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O Potencial Exportador das Empresas Brasileiras de Pequeno Porte
G.Gilles Gerteiny Consultor Sênior do Instituto MVC
Há anos a participação do Brasil no comércio internacional, gira em torno de 1 %.
As EPP (Empresas de Pequeno Porte) representam, na nossa economia:
4,5 milhões de estabelecimentos (98 % do total nacional) 72,3 % da receita bruta da produção industrial 79 % da oferta de emprego.
Entretanto, apesar desta maciça presença na economia brasileira, a participação das EPP nas exportações gira em torno de 2% deste total.
Temos uma excessiva concentração de exportações:
Nossa participação geral já foi de 2 % no trade mundial. Em alguns países desenvolvidos, as pequenas empresas são responsáveis por mais de 50 % das exportações. Já de pronto vemos que estamos vivenciando um desequilíbrio; exportamos a metade do que seria normal (já fomos responsáveis por 2 % do trade mundial) e a participação das EPP nas exportações é ridiculamente abaixo do que poderíamos chamar de normal ou coerente.
O Brasil, acordando uma pouco tarde de um narcísico sonho em seu berço esplêndido, já identificou algumas das principais causas e tomou algumas medidas de suporte, designando inclusive os responsáveis por cada parte deste programa para aumentar as exportações:
O Brasil sempre comprado, precisa começar a aprender a vender. Marketing, talvez seja o flanco mais fraco de toda esta nossa cadeia, porque envolve precificação, logística (dos suprimentos ao encantamento do cliente final), suporte técnico no pós-venda, tudo enfim. Produtos e serviços competitivos nos mercados alvos.
Através da consultoria e treinamentos do SEBRAE, as EPP melhoram sua gestão empresarial, qualidade dos produtos, padrões tecnológicos, design, embalagem, marketing, etc..
Por uma questão de sobrevivência, inclusive no mercado interno, as empresas começam a se agrupar e a cobrar maior pró-atividade e apoio concreto de suas representações: - Sindicatos, Federações, Associações setoriais, temáticas, etc.. A importância e o funcionamento eficiente de cadeias produtivas começam a ser visualizadas não só pelos governantes e técnicos, mas pelos seus próprios elos. Os empresários começam a chegar à conclusão que a máxima da expressão capitalista atual é “A união faz a força”.
Cooperativas de exportação, agrupamentos temáticos, otimização de cadeias produtivas, todos correm para se organizar, qualificar-se para poder concorrer com este mundo, mais organizado e preparado, e que despenca sobre nossas cabeças até no nosso próprio mercado.
A energia potencial, portanto é grande, mas como a energia total é a soma da potencial com a cinética, o potencial, o pensamento e a intenção não provocam mudanças na balança comercial; precisamos nos mexer.
É na ação, nos momentos da verdade, no ato da venda é que as mudanças passam a acontecer na balança comercial. Tudo até aí é a necessária preparação, mas o que muda é a venda. Por isso é necessária a criação de oportunidades e ambientes que favoreçam a realização de negócios internacionais.
Isto ocorre nas ações dos CIN – Centros Internacionais de Negócios, cuja principal atividade é a criação de interfaces de negócios; ocorre em eventos como o MERCOTRADE, na realizações de feiras e rodadas de negócios internacionais, em reuniões individuais entre os que querem fazer negócios e tem poder de decisão.
E ainda é preciso sorte, seja ela resultado de busca, persistência ou um toque do universo. Mais ainda, para ter sucesso na área internacional, é preciso estar preparado para a sorte. É preciso agir, fazer acontecer.
Energia potencial, sim, temos muita. O que precisamos é transformá-la em energia cinética.
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