Toda
decisão de marketing é sempre uma decisão de caráter financeiro. A
reação mais comum a essa afirmação varia da perplexidade à absoluta
discordância. Embora certamente existam exceções, um dos maiores
fascínios que o marketing exerce sobre profissionais de diversas áreas
é que, a princípio, eles acreditam que na área de marketing poderão
"escapar dos números", ficando desobrigados de se preocupar com
essas "questões menores" que afligem o pessoal da área
financeira. Enganam-se.
A
preocupação com os aspectos financeiros de uma decisão mercadológica
remete a um axioma de natureza aristotélica: "nada pode ser e não
ser ao mesmo tempo". Se as empresas utilizam-se do marketing para
atingir seus objetivos de produto e de mercado e se o mercado é regido
por uma lógica capitalista, nenhuma decisão de marketing pode deixar de
considerar os aspectos financeiros que lhe são inerentes.
As
decisões de marketing determinam a alocação de recursos financeiros
entre diversas opções mercadológicas. Decisões sobre desenvolvimento e
características de produtos e serviços, investimentos em promoção,
comunicação e manutenção de canais de venda e de distribuição estão
entre as questões que precisam ser ponderadas pelo profissional de
marketing. A única forma de tornar as escolhas realmente racionais é
avaliar o retorno de cada uma, escolhendo as que mais possam gerar
lucratividade e rentabilidade.
O
profissional de marketing não deve apenas racionalizar economicamente uma
decisão, mas desenvolver uma visão ampla, sendo capaz de avaliar
financeiramente a viabilidade de seus projetos e analisar o impacto destes
no fluxo de caixa da empresa. Período de retorno, valor presente líquido
e taxa interna de retorno são decisivos para garantir uma atuação
competente.
Ao
planejar as ações de marketing, devemos ser capazes de responder, pelo
menos, as seguintes questões: em quanto tempo a ação será capaz de
retornar a quantia investida? Qual o retorno esperado da ação,
considerando-se as reações do mercado e dos concorrentes? Este retorno
está em consonância com as perspectivas da empresa e dos acionistas?
Temos recursos para bancar a ação? Em caso positivo, temos fôlego para
suportar o investimento caso ele demore mais que o previsto? Em caso
negativo, somos capazes de disponibilizar estes recursos? Como
disponibilizá-los?
Mas,
o que é mais importante para uma organização, seus objetivos
mercadológicos ou seus objetivos financeiros? Obviamente, responder a
esta pergunta sem considerar a uma dimensão temporal é um erro tolo.
Alguns podem até dizer que ambas as coisas são importantes, e não
deixam de ter razão. Mas analisemos a questão sob diferentes
perspectivas de tempo.
No
curto prazo, ganham destaque os objetivos financeiros, como forma de
garantir a sobrevivência e a solvência da organização. Em
contrapartida, os mais bem informados poderão argumentar que diversas
ações de marketing foram implementadas para gerar retorno somente após
um tempo considerável – como a Nestlé que, na década de 1980,
investiu no segmento de sorvetes ciente de que esperaria até dez anos
para começar a obter retorno sobre seu investimento.
O
que não devemos ignorar neste exemplo é que a empresa não descartou a
referência financeira ao tomar sua decisão (afinal, decidiu que, se em
dez anos os lucros não surgissem, a opção de permanecer no mercado
deveria ser repensada) e, além disso, tratava-se de uma empresa com
sólido background financeiro para bancar o risco. Quanto menos
capitalizada for uma empresa, mais realce precisará dar à questão
financeira de curto prazo, caso contrário não existirá mais no médio e
longo prazos.