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EXPERIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO BRASIL-FRANÇA

QUE PODE TORNAR O MERCOSUL COESO E PROFISSIONAL

 

 

G.Gilles Gerteiny

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

Os mundos empresariais e acadêmicos do Brasil e França continuam os esforços de melhor integração profissional, o que tem trazido benefícios importantes para ambos os países.

 

Na última semana, a Missão Econômica da Embaixada da França de São Paulo, por exemplo, realizou junto com UBIFRANCE o Fórum Franco Brasileiro: "Empresas e Formação de Engenheiros", com o objetivo de discutir a dupla formação de engenheiros, que obtêm simultaneamente diploma das escolas de engenharia, brasileira e francesa, buscando a formação cultural de ambos os formandos com vistas a agregar valor aos futuros executivos de empresas com inserção internacional.

 

Uma experiência idêntica anterior da ação de cooperação França Brasil aconteceu em 2005 onde foi realizado um encontro dos reitores franceses e brasileiros na Sorbonne,. Os temas abordados foram: « Regards croisés sur l´enseignement supérieur et la Recherche en France et au Brésil» Olhares cruzados sobre o Ensino superior e a Pesquisa na França e no Brasil

 

Na ocasião três mesas redondas abordaram os seguintes temas:

  • Deux systèmes d´Enseignement supérieur & de Recherche en évolution Dois sistemas de Ensino Superior e de Pesquisa em Evolução.

  • Articulation Université-Société-Gouvernement: construction de nouveaux espaces d´Enseignement Supérieur et de Recherche, Articulação Universidade-Sociedade-Governo: Construção de novos espaços de Ensino superior e de Pesquisa.

  • La coopération entre le Brésil et la France, instruments existants et nouvelles perspectives. A cooperação entre o Brasil e a França, instrumentos existentes e novas perspectivas.

O Brasil é o primeiro parceiro da França na América Latina em se tratando de cooperação cientifica e técnica, Esta parceria tem como objetivo a pesquisa, a inovação tecnológica e a cooperação técnica e se processa através da CAPES-COFECUB em  temas como matemática, engenharia, ciências fundamentais (matéria e vida) ciência e tecnologia de ponta, (materiais, nano ciência e microbiologia), meio ambiente e enfim, ciências humanas e sociais. Este último tema engloba o pluri-linguismo, a diversidade cultural e a ação em favor do francês e dos intercâmbios culturais com os Liceus Franceses no Brasil e com a Alliance Française.

 

No forum recente de São Paulo um dos palestrantes, o engenheiro francês radicado no Brasil Frédéric Donier, falou sobre as expectativas das empresas do Brasil e da França em relação aos engenheiros com duplo diploma. "No caso das brasileiras, elas têm o desafio de prosseguir a sua inserção no mundo globalizado, e, portanto vão precisar cada vez mais de engenheiros multi-culturais e não apenas multi-idiomas".

 

As empresas francesas, segundo o consultor se dividem em dois tipos: as instaladas no Brasil e as instaladas na França e em outros países e têm 
expectativas diferentes: "as primeiras esperam que esses engenheiros possam ajudá-las a ‘tropicalizar’ a sua gestão, visando maximizar a mobilização das equipes brasileiras a serviço da eficácia do negócio e aperfeiçoar os relacionamentos técnicos entre engenheiros de várias partes do mundo em prol do desenvolvimento tecnológico", afirmou ele.

 

As brasileiras visam desenvolver futuros líderes multi-culturais que possam colaborar para gerir os negócios, as plantas industriais e os projetos de engenharia, nos países em que atuam. Ainda citando Donier: "Com base nas suas qualidades naturais, como flexibilidade, inteligência tática, relacionamento inter-pessoal e dinamismo, o engenheiro brasileiro pode almejar responsabilidades ampliadas. Para isso, o duplo diploma será grande acelerador de carreiras internacionais".

 

Segundo, Adnei Melges de Andrade da USP a formação dada pelas universidades brasileiras é mais prática e técnica: "a formação no Brasil é rica em experiência de mercado. Já na França há conteúdo maior de teoria. Além disso, há forte componente de humanidades em seus cursos de engenharia, incluindo a formação em línguas estrangeiras".

 

Essa rica experiência de intercâmbio Brasil-França e outras nas quais já participamos permitem-nos vislumbrar ampla colaboração no que tange a cooperação e a orientação de melhores práticas de ensino superior utilizadas no velho continente, isto não apenas entre os dois países, mas, sobretudo da Europa para a América do Sul e, particularmente, para o Mercosul.


Na Europa qualquer aluno de graduação pode fazer um ano letivo em uma das inúmeras universidades européias escolhida por ele.

 

Este aluno elege o país de sua conveniência, e através do programa de ajuda chamado Erasmus cursa o ano letivo e que lhe será creditado normalmente.


O resultado desta mudança é que na Europa, atualmente, está se criando contingente de jovens graduados, com experiência internacional, capaz de entender melhor o pluri culturalismo, praticar uma outra língua e se "limar o cérebro ao cérebro de outrem" como dizia Montaigne.

 

Na prática, haverá dentro de 5 a 10 anos uma elite de quadros superiores que vai falar diversas línguas européias e também vai saber lidar com outras culturas e povos.


Assim, a Europa será consolidada não só culturalmente, mas consequentemente econômico e socialmente.

 

O exemplo desta futura Europa cultural não seria prática a ser proposta ao Brasil e aos seus parceiros do Mercosul? A cultura seria talvez a melhor maneira de aparar as arestas entre os componentes do Mercosul que aprenderão, entendendo a cultura de cada povo, a compreender suas motivações e a aplicar suas varias teorias.

 

Imaginemos milhares de estudantes brasileiros na Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela estudando durante um ano e se familiarizando com a língua espanhola, a cultura e os costumes sul-americanos. O resultado, na prática, será a consolidação de uma vivencia dentro de suas escolhidas especificidades.

 

Os estudantes brasileiros, ao conhecer outras culturas e aprender uma nova língua que tende a se tornar uma das mais faladas do mundo, poderão se inserir no desafio de enfrentar um mundo globalizado e multi-cultural. Consequentemente serão formados no Brasil, sul-americanos amantes e aficionados do Brasil que, fieis aos ensinamentos de seus mestres brasileiros, saberão nos devolver com competência o que apreenderam.

 

É isso que fará o Mercosul, coeso, unido e profissional.

 

Gilbert Gilles Gerteiny

Professor e Consultor Internacional

 

 

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