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COMO
O MARKETING PODE TORNAR O
NATAL
DE 2003 MAIS FELIZ
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
As
ações de marketing, para alcançar sucesso, não devem ser
improvisadas. Devem basear-se em análise do curto, médio e longo
prazos. Contudo, o bom profissional de marketing sabe que precisa
estar atento às tendências do mercado e saber aproveitar as
oportunidades que surgem de vez em quando.
O
Natal deste ano parece ser um desses casos de oportunidade a ser
aproveitada. Sempre tido como o mês que realça – ou, em alguns
casos, que salva – os resultados de uma empresa, o mês de
dezembro deste ano apresenta características peculiares.
O
atentado terrorista às Torres Gêmeas significou, sem dúvidas, uma
mudança nos rumos da História da humanidade. Em termos mais
restritos, e, especificamente, para as empresas brasileiras, este
fato deve alterar o comportamento do consumidor neste final de ano.
Antes
de verificar porque, vamos refletir, juntos, sobre algo que
aconteceu recentemente nos EUA. No último dia de Ação de Graças,
as vendas pela Internet bateram todos os recordes anteriores em
número e valores de transações. Isso significa que o povo
americano está temeroso de ir fazer suas compras pessoalmente, tem
medo de sair de casa, de ir à rua, aos shoppings, às lojas. As
empresas que já vinham vendendo através da Internet e possuíam
sistemas de recebimento de pedidos e de logística e distribuição
bem administrados, viram-se diante de uma grande oportunidade de,
finalmente, ganhar dinheiro com o e-commerce.
Aquelas
que ainda não tinham se interessado na grande rede ou que estavam
apenas engatinhando têm, agora, o grande motivo para se adiantarem.
Mas é preciso lembrar que o mercado não admite improvisos e que,
sempre, a primeira impressão é a que fica. Só que perder o timing,
a "janela da oportunidade", é deixar de aproveitar a
chance de aumentar seus ganhos.
O
caso brasileiro apresenta diferenças e semelhanças em relação à
situação norte-americana. Em primeiro lugar, o brasileiro não
apresenta o medo e a neurose com relação aos atentados – e,
provavelmente, nem tem motivo para tal – e está indo às lojas
para fazer suas compras. Em segundo lugar, parece ocorrer uma
ligeira mudança na cultura brasileira, estamos deixando de fazer
nossas compras na última hora, e planejando antes as decisões
sobre os presentes de Natal.
Muitos
analistas de mercado vêm fazendo previsões otimistas em relação
ao Natal deste ano. Mas por outras razões: as pessoas das classes
mais ricas de nossa sociedade estão trocando os dias na Disney e o
Natal em Nova York por festividades em nosso próprio país. Assim,
haverá, necessariamente, uma "sobra" de renda destas
classes que será gasta por aqui em serviços e produtos. É a hora
das empresas aproveitarem esta oportunidade.
Obviamente,
a resposta não é investir em vendas remotas, em telemarketing ou
em comércio eletrônico. A solução está dentro das próprias
empresas, em suas pessoas e seus sistemas.
Investir
em endomarketing, tornando as pessoas mais motivadas e engajadas no
alcance dos resultados da empresa. Fazendo-as saber o que receberão
de retorno ao adotarem novos comportamentos. Criando uma cultura
voltada para a prestação de serviços extraordinários e para a
satisfação dos clientes. Que permitam que os compradores tenham
experiências significativas de compra, que saiam da loja com a
impressão de que o vendedor realmente estava disposto a solucionar
seus problemas e oferecer-lhe o produto mais adequado a sua
situação – e não apenas lhe empurrar um produto qualquer e
sumir. É preciso fazer com que o cliente fique com aquele gostinho
de quero mais, com vontade de voltar.
Adaptar
ou renovar seus sistemas, tornando a compra mais conveniente, onde
sejam evitadas toda e qualquer "hora da verdade" que possa
contaminar a satisfação dos clientes. Afinal, de que adianta
possuir o "melhor" produto e o "melhor"
atendimento se, na hora em que o cliente vai pagar pela mercadoria,
o sistema o faz esperar mais do que o aceitável para sair com a
compra. Ou, ainda, se os serviços de troca criam tantos problemas
para o cliente que ele "prefere" ficar com algo que não
lhe é o mais adequado.
Os
clientes estão cada vez mais exigentes, principalmente aqueles que
estão acostumados a fazer suas compras de Natal no exterior. Mas
são justamente estes que podem vir a fazer a diferença nos
resultados deste ano.
Como
já dissemos antes, as ações de marketing não devem focalizar
apenas o curto prazo. O marketing efetivo aproveita as oportunidades
que surgem, mas não pode viver de improvisos e deve focalizar
também o longo prazo.
Ao
atender bem o cliente neste Natal, estaremos criando oportunidades
para os próximos anos, modificando a visão que muitos clientes
têm dos lojistas brasileiros e aumentando a carteira de clientes
– potenciais e reais.
O
marketing pode ajudar muito a fazer o Natal de 2003 mais feliz para
os lojistas brasileiros. E, com certeza, ajudar a criar novos Natais
felizes nos anos seguintes. Basta que consigamos criar experiências
de compra significativas para os clientes.
Boa
Sorte e Feliz Natal.
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