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O MUNDO DO PÓS-GUERRA

 

G.Gilles Gerteiny

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

A Alemanha dividida

 

Após a guerra a Alemanha: quatro zonas de ocupação: USA, Inglaterra, França e URSS.

 

Em 1948 os soviéticos fecharam o acesso a Berlim, um ano depois, Yalta e Postdam unificação em duas zonas: A Republica Federal, capitalista (Ocidental) USA e a Republica Democrática, socialista (Oriental) URSS. Os soviéticos (Europa Oriental e Central) e o Mediterrâneo e a África para ocidentais. A Alemanha, perdeu territórios para países da porção oriental.

 

O desenvolvimento e sistemas econômicos opostos aumentaram diferenças. Berlim teve seu muro aprisionando dois terços da população, impede os orientais de buscar condições de vida ocidental.Este muro marca o inicio da Guerra fria.

 

A GUERRA FRIA

 

A ameaça nazista aproximou dois mundos antagônicos: a URSS e os países ocidentais. O Neofascismo, inimigo comum. Os sistemas econômicos assumiram aspectos de conflito, faltando o confronto armado. A URSS se opunha aos USA, com produção industrial de 39 a 45, duplicada quando a Europa estava arrasada. Resistência de países ocupados fortaleciam partidos comunistas locais. Países como Albânia, Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia e Tchecoslováquia dominados pelas coligações comunistas. Na França e Itália os comunistas obtêm melhor posição nos governos. Em 1947, a guerra civil na Grécia é responsável pela partida da guerra fria. Os USA contra uma expansão soviética, justifica a Doutrina Truman com auxilio militar a Grécia e a Turquia. O Plano Marshall visava reconstruir a Europa Ocidental para criar barreira para o avanço soviético. Dinheiro foi injetado na Europa assegurou a influencia US na região.

 

Em 49 a OTAN, organização militar, objetiva defender a Europa. A URSS cria o Pacto de Varsóvia e os USA Plano Colombo em 1951 para o sudeste asiático. O Japão se desenvolve e substituiu os USA na hegemonia do Pacifico. A Guerra Fria permite descolonizar países afro-asiáticos que se aliam aos um dos dois blocos hegemônicos. As interferências elevam tensões internacionais, provocam guerras localizadas e ameaçam a paz mundial, exemplo o Vietnã na década de 60.

A URSS tenta seguir os USA na corrida armamentista e aeroespacial. Os USA fabricam e usam a bomba atômica e a URSS explode a sua, em 1949. O socialismo avança a grandes passos e a China e Cuba alastrou a guerra fria para fora da Europa. Em 49 Mao Tse Tung assumiu na China e a guerra da Coréia teve inicio.

 

 

AS ORGANIZAÇÕES ECONÔMICAS NA EUROPA

 

Nas disputas entre capitalismo e socialismo, a Europa organiza tratados de comercio fortalecendo o capitalismo no continente. Podemos citar:

 

  • BENELUX: criado em 44 amplia relações comerciais e reduz as tarifas alfandegárias.

  • CAEM e COMECOM (Conselho para Assistência Econômica Mutua) em 49, envolve  URSS a RDA, Hungria, Bulgária, Polônia e Checoslováquia, extinta em 90 gera crises na produção de bens empresas fecham  e obrigam associação com capital transnacional.

  • CECA em 52 o BENELUX e Alemanha ocidental, França e Itália e depois Dinamarca e Reino Unido eliminam barreiras alfandegárias, para carvão, minério de ferro, coque, gusa e aço e cartel para controle de preços.

  • MCE ou CEE, em 57, a CECA  pelo Tratado de Roma, vira CEE e incorpora:

  • em 73 Reino Unido, Eire e Dinamarca (Europa dos 9)

  • em 81 Grécia (Europa dos 10)

  • em 86 Portugal, Espanha (Europa dos 12)

  • em 95 Áustria, Finlândia e Suécia (Europa dos 15)

  • AELC, criada em 59 pelo Tratado de Estocolmo, Reino Unido e Escandinávia, perde espaço por causa da integração dos países ao MCE. Para evitar o isolamento, os países da AELC, assinam em 92 o Tratado do Porto que cria o EEE (18 países) criando o maior mercado mundial. A Suíça fica de fora por plebiscito.

  • Hoje a EEE compreende: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca,Espanha, Finlândia França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e três dos quatro da AELC , Islândia, Liechtenstein e Noruega.                    

