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A TEORIA, NA PRÁTICA, É MESMO OUTRA?

 

Carlos Alberto alvim

Consultor Sênior do Instituto MVC

www.institutomvc.com.br

 

 

 O que se  ensina teoricamente sobre técnicas de gestão empresarial é  aplicável nas empresas gerando resultados constatáveis?

 

Há uma anedota que circula nos meios empresariais e no ambiente acadêmico das áreas de Administração e Economia segundo a qual “quem não sabe fazer vai ensinar”. Existe alguma verdade por detrás dessa piada como na maioria das “brincadeiras”, mas existe aí também muita mentira. Trata-se, no mínimo, de um exagero simplista.

Entre a pura teoria e o saber  exclusivamente pragmático é natural que se constate uma distância. Mas o que interessa, não é essa dissociação e sim o que se verificou aplicável da pura teoria e o que foi teorizado a partir de uma prática eficaz.

Em ambos os casos o resultado é o que importa. Cumpre lembrar que resultado, para uma empresa, mede-se em faturamento, lucratividade e participação de mercado. É justamente na interseção do conhecimento teórico com o aprendizado prático  que está o  “x” da questão, o ponto gerador de resultado.

Já tive inúmeras oportunidades de aplicar, como executivo, conhecimentos adquiridos na faculdade, em leituras e em seminários, com excelentes resultados. Enquanto professor universitário levo, freqüentemente, para as salas de aulas, o fruto de minha experiência do dia a dia como gestor.

Será que a maior parte dos executivos que freqüentam seminários, fazem cursos de especialização e aperfeiçoamento está realmente interessada em aplicar na sua atividade gerencial os conhecimentos adquiridos?

Isso me lembra um provérbio (dizem que chinês, a maioria de tudo é chinesa... de gente inclusive): “Não dê o peixe ao homem, ensina-o a pescar”. Parece que a turma anda à procura de peixes, se possível já temperados e cozidos...ou crus, à moda japonesa. Não importa aprender a pescar porque já se quer tudo pronto: espera-se que um curso  ou treinamento seja uma fonte de fórmulas mágicas de aplicabilidade universal.

A maior parte das teorias de gestão ensinadas nos programas de treinamento originou-se da prática, foram apresentadas como soluções que algum ou vários profissionais encontraram para problemas reais.

Até mesmo uma idéia “pura” desenvolvida em uma especulação da academia e baseada em simulações, só se sustenta quando encontra sua aplicabilidade geradora de resultados. Se todo conhecimento útil adviesse da prática o que seria da ciência e da técnica? Grande parte dos “inventos” antecede sua utilização prática, constituindo durante seu processo de criação uma tentativa teórica de atender a alguma necessidade concreta.

Não fossem as “brincadeiras” acadêmicas de alguns professores e estudantes da Califórnia nos anos 60 teríamos os PC’s para uso privado? A internet teria saído do âmbito militar?

É preciso contextualizar. A teoria que se verificou eficaz aplicada em determinada empresa numa situação específica nem sempre pode ser, sem uma cuidadosa análise de pertinência, aplicada a outra que pareça similar.

Qual é o produto? Trata-se de um “bem industrial” ou de um “serviço”? Qual é o mercado? A concorrência é forte? Trata-se de uma empresa com participação de mercado consolidada ou iniciante? Existe uma marca forte? A dependência de tecnologia é muito alta? Qual é o porte da empresa (faturamento/lucratividade)?

 O quadro de pessoal também tem que ser considerado: Quem são os executivos encarregados da gestão? Estão sincronizados com o ambiente mutante da atualidade ou estabilizados em sua posição de “vencedores”, daqueles em cujo time não se mexe?

Muitas vezes uma empresa aparece como lucrativa e “bem sucedida”. Essa lucratividade,  esse sucesso aparente são compatíveis com o que ela poderia obter no ambiente de mercado e face à competitividade que defronta? Se a resposta indicar que ela pode melhorar é bom que o faça logo, ou sua posição vai reverter....Não existe espaço, no ambiente competitivo de hoje, para a estabilização.

Uma infinidade de práticas revela-se eficaz em todos os cantos do mundo (se é que esse mundo cada vez mais redondo ainda tem cantos...) E incontáveis teorias, verificáveis como úteis e eficazes surgem a cada momento. A “web” divulga em incontáveis megabites um saber que não se pode mais avaliar se é teórico, prático ou teórico-prático.

Como em tudo, nesse mundo velho que se pretende novo, há que prevalecer o bom senso. De volta à piada do início, há saberes que se aprende na prática e há práticas que se aprende na teoria. É você quem decide, no contexto da sua empresa o que é aplicável aqui e agora, além das metas que  pretende alcançar.

Não aprenda todo um universo de conhecimentos úteis, já provados e verificados para depois chamá-los inúteis só porque você não quis ou não soube aplicá-los.  Se todos os cursos que você fez, os seminários e workshops de que participou não acrescentaram nada à eficácia de sua atividade profissional talvez isso se deva a você tê-los acrescentado ao seu currículo  no lugar de aplicá-los à sua atividade gerencial.

Vamos ressalvar que para certas áreas específicas do conhecimento o “fazer” e o “saber” fazem uma dobradinha ideal em que a experiência prática acrescenta à teoria e essa é traduzida em aplicação.

 Para encerrar a questão vamos lembrar que “ensinar” é um “fazer” . Muito provavelmente, se você não tivesse encontrado, desde os seus começos, quem o ensinasse, provavelmente não estaria fazendo nada,  e muito menos lendo esse artigo.

 

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