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PERCA
AS ESPERANÇAS DE VENDER EM 2004
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Tenho
tentado acompanhar atentamente o que tem sido dito e publicado
nestes primeiros dias do governo Lula. Refletindo sobre o que tenho
visto, ouso afirmar peremptoriamente que não existem esperanças de
que, em 2004, possamos vender mais ou mesmo manter os tímidos
patamares alcançados em 2003.
Os
antigovernistas – sempre eles - dirão que essa
"desesperança" se deve ao fato do governo Lula priorizar
o social e não o desenvolvimento econômico. Na opinião dessa
corrente, é preciso crescer o bolo para depois dividi-lo (você
leitor já ouviu essa frase antes?). Outros dirão que é a herança
de 8 anos de um governo neoliberal - que "sucateou" a
industria nacional e vendeu nossas jóias (leia-se as antigas
estatais) na bacia das almas das privatizações - que impedirá que
Lula e sua equipe nos leve direto do inferno ao paraíso. Há
aqueles que afirmarão que a razão da falta de esperança é a
conjuntura internacional, ainda abalada pelo atentado de 11 de
setembro de 2001 e na eminência de uma nova guerra no Golfo.
Pessoalmente
não acredito em nenhuma dessas hipóteses. Em primeiro lugar, não
me parece que o governo Lula esteja disposto a abrir mão da
estabilidade monetária conquistada a duras penas durante o governo
FHC. Se prestarmos atenção no que tem dito o Ministro Pallocci e o
presidente do Banco Central, veremos que a defesa da estabilidade
não está em negociação. Quanto a afirmação de que o governo
FHC comportou-se sob inspiração neoliberal, me parece – sem
querer plagiar, mas já o fazendo – "neobobismo". Como
chamar de neoliberal um governo que criou agências reguladoras para
setores-chave como telecomunicações, energia elétrica, petróleo
e outros? Além disso, mesmo que possamos criticar a política
econômica do antigo governo, é impossível desconhecer que,
enquanto mantínhamos o dólar subvalorizado, nossas empresas
puderam importar bens de capital a preços muito baixos e se
modernizar. Enquanto os salários mantiveram-se deprimidos, foi
possível refrear a ganância de empresários inescrupulosos. E
nunca se investiu tanto em educação. Enfim, se é possível
criticar muitas das decisões tomadas nos últimos 8 anos, é
impossível desconhecer que muito se fez para que esse país
melhorasse. Já a questão da guerra EUA X Iraque, me parece que, de
tanto ter sido anunciada, seus efeitos serão muito menores do que
se quer fazer crer – isso porque todo mundo terá tido tempo de se
preparar para enfrentar as dificuldades que virão caso ela
realmente aconteça.
A
essa altura você provavelmente está se perguntando: mas se na sua
análise o cenário não é tão inquietante, por que começou esse
artigo falando que não devemos ter esperança de vender em 2003?
O
filósofo Spinoza – provavelmente inspirado em Platão – dizia
haver uma significativa diferença entre esperança e vontade.
Segundo ele, a esperança significaria a expectativa de que alguma
coisa que não depende de você (ou sobre a qual você não tivesse
poder) acontecesse. Já a vontade representaria a disposição de
lançar mão de coisas que você mesmo controla a fim de obter um
determinado resultado.
Na
visão de Spinoza, seria totalmente despropositado uma pessoa
começar o ano com a esperança de emagrecer. Se você quiser
iniciar o próximo verão com um corpo de fazer inveja a qualquer
modelo, é preciso ter VONTADE e .... fechar a boca e malhar muito.
Assim
sendo, não adianta termos esperança de vender. É preciso que nos
preparemos e tenhamos VONTADE de fazê-lo.
Como
podemos nos preparar? Em primeiro lugar deixando de lado o discurso
e partindo para uma prática séria de valorização do consumidor.
Não se trata mais de apenas dizer que o cliente é o rei e, na
prática, tratá-lo como um pária qualquer.
Depois,
é preciso entender e aceitar que vivemos uma era em que a
informação e o conhecimento são o mais importante capital de uma
empresa. Nos últimos anos, vivemos uma indiscutível evolução e
expansão do conceito de marketing, que passou a absorver novas
funções, expandiu fronteiras, aproveitou-se de novas tecnologias e
incorporou sucessivas inovações. Mesmo com tudo isso, percebemos
que as empresas ainda tem dificuldade em garantir que seus próprios
funcionários se alinhem com as estratégias de mercado por elas
propostas. Em outras palavras, falta as pessoas uma verdadeira
VONTADE de servir aos clientes.
Tenho
dito - em aulas, seminários, palestras e artigos – que não
adianta apenas parecer ser uma empresa orientada para marketing. É
preciso fazer que o consumidor vivencie conosco experiências
positivas que comprovem, acima de qualquer dúvida ou
questionamento, que nos posicionamos no mercado como provedores de
solução, dispostos a alcançar sucesso através da satisfação de
suas necessidades e desejos.
Se
a afirmação acima vale para a área de marketing como um todo, ela
tem especial aplicação junto a área comercial. Já se foi o tempo
em que o bom vendedor era aquele que não saia da frente do cliente
sem ter conseguido um "pedidinho". Somos vendedores de
soluções e não de produtos e serviços. Se não compreendermos
que vender hoje é estar completamente comprometido com o sucesso do
cliente, não adianta acordar a cada dia com a esperança renovada.
Em
suma, o objetivo deste artigo é desejar que você comece esse ano
com poucas esperanças, mas .... com muita VONTADE de vender e ser
bem sucedido.
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