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QUALIDADE
NO ATENDIMENTO
JOÃO
BAPTISTA VILHENA
VICE-PRESIDENTE
DO MVC - INSTITUTO M. VIANNA
COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
Ninguém
questiona a importância da qualidade no atendimento aos clientes.
Contudo, nem sempre as empresas são bem-sucedidas neste quesito.
Quais são os erros que cometemos? Podemos evitá-los? Discutir
alguns destes aspectos é o objetivo deste artigo, que encerra o ano
de 2003.
Comecemos
pela importância do bom atendimento. Ou melhor, pelas
conseqüências do mau atendimento.
Há
uma estória que nos foi contada pelo Prof. Dimitri Rocha e que
costumamos usar como ilustração em nossas aulas e palestras. O
texto conta o seguinte:
"Sou
um cliente amável. Todos me conhecem. Sou aquele que nunca reclama,
não importando o atendimento que receba. Vou a um restaurante e
aguardo, pacientemente, enquanto os garçons e garçonetes ficam
mexericando sem se incomodarem em perguntar se alguém já anotou o
meu pedido. Algumas vezes, alguém que chegou depois de mim é
atendido primeiro. Mas eu reclamo? Não, apenas espero. E quando vou
a uma loja comprar algo não tento me impor. Procura levar em
consideração a outra pessoa. Se um vendedor metido se aborrece
porque desejo olhar vários itens antes de me decidir, mantenho-me
tão polido quanto possível. Não acredito que responder à altura
seja correto. Outro dia parei em um posto de gasolina e esperei
quase cinco minutos até que um frentista me desse atenção. E
quando o fez, derramou gasolina e limpou meu para-brisa com um trapo
engordurado. Mas eu reclamei do atendimento? É claro que não!!!
Nunca faço objeções, nem clamo, nem critico. E nem sonharia em
fazer uma cena, como já vi outras pessoas fazerem em locais
públicos. Creio que isso é desnecessário. Não, eu não sou o
cliente amável. E vou lhes contar o que mais eu sou... Sou o
cliente que nunca mais volta"
Você
pode estar pensando o seguinte: se todos temos consciência da
importância do atendimento, por que cometemos tantos equívocos ao
lidar com os clientes? Em primeiro lugar, porque muitas vezes
definimos qualidade no atendimento pelo nosso ponto de vista. Mas
quem verifica se temos ou não qualidade é o cliente; qualidade no
atendimento deve ser definida, então, pelos olhos do cliente.
Assim, ouça o cliente, pergunte a ele se o atendimento foi
adequado, se ele tem alguma sugestão para melhorarmos, coloque-o no
centro das decisões sobre qualidade no atendimento (aqui vale
lembrar o exemplo das lojas Renner, com o seu encantômetro).
Em
segundo lugar, a qualidade no atendimento é uma relação entre a
expectativa que o cliente desenvolve e a realidade que ele
experimenta. Se a realidade ficar abaixo da expectativa, o cliente
considerará o atendimento ruim. Se forem equivalentes, considerará
o atendimento adequado. Se superar, o cliente ficará encantado.
Devemos nos preocupar em responder a seguinte pergunta: estamos
prometendo mais (via, principalmente, nossa comunicação) do que
podemos realizar? Caso haja discrepância, temos duas soluções: a)
melhorar em muito o atendimento de forma a torna-lo equiparável com
o prometido; ou b) diminuir nossas promessas de forma a torná-las
exeqüíveis de acordo com nossa capacidade.
No
primeiro caso – opção mais difícil, mas mais vantajosa –, é
preciso voltar a atenção para os processos de gestão de pessoas,
recrutar e selecionar adequadamente os funcionários que manterão
contato com o público, oferecer treinamento e programas de
desenvolvimento, investir em endomarketing, criar sistemas de
remuneração e avaliação do desempenho adequados aos objetivos de
atendimento da empresa, entre outras atividades. Na opção pela
diminuição das promessas – mais fácil, porém mais perigosa –
devemos nos lembrar que, ao diminuirmos nossas promessas de
atendimento, podemos tornar o produto/serviço tão pouco atrativo
que nenhum cliente se disponha a experimentá-lo.
O
terceiro problema a ser enfrentado na busca da qualidade no
atendimento diz respeito ao equilíbrio no tratamento a clientes
novos e antigos. Tradicionalmente, as empresas dispensam maiores
esforços à conquista de novos clientes do que à manutenção dos
antigos. Sempre que for implementar uma nova campanha de captação
de novos clientes, pense em como os antigos vão se sentir. É justo
que um cliente que "apostou" em sua empresa anteriormente
veja os novatos pagando menos para receber os mesmos serviços?
Por
outro lado, o quarto desafio diz respeito aos próprios clientes.
Muitas vezes, um atendimento não é bom por culpa do próprio
cliente, e não do funcionário. É preciso, então, treinar o
cliente, estimulando-o a agir da maneira adequada a garantia da
qualidade do serviço. Neste caso, você precisa descrever todo o
processo de atendimento e identificar as etapas onde a
participação do cliente é fator crítico para o sucesso. Após
isso, é preciso identificar os conhecimentos, habilidades e
atitudes que os clientes precisam ter e formular ações que
precisam ser desenvolvidas para estimular e capacitar o cliente a
agir de forma adequada nas etapas listadas anteriormente.
Neste
final de ano, onde as lojas enchem e o atendimento é crucial para o
sucesso nas vendas, podemos fazer duas sugestões aos varejistas. A
primeira relaciona-se à avaliação da qualidade no atendimento.
Para tanto, pense na possibilidade de usar a metodologia do
"cliente oculto", ou seja, peça a alguém devidamente
capacitado para visitar sua loja e testar o atendimento prestado.
Peça que ele faça um relatório do que viu e percebeu e aborde os
temas levantados com sua equipe, destacando pontos fortes e pontos a
melhorar. Lembre-se de usar a metodologia visando a melhoria da
equipe, e não a punição dos funcionários.
A
segunda sugestão refere-se a dez regras que podem melhorar o
atendimento em seu negócio:
1)
Apresente-se em primeiro lugar
2)
Procure demonstrar boa vontade
3)
Procure demonstrar interesse pelo outro
4)
Não seja emocional. Seja racional.
5)
Seja objetivo
6)
Não prometa em vão. É melhor saber dizer não
7)
Não faça brincadeiras em demasia
8)
Tenha sempre lápis e papel à mão
9)
Não faça outra coisa ao mesmo tempo
10)
Faça quem está sendo atendido se sentir importante
Finalmente,
desejamos-lhes um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo. Repletos de
vendas.
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