 

A ASCENÇÃO COMUNISTA NA CHINA

 

Em 45, a capitulação japonesa reascendeu a guerra civil na China. Chiang Kai Tchek com os USA e Mao como a URSS. Em 47 os comunistas conquistam todo o norte da China, já que o governo nacionalista hesita em promover reformas. No entanto a burguesia e os intelectuais são atraídos por Mao. Em 49 os comunistas dominam Nanquim e Xangai e Mao proclama a Republica Popular da China e conquista todo o pais em 50. Inicio da transformação econômica, reforma agrária, abolição do latifúndio e alinha sua política externa com a URSS, acelera o processo de industrialização cria cooperativas agrícolas e industriais. Em 59 a sublevação do Tibet faz a China romper com a URSS e a luta pela hegemonia e disputas territoriais começa.

 

A GUERRA DA CORÉIA (50 –53)

 

Em 47 após a guerra a Coréia dividida em duas: Republica Popular Democrática (Norte) com influencia soviética e a Republica da Coréia (Sul) com influencia americana. Em 50 Seul cai na mão dos comunistas mas a ONU envia tropas e contra-ataca ocupando o Norte chegando quase a Mancharia. Os chineses advertem para o perigo e ameaçam  com a Guerra. MacArthur ignora a advertência e a China ataca em 51; Seul cai e as tropas da ONU avançam. O perigo leva Truman a substituir MacArthur que prometeu voltar. O combate continuou por mais dois anos e em 53  o armistício assinado fixa fronteiras. O Norte reconstruído com a ajuda da URSS e da China mas a economia entrou em estagnação desde os anos 70. Só em 94 a Coréia do Sul anunciou o fim do embargo comercial ao Norte.

 

A REVOLUÇÃO CUBANA (59-61)

 

Em 1898 os USA em guerra com a Espanha, que abandona Cuba. Os USA assumem Cuba por três anos de uma maneira democrática, em 1902 perdem controle e influencia. Em 1933 Fulgêncio Batista assume até 44. Em 52 lidera um golpe e implanta ditadura militar. Fidel Castro que lidera rebeldes ataca o quartel de La Moncada é preso e exilado no México. Anos depois rebeldes se instalam em Sierra Maestra e quase são aniquilados. Só restam 12 incluindo Ernesto Che Guevara, guerrilheiro Argentino. Em 59 o grupo domina Havana assume o governo provisório, promove a reforma agrária, nacionalista e fuzila colaboradores. Com o conflito de interesse os USA rompem em 61, e  permitem a transformação do pais em Estado socialista.

 

A GUERRA DO VIETNÃ (61 –75)

 

Na metade do XIX tropas francesas conquistam a Indochina e a transformam em  protetorado. O antigo Estado substituído por burocracia francesa. favorece uma elite rica e sacrifica a população. Em 1941 o Vietminh (liga para a Independência) foi criada. Em 46 é formado um Estado por Ho Chi Minh. A França estabelece um estado independente no sul do Vietnã. Os comunistas não aceitam a decisão francesa e  reivindicam o controle do pais. O conflito se estende até 54 quando um tratado divide o país. Norte, comunista e Sul, monarquista. Os USA exigem em 56 um plebiscito para a reunificação. Mas Ngo Dinh Diem da o golpe e estabelece a ditadura contra a reunificação. O conflito se inicia entre Vietcongs, comunistas e os sulistas da Frente de Libertação Nacional. A guerra segue os mesmos passos de ideologia da Coreia e os USA (que apoiavam a França na Indochina)  imaginam que a queda do Sul traria a guerra em todo o sudeste asiático ( teoria dos dominós) enviam ajuda e treinamento militar, que configurou a corrida pela hegemonia mundial com a URSS. (JFK)

 

Os Vietcongs sabotam bases Norte americanas em 63, Diem é assassinado. Os USA a intervêem bombardeando o Norte, mas encontram resistência de guerrilheiros. Em 68, invasão da embaixada em Saigon e provoca 165.000 mortes de vietnamitas. Com Richard Nixon, a guerra chega a um impasse; os comunistas não conseguiam expulsar os USA e estes não venciam o conflito. Em 73, Nixon aceita um acordo e cessa fogo. Nos USA, movimentos pacifistas pedem o fim do intervencionismo americano, mais só dois anos depois a guerra termina e em 76 um regime republicano socialista reunifica o pais e os USA retirem-se com a maior derrota de sua historia.

