permite julgar em que situação me encontro e como me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A Inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular.” Fala da alma. (meu sinal amarelo: o livro de Danah, Editora Record, tem, à pág. 22, um subtítulo: QS NÃO IMPLICA SER RELIGIOSO). Tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam a minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

Danah identificou 10 qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes: 1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo. 2. São levadas por valores. São idealistas. 3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade. 4. São holísticas. 5. Celebram a diversidade. 6. Têm independência. 7. Perguntam sempre “por quê?”. 8. Têm capacidade de colocar as coisas no contexto mais amplo. 9. Têm espontaneidade. 10. Têm compaixão.

ALGUNS ERROS COMETIDOS

Neste ponto, retorno às minhas reflexões pessoais.

Os erros mais graves que cometi em minha experiência como contratante de pessoas foram conseqüência de superestimar o saber. Já bem tarde aprendi que ninguém vale pelo que sabe, mas pelo que faz com o que sabe. E o que alguém faz com o que sabe é função direta de sua competência moral.

Neste nosso mundo há pessoas de princípios e pessoas de preço. As de princípios (bem mais raras), nunca têm preço; não são compráveis, não são situacionistas (“ tudo depende da situação”). Não praticam o relativismo ético (pessoa que, num mesmo caso, podem ser advogadas de defesa ou de acusação, depende). Tudo depende de tudo. Esse relativismo ético é que explica por quê tantos “sábios patifes” em   nossa sociedade, é que identifica a conhecida “lei de Gerson”. É nisso que se baseia a distorção completa do direito de permanecer calado em um julgamento, aquilo que na Constituição americana tem sentido muito diferente daquele que foi assimilado no Brasil.

As pessoas de preço são compráveis - todas – umas baratas, outras caras, outras, ainda, caríssimas. Todas elas, contudo, têm um preço. Os princípios delas dependem (essa a palavra chave) do preço.

Agora posso justificar minha convicção atual, depois de tantos equívocos em que incorri: é mais sábio começar pela competência moral, continuar pela competência técnica e concluir pela competência comportamental. Isso significa a análise mais rigorosa possível da “ficha limpa” do profissional a ser selecionado, por todos os meios morais possíveis: análise de trajetória de vida, esclarecimento dos motivos que fundamentaram decisões importantes, depoimentos confiáveis de pessoas relevantes para o caso, até entrevistas pessoais e dinâmicas de grupo que facilitem manifestações da competência moral. Não faça concessões. Pode fazê-las depois, nos limites aceitáveis, tanto na competência técnica quanto na competência comportamental. Isso porque um profissional moralmente sólido é capaz de dizer: ”Isso eu não sei fazer, nunca fiz”, em vez de tentar, mesmo a risco de enorme prejuízo, irresponsavelmente. Dá assim a você a opção livre e bem informada de como conduzir a solução do problema. Da mesma forma, relativamente à competência comportamental, ao invés de alegar doença ou o falecimento da mesma avó por duas vezes (já aconteceu comigo) para justificar ausências imprevistas, o profissional moralmente sólido antecipará explicações e até solicitará tolerância para dificuldades pessoais por que esteja passando, dando a você a opção livre e bem informada, pelo que você até poderá facilitar a solução do problema, evitando desnecessárias situações constrangedoras.

Por tudo isso, repito, é mais sábio começar rigorosamente pela competência moral e fazer concessões cabíveis nas duas outras áreas de competência.

A inspiração para esse texto foi o julgamento do “mensalão” pelo STF.

Sinta-se à vontade para nos enviar suas impressões (contato@institutomvc.com.br).

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