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GESTÃO
DE DESEMPENHO EM EQUIPES PRODUTIVAS
FRANCISCO
BITTENCOURT
CONSULTOR
DO MVC
INSTITUTO
M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Introdução
Segundo Edgar Schein " A
organização é um sistema complexo e aberto, em dinâmica interação
com numerosos ambientes, tentando atingir objetivos e executar tarefas
em muitos níveis e variáveis graus de complexidade, evoluindo e
desenvolvendo-se à medida que a interação com um ambiente em
modificação obriga a novas adaptações internas".(Psicologia
Organizacional, 1982, p. 192)
Este ponto nos permite reconhecer a
necessidade de entender o peso do homem produtivo no contexto
organizacional, identificando-se uma necessidade efetiva de perceber que
há interconexões entre suas atitudes, comportamentos, opiniões e a de
todos os que compartilhem de sua experiência no sentido de atingir,
quando não superar objetivos e metas estratégicas.
Organizações produtivas gerenciando
desempenhos produtivos
Na medida em que as organizações
formalizam a existência de um conjunto de ações marcado pela
proatividade e pela produtividade, soaria como incoerência que, ao
demandar iniciativa, discernimento e capacidade de percepção crítica
no decorrer de processos decisórios, exigisse, em contrapartida, uma
postura dependente, omissa, subserviente no trato do contrato que
estabelecesse a resposta: reconhecimento e reciprocidade por parte da
empresa.
Os indivíduos quando em grupos
produtivos, com as características de uma equipe, têm visões
compartilhadas, mesmo que originárias em premissas ou culturas
divergentes. O processo de negociação dos componentes desses grupos
produtivos, decorrente da necessidade de atingir resultados permite a
superação de barreiras de comunicação, e, dessa forma atingirem
pontos de convergência consensual.
A gestão do desempenho contemporânea
está voltada para a análise de resultados, em comparação com os
objetivos e metas traçados, em geral, por meio de negociações
internas nas organizações. Estes modelos, embora com foco nos
resultados, levam em consideração a adoção eficiente dos
instrumentos de ação organizacional — planejamento, organização do
trabalho, comunicação interpessoal, negociação. O equilíbrio entre
a adoção desses instrumentos e o perfil de competência das forças
produtivas de trabalho estabelece o nível de eficácia das
organizações.
No contexto das organizações
envolvidas com o perfil do homem social há uma preocupação real na
construção de mensagens internas, a partir da verificação de
existência de mecanismos de comunicação no qual o modelo gerencial,
entendido como modelo de estimulação, seja capaz de gerar
envolvimento, esforço e cooperação por parte das pessoas. Tal caminho
leva a organização a gerenciar seu conhecimento, pois o conjunto de
responsabilidades de cada um dos líderes gestores envolve a detecção
da capacidade de retenção e entendimento de suas equipes — um
impacto positivo do espectro do homem social (contributivo e
comprometido) a todos os níveis.
Esse gerenciamento do conhecimento
existente na organização é descrito no pensamento de Edgar Schein:
A utilização
eficiente das pessoas em qualquer empreendimento organizado sempre
constituiu um premente problema na sociedade. Um faraó, ao
construir uma pirâmide, defrontou-se com problemas fundamentalmente
semelhantes aos enfrentados, nos dias de hoje, pelo executivo de uma
empresa ou pelo reitor de uma universidade. Cada dirigente deve
saber:
- o que, em essência, está
tentando realizar;
- como organizar o trabalho para
atingir os objetivos escolhidos;
- como recrutar, treinar,
distribuir o trabalho e gerir os recursos humanos (funcionários
e dirigentes) disponíveis para o trabalho;
- como criar condições de
trabalho e sistemas de recompensas e punições capazes de fazer
com que os funcionários e os dirigentes mantenham elevada
eficiência e um moral suficiente para se manterem eficientes
por longos períodos de tempo;
- como operar mudanças na
organização em resposta a pressões que têm origem nas
modificações tecnológicas e sociais ocorridas tanto no
ambiente externo como dentro da própria organização;
- como manejar a competição e
outras forças que derivam de outras organizações, de unidades
situadas dentro da organização, como sindicatos, de entidades
reguladoras e, por fim, de suas próprias dores de crescimento .(Psicologia
Organizacional, 1982, p. 3)
Há a exigência de um contexto –
ambiente organizacional interno, onde se compartilham responsabilidades
e percepções.
É essencial que não se descaracterize
a organização como um sistema racional, produtivo, uma estrutura cujo
objetivo básico é a geração de resultados, através uma estrutura
eficiente e o trabalho estruturado de profissionais integrando equipes
que interagem, otimizando seus recursos e maximizando seus talentos
individuais.
Na visão de Warren Bennis há respaldo
para essa afirmação:
Se concebemos as
organizações como estruturas orgânicas que se adaptam e resolvem
problemas, então se podem fazer inferências a respeito da
eficiência, não a partir de medidas estáticas da produção, embora
estas possam ser válidas, mas com base nos processos através dos
quais a organização aborda os problemas. Por outras palavras,
nenhuma medida isolada da eficiência ou da satisfação
organizacional – nenhuma amostra de tempo isolada da performance
organizacional – pode dar indicadores válidos da saúde da
organização. (1962, p. 273)
Os níveis de resultado (volume),
produtividade e qualidade estariam, portanto, ligados ao processo de
acompanhamento de resultado das equipes internas, de uma forma em que
sua conscientização a respeito do papel que desempenham é fundamental
para a compreensão do nível de esforço, envolvimento e
comprometimento com suas responsabilidades — processos, métodos de
trabalho e resultados e o impacto causado no resultado final da
organização:
Avaliar cada pessoa
da organização é importante porque interessa à sua administração
poder contar com uma força de trabalho bem treinada e produtiva, que
esteja à altura dos desafios enfrentados no dia-a-dia do mercado.