 

A crise do socialismo soviético

 

Os antecedentes da crise:

 

Stalin morre em 53, Kruschev o sucede (54-64), limita a centralização e contém a burocracia e no XX Congresso do partido Comunista em 56 reestrutura  o pais e inicia a desestalinização. Se ele  questiona os limites produtivos do socialismo, freia a corrida armamentista com USA e inicia a Coexistência Pacifica. Entretanto facções stalinistas conservadoras defendem a manutenção das  tensões. A nova Política ameaça uma guerra com a China devido as divergências com MAO e as tensões com a Europa, resquícios da guerra fria que provocam a construção do muro de Berlim. Kruschev, graças ao lançamento do Sputnic em 57, com Gagarim se firma no governo.

 

A consolidação do Capitalismo mundial

 

Kruschev é substituído por Brejnev (64-82) que representa o centralismo soviético; a crise é evidente na estrutura produtiva soviética, já que a produção capitalista se firmava graças a superioridade tecnológica. A partir de 70 as nações socialistas sofrem graves problemas:

 

  • Incapacidade de participar da economia mundial pela falta de alta tecnologia

  • Impossibilidade de isolar as populações do contato com o mundo moderno

  • A queda dos índices de crescimento na União Soviética.

 

As crises, se verificam com a Terceira revolução Industrial, o avanço tecnológico, a microeletrônica, a robótica, a informatização, a química fina e a biotecnologia consolidavam ainda mais o avanço do ocidente. Com a dominação, a tecnologia, a ocidental economia planificada socialista perdia terreno para o capitalismo, com sua capacidade produtiva, velocidade de transformação e adaptação o que inviabiliza o planejamento econômico dos soviéticos.

 

A falta de recursos e a obrigação de grandes capitais para pesquisas aumentaram este gap. Na URSS, os recursos eram usados para acompanhar os USA na corrida armamentista. Como o Estado continuava a financiar as estruturas sociais, mantendo o trabalho de adultos e a assistência de saúde e educação gratuita, a URSS perdia cada vez mais terreno.

 

A desintegração da União Soviética

 

Mikhail Gorbatchev sobe ao poder em 85, visto a  estagnação econômica evidente, ele tenta corrigir os erros, decreta a Perestroika e realiza diversas reformas:

  • Volta a economia de mercado

  • Aceite de  capital estrangeiro

  • Motiva privatizações e empresas transnacionais.

Ele decreta em seguida a Glasnost, e reabrindo a política tenta eliminar os entraves de planejamento centralizado, estabelece:

 

  • o fim do Monopólio do Pc e o fim do pluripartidarismo

  • Cassação de parlamentares contrários a Perestroika

  • Direito de entrar e sair livremente do Pais

 

Isto dividiu o Pais em três grandes grupos, posicionados em relação a Perestroika e a Glasnost:

 

  • Conservadores que queria a volta da economia planificada

  • Perestroikistas e Reformistas (maioria) em favor das reformas

  • Ultra Perestroikistas (seguidores de Yeltsin) que defendiam Gorbatchev mas exigiam reivindicações mais  radicais

 

A queda do muro de Berlim em 89 deu inicio a uma  nova ordem Internacional; conflitos étnicos  e ondas neonacionalistas e neoliberais provocaram declarações unilaterais de independências. Gorbatchev tentou, junto com os capitalistas, eliminar a corrida armamentista poupando o orçamento soviético e aplicando na modernização da economia até 90 quando as Republicas Bálticas declararam independência seguidas pela Geórgia.

 

Gorbatchev ainda tentou propor um tratado mas a ala radical do PC tenta um golpe de estado em 91 para afastá-lo em vão e graças a Yeltsin foi provocado uma greve geral decidindo pela legalidade e permitindo a dissolução do PC acusado de apoiar os golpistas. Em dez dias seis republicas declararam Independência reduzindo a cinco as quinze republicas originais. O Tratado de Mensk proclamou a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e Gorbatchev renunciou. Foi consolidada a extinção da União Soviética.

 

Yeltsin tornou-se o homem forte da Rússia transformando a decadente economia centralizada em economia livre de mercado, baseada na  iniciativa privada. Mas sua doença seu gosto pela bebida e sua decisão de invadir a Tchechenia  provocou uma grave crise interna(94 e 95).

 

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