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POR
QUE GESTÃO DE VALOR NA EMPRESA?
FÁBIO
FREZATTI
CONSULTOR
DO MVC
INSTITUTO
M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Simplesmente
porque é lá que uma parte muito significativa do valor se forma, se
realiza. Por se tratar de tema multidisciplinar e por interesse de
autores considerados como clássicos, a visão apresentada como mais
freqüente aborda o tema como sendo algo que se trata de fora da
entidade. Essa abordagem decorre predominantemente da origem do tema e
da força da contabilidade financeira. No entanto, o seu desenvolvimento
tem ocorrido de maneira muito intensa, com participações de
profissionais de diferentes áreas de estudo. Senão vejamos: o tema
valor da empresa se relaciona com finanças, com comportamento,
macroeconomia, contabilidade, dentre outras áreas de estudo. Pela sua
origem e, a partir da pressão exercida pelos vários agentes externos
(credores, comunidade, fornecedores, governo e outros) essa área de
estudo foi tomando corpo, definindo seu escopo à luz de variadas fontes
conceituais. No que se refere aos gestores, ou seja, agentes internos à
empresa, cada vez mais, são cobrados pelo seu desempenho na gestão do
valor. Os planos de negócios da entidade e seu relacionamento com
remuneração são formulados para que o foco das ações sobre
gerenciamento de valor seja acentuado. A mensurabilidade de indicadores,
abrangência e a clareza de seu entendimento são de grande importância
na sua definição. Devem permitir aos gestores traçar planos de longo
prazo e acompanhá-los no curto prazo a partir de uma hierarquia
definida. O desenvolvimento nessa área tem sido verificado ao longo do
tempo e progressos têm sido percebidos. Podem ser citadas as seguintes
etapas percorridas ao longo do desenvolvimento do Controle Gerencial:
1
- Foco no volume de vendas e faturamento.
Espelhava percepção de falta de controle sobre outros elementos da
atividade. Seu referencial era a atividade comercial. Em algumas
organizações, mormente naqueles de porte não significativo, essa
visão ainda é a única existente de maneira consistente;
2
- Foco na margem bruta e operacional.
Avanço sensível em termos de pretensão de controle sobre os elementos
a considerar, já que o controle sobre custos e despesas se torna
possível e exige uma certa estruturação contábil para que possa ser
desenvolvido;
3
- Foco no lucro líquido. A
organização passa a se preocupar com a geração de resultado para
poder distribuir ao acionista, bem como se apercebe que a estrutura de
capital tem papel significativo sobre o resultado final da operação. A
estrutura contábil necessária é mais complexa e exige maior
confiabilidade dos relatórios;
4
- Foco no retorno sobre o investimento.
Aqui se percebe uma importante guinada em decorrência da percepção de
controle não só sobre a operação, mas também sobre os recursos que
tornam viável tal operação. Notável contribuição deve ser
mencionada na decomposição da taxa de retorno, usualmente conhecida
por decomposição da Du Pont;
5
- Foco no valor. A partir desse
momento, além de se preocupar com resultado obtido pela entidade e os
recursos requeridos para as operações daí derivadas, a organização
se preocupa com o efetivo impacto sobre o valor da entidade dimensão
que leva em conta variáveis internas e externas à empresa. Tal
dimensão tem nuanças de curto e longo prazos, o que torna a abordagem
ainda mais complexa de ser compreendida.
Na
verdade, todas essas contribuições não são incongruentes entre si,
ou seja, uma nova contribuição não necessariamente invalida as
anteriores; ao contrário, as contribuições podem ser vistas como
cumulativas, como avanços; contudo, no passado, o progresso nessa área
foi visto como uma seqüência de rupturas em relação às
contribuições anteriores provocando uma sensação de espanto e
insegurança por parte dos usuários dessas informações já que no
mundo competitivo os gestores se vêem obrigados a perseguir as melhores
soluções, o que, normalmente, não pode ser algo a ser generalizado.
No seu conjunto, devem indicar se a organização é saudável, se está
melhorando, se está estável ou piorando nos intervalos de tempo em que
ela considera adequadas as medições. Contudo, podem proporcionar
distorções ao processo decisório quando indicam de maneira dúbia o
estado da organização. O indicador financeiro de longo prazo permite
monitorar os vários elementos, servindo de elo entre o plano
estratégico e o orçamento anual. Significa dizer que a aprovação do
orçamento anual decorre de apresentar condições de atingir esse
indicador. De qualquer forma, na definição de objetivos de longo
prazo, ao menos um indicador financeiro deve ser estabelecido pelos
gestores, a fim de proporcionar condições de monitorar o
desenvolvimento das operações sob a perspectiva de unificação do
entendimento dos eventos econômicos. Várias alternativas estão
disponíveis e são citadas na literatura como Dessa maneira, tanto para
os acionistas como para os gestores, é fundamental entender o tema de
maneira integrada e abrangente, levando em conta o relacionamento
interno e externo que ele tem. As questões técnicas são importantes
mas o comportamento humano é que define o tom da gestão, inclusive na
gestão de valor. Como conseqüência,
qualitativamente falando-se o gestor pode não apenas entender mas
realmente atuar de maneira eficaz no estabelecimento de metas na gestão
do valor da entidade. Dessa forma, a gestão de valor deve ocorrer em
função das ações que são desenvolvidas na entidade por meio da
definição do relacionamento entre os acionistas e os gestores.
Autor:
Fábio Frezatti. Professor Associado da FEA USP e colaborador do
Instituto MVC.
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