Somente a avaliação individual pode mapear os pontos fortes e os
pontos fracos da pessoa... (Tachizawa,
2001, p. 208)
A visão, portanto, de
uma organização competitiva, na qual os colaboradores, pela sua
atitude de contribuição, engajamento (comprometimento), atuam
proativamente não somente na definição dos objetivos e metas a
alcançar, mas também, e principalmente na identificação conjunta de
meios e mecanismos de aferição de seu próprio desempenho nos permite
afirmar um conjunto de situações a serem observadas cuidadosamente
pelos gestores responsáveis:
a) consciência do
ambiente profissional: o nível de conhecimento que possui de sua
contribuição e importância, no contexto produtivo em que atua o
indivíduo e a organização;
b) flexibilidade,
abertura a terceiros: o quanto se predispõe a ouvir os outros e aceitar
suas idéias, sem reações ou barreiras;
c) nível de ceticismo
e inconformismo: nível de contestação ou discussão de idéias que
não permita a caracterização da acomodação influindo no desempenho;
d) capacidade criativa:
competência para gerar novas idéias ou sugestões que possam agregar
valor ao negócio ou rotina;
e) contribuição
produtiva: qualidade da contribuição individual, capaz de trazer algo
possível de ser incorporado à realidade de forma eficaz;
f) originalidade das
idéias propostas: capacidade de surpreender, no sentido de gerar
opção de ação ou proposta ainda não pensada ou prevista;
g) autoconfiança:
capacidade de crença em si próprio, seus valores, e princípios de
ação e pensamento;
h) capacidade de
operacionalizar idéias: competência para passar da palavra à ação,
sem perder substância;
i) persistência:
predisposição para perseguir objetivos, com tenacidade senso crítico
suficientes para estabelecer ritmo e consistência adequados;
j) auto-avaliação
permanente: capacidade de estar de forma constante revendo seus
princípios, formas de ação e ritmo para o alcance ou mesmo
superação dos objetivos.
Conclusão
O profissional
competitivo, com perfil de homem contributivo, comprometido, gerador de
resultados, plenamente consciente das exigências do perfil de
competência (Stephen Rhinesmith, 1993, apud Vergara, 1999), atua com
base em um conjunto de indicadores que complementam as características
apontadas no parágrafo anterior:
- capacidade de buscar as
informações necessárias, para a resolução de problemas e
consecução de objetivos em fontes de informação disponíveis e
após sua decodificação e seleção, transformá-las em fontes de
conhecimento e saber;
- capacidade de administrar a
complexidade dos diversos insumos que fazem parte de sua atividade
produtiva, identificando seus impactos facilitadores ou
dificultadores e o conjunto de variáveis com força suficiente para
influir nos resultados de suas atividades profissionais;
- capacidade de interagir com equipes,
nas quais subsistem culturas diferentes e divergentes, e
necessitadas de uma integração com a cultura institucional vigente
a partir de um processo sinérgico de geração de resultados;
- capacidade de agir em cenários de
incertezas, com flexibilidade suficiente para rever planos e
projetos, atualizando-os e tornando-os compatíveis com a realidade
vigente e transformadora;
- capacidade de conviver com a
mudança, no papel de agente determinante – gerador da mudança,
agente de transformação – influenciador do processo de mudança
ou de agente de mudança – provocando a operacionalização da
mudança, em relação a si ou aos membros de sua equipe;
- capacidade de viver em estado de
aprendizagem permanente acumulando experiências capazes de
estimular a superação de desafios e contribuindo para o
enriquecimento de processos e sistemas produtivos pelos quais é
responsável, pela ação, ou pela influência.
A organização, por
sua vez, deverá estar preparada para a consolidação de sua estrutura,
na qual pontificam indivíduos com competência para gerar resultados
com níveis de qualidade compatíveis com a competitividade reinante,
bem como gerenciados por sistemas de desempenho em condições de, a
qualquer momento referenciar necessidades de revisão de processos,
atitudes ou comportamentos ou de reconhecimento por resultados
alcançados e por sistemas de gerenciamento de potencial, que permitam a
renovação de talentos, integrando o conhecimento disponível.
São Paulo, 01 de abril
de 2003
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
- SCHEIN, Psicologia Organizacional, RJ:
Prentice Hall, 1982
- SENGE, Peter M. A Quinta Disciplina.
São Paulo: Editora Best Seller, 2002
- STONER, James A. F. & FREEMAN,
R. Edward. Administração. RJ: LTC, 1999
- TACHIZAWA, Takeshy, FERREIRA, Victor
Cláudio & FORTUNA, Antonio Alfredo M. Gestão com pessoas. RJ:
FGV, 2001
- VERGARA, Sylvia Constant. Gestão
de Pessoas. São Paulo: Editora Atlas, 1.999
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