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Marta
Enes é Sócia-Diretora da MENES
LearnInsight.
Mestre em Instructional Technologies
pela Bloomsburg University, PA
e parceira do MVC
BLENDED
LEARNING: O QUE, COMO, QUANTO?
R“No
futuro 100% de nossos treinamentos serão realizados através
de e-learning”. Essa frase, dita pelo CEO de uma grande corporação,
foi ouvida em diversas empresas durante o boom do e-learning
no Brasil e no mundo. Na época, o e-learning era visto,
do ponto de vista estratégico, como a solução
ideal para todas as necessidades de treinamento corporativo.
A sala de aula não seria mais necessária. Os benefícios
eram evidentes: redução de custos, “delivery”
a qualquer hora e em qualquer lugar, aprendizado individualizado,
etc.
Esses benefícios foram realmente comprovados. No entanto,
as empresas, atualmente, sabem que e-learning não é
a solução de todas as necessidades de treinamento.
O que mudou?
Façamos um paralelo com o surgimento do cinema. Quais
foram os impactos sobre o teatro?
O teatro, assim como a sala de aula, existe há séculos
na sociedade. Seu objetivo, como todos sabem, é expressar
idéias através da arte da interpretação.
Mas, para transmitir idéias no teatro é necessário
uma sala de espetáculos e um grupo de atores para cada
sessão, o que atinge um número pequeno e limitado
de espectadores. Logo após o surgimento do cinema, muitos
pensaram que o teatro estava com seus dias contados. Apesar
do investimento inicial na produção ser mais elevado,
o cinema atinge um número infinitamente maior de espectadores
e os atores só são necessários durante
a produção. Com o advento do DVD, então,
os espectadores não precisam nem sair de casa, e ainda
podem escolher o ângulo da cena que querem assistir!
Mas, apesar de todas as previsões em contrário,
o teatro não desapareceu. Cinema e teatro convivem harmoniosamente
na sociedade até hoje. Por que? Porque cada um atende
a anseios diferentes. Apesar dos benefícios do cinema,
é o teatro que atende à necessidade básica
de contato e interação do ser humano.
Salas de aula e soluções de e-learning devem ser
usadas de forma balanceada para maximizar o aprendizado dentro
das corporações.
O objetivo do “blended learning” é, através de
uma mistura de métodos, tornar um curso ou currículo
mais efetivo do que se apenas um método fosse utilizado
individualmente.
Mas
qual a fórmula mágica? Como balancear as várias
formas de “delivery” – vídeo, internet, CD, sala de aula,
etc? Como saber qual o mix mais adequado para um curso, ou mesmo
para um currículo completo? O desafio é aproveitar
o que cada método tem de melhor e combiná-los
da forma correta. Mas como?
Como
definir o mix ideal?
Uma
abordagem bastante objetiva é o caso implementado no
Wells Fargo, grande banco americano. Em um projeto que levou
12 meses e envolveu uma equipe de 120 pessoas, foram criados
dois currículos de treinamento para a área de
callcenter (serviços de vendas) que incluem mais de 200
horas de treinamento, sendo 60 horas de WBT. Os currículos
implementados envolveram as seguintes formas de treinamento:
• Web-based training;
• Computer-based training;
• Treinamento à distância;
• Sala de aula;
• Grupos de estudo colaborativos on-line; e
• Acompanhamento on-the-job.
Assim
como qualquer projeto de treinamento, o processo de criação
de uma solução combinada (“blended”) envolve as
fases de análise, projeto, desenvolvimento, implantação
e avaliação. Dessas, a mais crítica e que
deve ser elaborada com toda atenção é a
fase de análise. Como toda fase de análise, você
deve identificar as necessidades, as características
do público-alvo e do ambiente e os objetivos de desempenho.
No entanto, o resultado final dessa fase será a definição
dos elementos do mix de treinamento.
O passo inicial é identificar os principais objetivos
do projeto, conforme mostra a tabela 1.
A tabela mostra as metodologias que melhor se aplicam a cada
tipo de objetivo de um projeto de treinamento, e serve como
um guia para a definição do mix. Por exemplo,
em geral, treinamentos comportamentais tendem a ser mais efetivos
em sala de aula. Mas isso não pode ser considerado como
uma regra absoluta. Naturalmente, os objetivos listados na tabela
são apenas um exemplo. Para cada corporação,
e mesmo para cada projeto, diferentes objetivos podem ser listados,
tais como reduzir taxa de “turnover”, melhorar o clima organizacional,
etc.
TABELA
1 - OBJETIVOS A ATINGIR

Fonte: “High Tech/High Touch – A New Approach
to Blended Learning”, por Janet Andronis e Nancy Kenworthy
A
definição dos elementos do mix serve como base
para as fases seguintes do projeto.
Outra fase bastante crítica em um projeto de “blended
learning” é a implementação.
As necessidades para implantação do projeto devem
ser analisadas e consideradas desde o início, para evitar
“surpresas” no final. Como exemplo, veja a tabela 2. Nela são
mostrados os requisitos de implantação para diferentes
abordagens de treinamento em separado e para a solução
que utiliza todas essas abordagens. É fácil constatar
que os requisitos são bem maiores para uma abordagem
híbrida (“blended”) de treinamento.
TABELA 2 - INFRAESTRUTURA NECESSÁRIA
Fonte:
“High Tech/High Touch – A New Approach to Blended Learning”,
por Janet Andronis e Nancy Kenworthy
Não
há dúvida de que soluções de “blended
learning” podem maximizar o aprendizado, os resultados de treinamento
e, conseqüentemente, melhorar o desempenho dos profissionais.
Nossa experiência aqui na mostra que o maior desafio desse
tipo de projeto é chegar à combinação
perfeita das diversas metodologias. Não basta usar um
pouco de cada, é necessário associar cada metodologia
aos objetivos do projeto, ao tipo de conteúdo, à
cultura da corporação e aos requisitos de desempenho
esperados.
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