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CARACTERÍSTICAS
DO GESTOR DE
MARKETING
CONTEMPORÂNEO
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Muito
se tem falado – inclusive nesta coluna – sobre ferramentas e
técnicas de marketing. Mas pouco se tem dito sobre o ser humano que se
responsabiliza pelo sucesso das estratégias mercadológicas.
Vivendo
num mundo cada vez mais competitivo, temos a sensação que, para gerir
qualquer área que seja, precisamos nos transformar em verdadeiros
super-homens. E sabemos que isso é impossível.
Nas
próximas linhas estarei apontando algumas características que me
parecem ser essenciais para o gestor de marketing. Essas idéias são
frutos de muitas conversas que tive com meu amigo e mentor (além de
vizinho de página), o prof. Marco Aurélio Ferreira Vianna. A ele cabem
os méritos pelo que estarei dizendo, a mim as limitações quanto à
compreensão daquilo que meu amigo procurou me transmitir.
A
capacidade de conviver com ambigüidades é, sem dúvida, uma
característica essencial do profissional da Era do Conhecimento. Uma
das faces dessa quase esquizofrenia é que o profissional do século XXI
vai ter que desempenhar simultaneamente os papéis de mestre e de
aprendiz.
Não
parece haver dúvidas que os líderes da área de marketing precisarão
ser capazes de ensinar, utilizando o exemplo pessoal como metodologia
básica. Por outro lado, será totalmente insano e contraproducente
tentar dominar todas as subjetividades de cada uma das áreas de
competência que precisam desenvolver. Por isso, terão que ser capazes
de exercitar duas virtudes: a confiança e a humildade (acho que
ninguém discordaria da idéia que, nos gestores marketing, essas
virtudes são ainda mais complicadas de serem encontradas, uma vez que
os profissionais dessa área parecem ser movidos basicamente por
estímulos ao ego).
Por
confiança devemos entender a tranqüilidade de assumir que não será
capaz de produzir resultados se não se acostumar a depender de outras
pessoas. Essa dependência deverá ser aceita de forma natural e não
poderá provocar a necessidade de continuamente estar verificando se
cada um está fazendo aquilo que deveria. Assim dito, parece fácil.
Contudo, como confiar no cliente que insiste ter sempre razão
(independente do esforço que tenhamos feito para agrada-lo)? Como
confiar no fornecedor que parece estar sempre disposto a nos arrancar o
último centavo em troca de um produto de qualidade muitas vezes
duvidosa? Como confiar em intermediários que parecem querer sempre
mais, mas insistem em pagar cada vez menos?
A
humildade espelhará a sublimação de um alter-ego extremamente
avantajado. Não deve significar jamais humilhação, submissão ou
tentativa de democratizar as responsabilidades. O líder deverá
continuar a chamar para si o peso das decisões, mas simultaneamente
transformará cada resultado – positivo ou negativo – numa
oportunidade de aprendizagem pessoal e em equipe. Novamente parece ser
fácil. Mas aqui vão outras perguntas: como fazer com que as pessoas
que vendem seus produtos acreditem que ele (o produto) é melhor, mesmo
sabendo que sua qualidade intrínseca é exatamente a mesma do
concorrente? Como fazer que as pessoas aceitem que perder um negócio é
parte da regra do jogo, ao mesmo tempo que as punimos diminuindo-lhes a
comissão?
Outro
papel importante é o de demonstrador da mudança. Suas estruturas
física e psicológica deverão estar preparadas para reagir
positivamente a novos desafios organizacionais e de mercado, de forma
que possa evidenciar para seus companheiros que a estabilidade gera a
acomodação e que consequentemente o processo evolutivo só acontece
quando se está vivendo uma situação de desconforto, gerada por algum
tipo de entropia no sistema que faz com que ele não funcione a
contento. Ao invés de temer ou procrastinar as mudanças, ele deverá
incentivá-las e apoiar aqueles que a ela aderirem. Poderíamos mesmo
dizer que o líder do futuro deverá se transformar num verdadeiro
instigador de mutantes.
Se
estivesse no seu lugar meu caro leitor, estaria pensando o seguinte:
como instigar esses mutantes se não há a menor possibilidade de
apontar o sentido e direção das mudanças? Como fazer com que as
pessoas convivam bem com as incertezas se eu mesmo não consigo faze-lo?
Como
todos sabemos, as mudanças atemorizam as pessoas e fazem com que se
sintam ameaçadas e inseguras. Ao mesmo tempo que instiga seus
companheiros à mudar, o líder deve ser um integrador de pessoas.
Neste
momento, novas dúvidas passariam a me incomodar: como integrar as
pessoas se sou - o tempo todo - levado a focar apenas nos resultados de
curto prazo? Como criar equipes colaborativas se a maior parte do tempo
sou obrigado a incentivar a concorrência intestina?
Finalmente,
não se pode negar que, para desempenhar papéis tão diversos como o de
mestre/aprendiz, demonstrador da mudança/instigador de mutantes,
integrador de pessoas/treinador de equipes, o indivíduo que ocupa
posições de liderança terá que ser exímio na capacidade de dar e
receber feedbacks. Dá-los é mais fácil do que recebê-los.
Como ouvir de alguém que a imagem que faço a meu próprio respeito
não guarda relação com a realidade? Será que aqui não entraria
novamente a necessidade de exercitar a confiança e a humildade.
Sem
querer entrar em looping com minhas próprias idéias, te pergunto: Como
você responderia as perguntas que coloquei ao longo deste texto?
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