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COMO
ACENDER SUA EQUIPE?
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Em
tempos de crise , seleção brasileira temendo times como Paraguai e
Bolivia, cabe aos executivos se perguntar sobre o que fazer para
manter sua equipe motivada e permanentemente atenta as oportunidades
que as crises insistem em criar em meio as maiores turbulências.
O
Prof. José Roberto Whitaker Penteado, um dos meus gurus em
marketing, me ensinou que é preciso ter em mente que as pessoas se
motivam, basicamente, em duas situações:
-
em
caso de vida ou morte;
-
quando
percebem motivos lógicos, claros, racionais e de seu
interesse para agir.
Ao
conduzir o módulo de vendas para uma das turmas do MBA em Marketing
da FGV aqui no Rio de Janeiro, lembrei-me da lição aprendida com
José Roberto.
Pretendendo
ilustrar a questão a motivação, exibi para esta turma um vídeo
preparado pelo Círculo dos Profissionais de Venda – entidade
baseada em Curitiba. Tratava-se do depoimento de Gonçalo Borges,
profissional formado em Propaganda e Marketing e dono de uma pequena
empresa de artes gráficas em São Paulo.
O
vídeo começa com opiniões de pessoas visivelmente incomodadas com
a situação brasileira. Rapidamente elas vão apontando questões
que indubitavelmente afligem a todos nós: falta salário no final
do mês, governo inoperante em áreas-chave, o país não inspira a
confiança necessária, etc e tal. Após essa sequência, o
protagonista do filme é apresentado como uma pessoa comum, dono de
um pequeno empreendimento que emprega 5 pessoas e sujeito as mesmas
chuvas e tempestades que preocupam a qualquer empresário. Apenas um
fato torna Gonçalo diferente da maioria de nós: ele nasceu com os
dois braços completamente atrofiados.
Tentando
dar uma dimensão mais real do que isso significa, a câmera corta
do plano americano – no qual não se vêem os braços – para uma
imagem do cotidiano de Gonçalo, que aparece preparando uma proposta
de serviços usando não as mãos, mas os pés para datilografá-la.
Durante
10 minutos o empresário fala sobre o desafio que sua condição
física lhe impôs e conta que, para superar o preconceito que seu
estado físico acaba por gerar, recorreu o tempo todo a sua reserva
interna de entusiasmo.
Falando
sobre como enfrentar desafios, Gonçalo diz que, há alguns anos,
decidiu conhecer o Japão. Sem falar uma só palavra do idioma local
- e dependendo da ajuda de outras pessoas até mesmo para pode se
vestir – tomou sozinho um avião e "foi a luta".
Sobreviveu sem precisar implorar por ajuda e ainda obteve
inspiração para produzir uma série de pinturas que acabaram
premiadas em alguns certames internacionais (para pintar, Gonçalo
segura o pincel com a boca).
Em
outro momento, decidiu que, "para garantir plenamente o meu
direito de ir e vir", estava na hora de dirigir o próprio
carro. Projetou uma série de adaptações que seriam necessárias
para poder usar os pés – e não as mãos – para segurar e
dominar o volante, prestou todos os exames escritos e partiu para a
prova de trânsito. O orgão oficial, responsável pela emissão da
carteira de motorista, tentou impedi-lo com argumentos como: e se
você sentir coceira nos pés? e se seus pés ficarem suados com o
esforço dispendido e isto dificultar a direção? Respondendo que
coceira e suor davam tanto nas mãos quanto nos pés, Gonçalo
conseguiu ser submetido a todas as provas e foi considerado apto.
Terminada
a exibição, perguntei a meus alunos se a motivação de Gonçalo
para enfrentar suas limitações físicas devia-se ao fato dele não
ter outras opções ou era fruto de uma crença inabalável na sua
própria competência. Como houve consenso quanto a segunda
hipótese, continuei a discussão introduzindo a idéia do José
Roberto e perguntando como fazer para que as pessoas de uma
organização encontrem razões de seu próprio interesse para
enfrentar essa enésima crise pela qual passa o Brasil.
O
consenso deixou de existir. Alguns alunos disseram que era
impossível não ser contaminado pelo pessimismo, na medida em que,
todos os dias, os jornais só fazem falar da crise. Outros disseram
que era necessário praticar uma espécie de altismo, ficando a
margem do que está acontecendo. Houve quem sugerisse o estoicismo
como solução. Disseram elas que, se esperarmos o mínimo da vida,
tudo o que nos for oferecido será considerado acima da expectativa
e portanto melhor do que poderíamos supor.
A
discussão não permitiu uma conclusão única – houve, inclusive,
aqueles que disseram que o filme era piegas e apelativo, incitando a
uma postura do tipo auto-ajuda. Mas todos concordaram que o tema era
praticamente atemporal, em se tratando do Brasil.
Como
você vêm lidando com esta questão? Será que está fazendo pelo
menos a sua parte? Ao trabalhar na sua empresa as pessoas se sentem
envolvidas em um projeto mais amplo do que apenas sobreviver e
ganhar algum dinheiro?
Minha
angústia – que imagino seja sua também – é que se não formos
capazes de dar aos nossos empregados e a nós mesmos uma razão e um
sentido mais amplo para o trabalho, em pouco tempo, estarei
lembrando do José Roberto não pelo que ele me ensinou sobre
marketing, mas sim pelo fato de sua tese de doutorado ser sobre
Monteiro Lobato, o criador do Jeca Tatu.
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