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"EXPORTAR
É PRECISO": ALGUNS ASPECTOS MERCADOLÓGICOS
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Especialistas
em comercio exterior têm ressaltado nossa necessidade de aumentar
as exportações brasileiras. Somente assim o país poderá voltar a
crescer . As exportações nos trarão os dólares que tanto
precisamos, dizem economista e outros especialistas.
Afora
os problemas estruturais que temos – que não abordaremos aqui –,
voltamo-nos neste artigo para a análise de alguns aspectos
relativos às práticas de marketing internacional.
Estrategicamente,
as decisões de marketing internacional buscam respostas para as
seguintes questões:
-
Devemos ingressar no mercado internacional? Por quê?
-
Em caso positivo, em que mercados devemos focar nossa ação?
-
Como ingressaremos nesses mercados?
-
Qual deverá ser o composto de marketing ofertado e como nossa
empresa deverá se estruturar para esta empreitada?
Em
geral, a decisão de atuar em mercados internacionais envolve uma ou
várias justificativas, como a descoberta de novas oportunidades de
lucro, a necessidade de aumentar a base de clientes visando
economias de escala, a vontade de ser menos dependente de apenas um
único mercado, etc.
Uma
vez tomada a decisão, a empresa deverá definir em quantos países
pretende atuar. Em geral, isto envolve a análise dos custos de
entrada e de controle do mercado, dos custos de adaptação do
composto de marketing, da população e da cultura do país e da
concorrência e suas formas de retaliação.
Quanto
ao modo de ingressar no mercado, a empresa pode optar pela
exportação indireta (exportador estabelecido no próprio país,
agente de exportação, cooperativas e empresas de gestão de
exportação), pela exportação direta (departamento interno de
exportação, filial ou subsidiária de vendas no exterior,
representantes de vendas de exportação que viajam para o exterior
e agentes ou distribuidores estabelecidos no exterior), pelo
licenciamento, pela formação de joint-ventures ou, finalmente,
pelo investimento direto. Estas opções aparecem em sentido
crescente quanto ao grau de comprometimento, risco, controle e
lucro.
A
estrutura e controle das atividades de exportação devem ser
definidas entre, principalmente, a criação de um departamento de
exportação vinculado ao departamento de marketing ou a criação
de uma divisão internacional, com maior autonomia. Finalmente,
deverá definir o mix de marketing. Neste caso, basicamente, a
decisão se refere-se a qual estratégia adotar e adequar os
impactos dessa opção sobre as alternativas de produto, preço,
praça e promoção. Existem três estratégias básicas:
-
Global: quando a empresa atua de forma padronizada nos diversos
mercados internacionais, como muitas empresas japonesas fazem;
-
Multinacional: onde cada mercado é visto como uma singularidade,
com a oferta sendo adaptada para cada caso;
-
"Glocal": onde a empresa padroniza certos parâmetros
essenciais e faz adaptações nos demais.
A
internacionalização, obviamente, não é fácil. As empresas que
empreendem ações nesse sentido devem atentar para os riscos que
correm: a) podem não compreender adequadamente as preferências do
cliente estrangeiro e a cultura local, ofertando, então, produtos e
serviços pouco atraentes; b) podem subestimar aspectos estruturais
do mercado estrangeiro, possivelmente porque seus gerentes possuem
pouca experiência internacional; e c) devem manter vigilância
constante sobre os riscos do país, como desvalorização da moeda,
nacionalização de empresas, etc.
Feitas
essas reflexões, observemos a situação atual das nossas
exportações. O aspecto mais ressalta aos nossos olhos é que
alcançamos bons níveis de exportação em produtos de categorias
extremas. De um lado, temos empresas brasileiras que primam por
exportar produtos e serviços com alta tecnologia - Embraer,
Usiminas, Odebrecht e Gerdau. Do outro, temos a maior parte de
nossas exportações concentradas em commodities.
No
"caminho do meio", porém, temos uma série de
oportunidades não exploradas, como artes, esportes e o próprio
turismo. Diversos cantores e compositores brasileiros ganham
prêmios internacionais; muitos de nossos esportistas alcançam
notoriedade internacional. Contudo, somente há pouco tempo - e com
iniciativas pontuais - passamos a investir em mercados estrangeiros.
Podemos citar como exemplos as empreitadas envolvendo as carreiras
internacionais de Sandy e Júnior e Alexandre Pires. O futebol,
outro grande produto para nossas exportações, padece numa
estrutura desorganizada e "brigas" entre clubes,
federações e agentes da mídia. O próprio país, com seu
indiscutível potencial turístico, não é bem vendido
externamente.
Nesta
conjuntura globalizada o "brazilian way of life" – com o
perdão do leitor ao uso da expressão em inglês –, ganha força.
Afinal, nossa cultura sempre soube aceitar as diferenças e lidar
com o imprevisto, adaptando-se e modificando-se.
Independente
da ação do Estado, indiscutivelmente precisamos desenvolver uma
cultura de marketing internacional, de melhor promoção de nossos
produtos, de desenvolvimento de relações comerciais internacionais
sadias, enfim, de mostrar "o que esta gente morena tem de
melhor".
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