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Como o Mercosul Fica Diante da ALCA?

 

G.Gilles Gerteiny

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

Antes de tudo, o consenso é que não se pode ficar contra a ALCA, como argumenta o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, porque não se pode saber, hoje, como será a forma final e, portanto, os compromissos que o Brasil terá que assumir.

 

Como imaginamos que a ALCA de 2005, possa ser como o NAFTA de 1994, acordo de livre comercio que engloba os EUA, o Canadá e o México, da mesma forma, que este foi muito semelhante ao AFTA de 1988, acordo de livre comercio entre os EUA e o Canadá, ser contra uma ALCA hoje é uma miopia. O assunto é fazer o melhor acordo de livre comércio, para depois ver como se poderá costurar um mercado comum, à exemplo da EU. De qualquer maneira, não há duvida nenhuma que este acordo beneficiará muito mais os EUA.

 

O MERCOOSUL, que é irreversível, ainda não está funcionando, ou pelo menos não como deveria, devido ao fato que todos querem tirar vantagem. Se os negociadores brasileiros acreditam que o Brasil ou mesmo o Mercosul, vão sair vencedores desta luta estão enganados. O importante o é tentar costurar o melhor acordo que possa beneficiar tanto os EUA quanto o Mercosul. Não devemos nos iludir, que em lugar de fazer este acordo com os EUA, ele deveria ter sido tentado com o NAFTA. Aliás, ele deve ser encarado como uma área de livre comércio e não como um mercado comum, à exemplo da EU. Uma área de livre comércio, pode incluir, alem do comercio de bens, o livre comercio de serviços, de acordo com as regras do GATS      (General agreement on Trade and Services) que também faz parte do conjunto de acordos da OMC. O comercio de serviços, apesar de só representar 20% do comercio mundial vem se expandindo a taxas muito superiores às que se verificam para o comercio de bens. Alias, Peter Drucker, já previa em 1950 que os Invisibles iriam crescer desta forma.

 

Portanto “CEDER É BURRICE”, como disse o ex-secretario de Comercio Exterior do governo FHC, Roberto Giannetti da Fonseca. Ele considera que o discurso de BUSH em defesa do livre comércio nada tem a ver com a realidade. Tudo que ele propõe além de só servir para eles (os EUA), considera também que os EUA e a UA são de uma hipocrisia fantástica, apesar de a EU ter  demonstrado nitidamente uma aproximação com os dois maiores paises do Mercosul, Brasil e Argentina.

 

Não vamos esquecer, entretanto, que uma área de livre comercio das Américas, é um acordo para redução das barreiras tarifarias para produtos e serviços dos paises integrantes do Bloco. O Brasil não pode tentar negociar em separado, ele deve se juntar à Argentina, (os dois maiores do Mercosul) e tentar conseguir um menor desgaste na negociação. Não vamos esquecer que para os EUA, o Mercosul vai desaparecer quando a ALCA for criada. Os países latino-americanos recusam esta opção e defendem a sua manutenção. Cremos que o consenso achado é a Área de Livre Comercio, chamada também ZLE (Zona de Livre Comércio).

 

“A ALCA é vista como uma oportunidade de crescimento econômico, um desafio (ela força os países do Mercosul a irem longe a fim de não desaparecer: isto  os motiva a se organizar, a adotar uma posição única, e a desenvolver uma coordenação maior), mas também ela comporta o grave  perigo de desaparecer.”(Luis do Prado e Alfredo Valadão)

 

Os acontecimentos destes últimos dias,  demonstram que há sempre espaço para negociar e que o Brasil deve manter sua calma e posição para tentar conseguir algo mais consistente do que as imposições dos EUA Com esta ALCA LIGTH, os países poderão negociar em separado as suas necessidades e tentar chegar a um denominador comum, que lhes fará perder menos..Os EUA, também não podiam  ficar tão inflexíveis , por que a ALCA só pode realmente existir, se o Brasil estiver dentro. Não se pode conceber nenhum bloco ou acordo de livre comércio sem o maior participante, afora os EUA.

 

Creio que a diplomacia brasileira esta consciente disto e que por mais arrogante que for os EUA , o Brasil terá que dar um primeiro passo, o que finalmente, fará participar e ganhar a todos. Agora, o acordo de livre comércio ainda está distante da posição de um bloco econômico e mais ainda de uma moeda única. Não podemos esquecer que a Europa, levou quase meio século para se unir e mais de um século para fazer uma moeda, forte e segura. Esperamos simplesmente que a Argentina não imite a Inglaterra e se “bandeie” para o lado americano nos deixando descobertos.

 

O importante é manter a calma, agir em conjunto e negociar em bloco, passo a passo. A diplomacia brasileira mostrou mais uma vez a sua competência nas negociações e se conseguiu, no passado, anexar territórios sem derramar uma gota de sangue, não há razão, hoje, de não conseguir um acordo favorável que possa beneficiar o povo tão sofrido da América Latina. 

 

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