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O Brasil da Lava Jato e o efeito Sergio Moro

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Uma das coisas mais interessantes de nossa vida é a repetição cíclica de certos eventos e comportamentos.

Há cerca de 40 anos escrevi um texto e ao relê-lo percebi que, com alterações mínimas, continua extremamente atualizado. Em função da perenidade do texto resolvi transcrevê-lo, já incorporando as pequenas correções.

A Lava Jato está sendo o grande divisor de aguas, no até então marasmo do nosso Brasil.

A situação da economia brasileira, com a Lava Jato tem gerado profundas mudanças no comportamento de executivos e empresários; essas mudanças ocorrem nos procedimentos de compra, de venda, no planejamento da vida, na gerência de modo geral, mas especialmente no que concerne à revitalização da justiça brasileira.

Eis uma lista das alterações de procedimentos e comportamentos que mais frequentemente temos observado:

  • Aumento significativo das pessoas que nos procuram (e que não nos procuravam): antigos prestadores de serviços, consultores, clientes, amigos de infância, etc.

 

  • Um certo caradurismo coletivo, em que o hábito de pechinchar se institucionalizou. Todos querem um desconto, uma vantagem extra, algo mais, (inclusive para “mostrar serviço” ao superior hierárquico, às vezes até em detrimento da qualidade e da ética do que está sendo contratado).

 

  • Tudo passa a ser negociável, os preços fixos são maleáveis, as ofertas não são definitivas, etc.

 

  • Preocupação com os resultados a curto prazo, com o tangível, com o operacionalizável, com a “garantia”, com o retorno do investimento...; tudo como se o mundo fosse terminar no dia seguinte.

 

  • Motivação para a competição predominando sobre a motivação para a cooperação; “cada um por si e Deus por todos” Na era do trabalho em equipe e do compartilhamento do conhecimento isso é quase uma heresia.

 

  • Preocupação em cortar o micro (cafezinho, xerox, o boy etc) para preservar o macro (o salário, o emprego, o status).

 

  • Alardear pessimismo, falar dos insucessos, ser o ‘profeta da catástrofe”(inclusive para evitar pedidos de emprego dos amigos).

 

  • Para alguns o tempo passa a sobrar, novas atividades têm que ser inventadas para “preencher” o dia, o executivo passa a chegar mais cedo em casa ou “inventar” atividades no escritório para parecer que está ocupado.

 

  • Há um aumento de preocupação com os objetivos de natureza individual/profissional, mais éticos, em detrimento daqueles puramente de natureza organizacional: “Se minha empresa naufragar, eu pelo menos sobreviverei”.

 

  • Procura-se incessantemente uma segunda atividade, aumenta o número de “consultores”, professores” e aprendizes” de outras atividades, que não exijam tempo integral.

 

  • Os homens passam a incentivar cada vez mais o trabalho das mulheres (das próprias e das subordinadas, no campo profissional).

 

  • O nível de tensão cresce na organização, aumentam os problemas de relacionamento interpessoal; passa a aparecer mais aquele executivo de natureza apaziguadora, que busca a harmonia, que tem mais empatia e habilidade de conviver com situações mais conflituosas.

 

  • Sobrevivem os executivos que suportam mais a tensão, que têm habilidades mais diversificadas, espírito prático; tendem a sucumbir mais rapidamente aqueles executivos que não suportam a ambigüidade, a incerteza, que são profundamente especialistas, mas em apenas uma área ou assunto.

 

  • A sensação de impunidade, até então algo não muito percebido, está, a cada momento,  mais preocupada e consciente de que o efeito Sergio Moro atinja a um grande figurão de nossa economia e política.

 

ALGUMAS IDEIAS

As crises, especialmente aquelas dos últimos 04 anos, nos obrigam a pensar em atividades cujo retorno seja maior e em que a ética predomine; vamos a alguns exemplos:

A primeira idéia, muito simples, seria aplicar: o velho princípio de PARETO: “Identificar e desenvolver aqueles 20% de ações que produzem 80% de resultados”.

Lembrar sempre da “máxima” de Peter Drucker: “Mais importante do que fazer certo as coisas é fazer as coisas certas”. O grande problema (se não agirmos assim) pode ser institucionalizar o erro, bem como incentivar a “malandragem”.

Atividades de efeito multiplicador também são muito importantes: parcerias, alianças, troca de links nas home pages, inserção das informações a respeito de sua empresa (e de você) nos bancos de dados etc.

Ser flexível e aberto para novas oportunidades, por mais esdrúxulas que possam parecer inicialmente.

Incrementar o marketing pessoal e profissional. O famoso jeitinho, a amizade pessoal ainda vale desde que a ética esteja sempre presente.

Olhar para o passado e buscar idéias que foram descartadas, mas que talvez hoje estejam atualissímas.

Ocupar-se em equilibrar o QE (mais esquecido) e o QI (mais lembrado).

Dar oportunidade para que todos que trabalham com você contribuam e aumentem sua visibilidade.

Buscar ações sinérgicas, éticas, trabalhos em equipe, evitando a individualização; é hora de formar um time e não um conjunto de indivíduos.

Se você acha que algumas coisas lhe parecem familiares ou que elas já fazem parte de seu repertório, ótimo. Você está no caminho certo.

Lembre-se, também, de como teria sido mais fácil se tudo isso pudesse ter sido iniciado há trinta anos atrás e que o efeito Sergio Moro possa ser algo sempre presente ao nosso ambiente de negócios.

 

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