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Razão versus Emoção

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Tive a oportunidade de assistir recentemente um jogo entre Palmeiras e São Paulo no Allianz Park.

Como não torço por nenhum dos dois times, aproveitei para apreciar o espetáculo de forma isenta, extraindo algumas conclusões sob as lentes de percepção sociológica e psicológica.

Inicialmente, explico a escolha do título:

  • As pessoas que elaboraram as regras do futebol fizeram-no usando a RAZÃO, de modo a ensejar aos torcedores extravasar suas EMOÇÕES.

 

Eis, a seguir, alguns insights que tive durante o jogo:

  • Os torcedores de cada time adotam uma postura típica de um entusiasmo imaturo, pois a escolha do time geralmente ocorre na infância, por influência de figuras parentais.
  • Entretanto, à medida que as crianças crescem, são reforçadas nos seus comportamentos infantis, sem a revisão dos valores e atitudes instalados por imitação.
  • A preferência por determinado clube se dá por conta da identificação com a cor (ou cores), distintivo, hino, gritos de guerra, principais ídolos, estádio, torcida, local onde o clube está sediado, que são todos fatores que reforçam o apego com a agremiação escolhida.
  • O “amor” ao clube é estimulado tanto pelas vitórias como pela expectativa de superação de situações adversas.
  • A rivalidade em relação às equipes adversárias se dá numa perspectiva BINÁRIA, DICOTÔMICA E MANIQUEÍSTA.
  • Explicação:

 

a) BINÁRIA porque implica na RAPIDEZ DE RESPOSTA como a linguagem de computador (0/1)

b) DICOTÔMICA porque trabalha numa perspectiva REDUCIONISTA, envolvendo apenas com os dois extremos de um continuum, como, por exemplo, preto/branco - tudo/nada.         

c) MANIQUEÍSTA porque EXCLUSIVISTA, na medida em que emite juízos de valor absolutos do tipo bom/mau, bonito/feio, certo/errado, sendo que os lados positivos (bom, bonito, certo) sempre caracterizarão o clube de sua preferência, enquanto que os atributos negativos (mau, feio, errado) estarão no lado dos times adversários.

  • Eis porque a maioria dos torcedores age de forma emocionalmente desequilibrada, canalizando suas preferências através de manifestações de SIMPATIA/ANTIPATIA, ou seja, dedicando SIMPATIA (apaixonadamente favorável) ao seu clube como detentor de todos os méritos e virtudes, enquanto que os clubes alheios só recebem manifestações de ANTIPATIA (apaixonadamente desfavorável), como se fossem a encarnação do mal, numa autêntica relação de AMOR e ÓDIO.
  • Durante uma partida, ocorre o COMPORTAMENTO DE MASSA através de  manifestações como gritos de guerra, xingamentos, reclamações contra o trio de arbitragem e jogadores adversários, levando, muitas vezes, as pessoas a agirem de FORMA IRRACIONAL, como num autêntico EFEITO MANADA, numa escalada de violência tipo rastilho de pólvora que, dificilmente, se concretizaria caso cada pessoa estivesse agindo sozinha.
  • Há muita semelhança entre o que ocorre num ESTÁDIO ESPORTIVO com o que acontecia nas arenas do COLISEU ROMANO, pois em ambas as situações são estimuladas as EMOÇÕES MAIS PRIMITIVAS, caracterizando uma autêntica CATARSE COLETIVA.
  • O gol, o drible, ou performances excepcionais representam um aspecto SIMBÓLICO do conceito de SUCESSO, gerando uma EUFORIA como forma de compensar FRUSTRAÇÕES DA VIDA REAL.
  • Os comentários dos torcedores, bem como, as opiniões dos especialistas na mídia esportiva, tendem a prorrogar os efeitos de uma partida, em um processo de CAUSAÇÃO CIRCULAR CUMULATIVA, numa escalada de crescimento exponencial.
  • Os principais ÍDOLOS - atletas mais bem sucedidos - têm sua vida exposta na mídia, através da divulgação de símbolos de status, como salários astronômicos, carros de luxos, mansões, festas que frequentam, sendo alvo de um mecanismo de IDENTIFICAÇÃO/PROJEÇÃO, servindo como sonho de consumo da massa de torcedores.
  • A exemplo dos espetáculos esportivos, outras manifestações de entretenimento como filmes, festividades populares, fenômenos culturais, acabam se caracterizando como formas de alienação, tipificadas pela famoso binômio PÃO e CIRCO do império romano.
  • Não há nada de errado em nos deixar mover pelas nossas EMOÇÕES, assim como exercer o controle de nossas propriedades RACIONAIS, pois ambas (RAZÃO e EMOÇÃO) são componentes ORIGINAIS de FÁBRICA, que foram programados pelo FABRICANTE para atuarem em perfeita harmonia e complementaridade.
  • Numa metáfora mecanicista, as EMOÇÕES são o ACELERADOR que põe o veículo em movimento, enquanto que a RAZÃO representa o FREIO que controla a velocidade de forma adequada no tempo e no espaço. Assim, se uma desabalada velocidade provoca uma sensação de euforia, é preciso que a mesma esteja sob o controle da razão a fim de evitar riscos à sua sobrevivência. 

 

 

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