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O Potencial Exportador das Empresas Brasileiras

de Pequeno Porte

 

G.Gilles Gerteiny

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

Há anos a participação do Brasil no comércio internacional,  gira em torno de 1 %. 

 

As EPP (Empresas de Pequeno Porte) representam, na nossa economia:

 

4,5 milhões de estabelecimentos (98 % do total nacional)

72,3 % da receita bruta da produção industrial

79 % da oferta de emprego.

 

Entretanto, apesar desta maciça presença na economia brasileira, a participação das EPP nas exportações gira em torno de 2%  deste total.

 

Temos uma excessiva concentração de exportações:

  • 25 produtos representam 60 % das exportações

  • 7 países compram 56 % do que é efetivamente exportado.

  • 40 empresas são responsáveis por 39 % das exportações

  • Sul e o sudeste são responsáveis por 83 % das exportações.

Nossa participação geral já foi de 2 % no trade mundial.  Em alguns países desenvolvidos, as pequenas empresas são responsáveis por mais de 50 % das exportações.   Já de pronto vemos que estamos vivenciando um desequilíbrio; exportamos a metade do que seria normal (já fomos responsáveis por 2 % do trade mundial) e  a participação das EPP nas exportações é ridiculamente abaixo do que poderíamos chamar de normal ou coerente.

 

O Brasil, acordando uma pouco tarde de um  narcísico sonho em seu berço esplêndido,  já identificou algumas das principais causas e tomou algumas medidas de suporte, designando inclusive os responsáveis por cada parte deste programa para aumentar as exportações:

  • Financiamento à Exportação – BNDES

  • Promoção Comercial – APEX /SEBRAE

  • Cultura Exportadora – MDIC/SECEX

  • Qualidade e Tecnologia – MDIC/SPI

  • Trading Companies – MDIC/DECEX

  • Logística – BNDES

  • Acesso a Mercados – MRE

  • Gestão Pública – CAMEX

  • Desoneração Tributária – MF/SRF

  • Investimentos para Exportações – BNDES

  • Questões Trabalhistas – MTb

  • Legislação Cambial – BACEN

O Brasil sempre comprado, precisa começar a aprender a vender.  Marketing, talvez seja o flanco mais fraco de toda esta nossa cadeia, porque envolve precificação, logística (dos suprimentos ao encantamento do cliente final), suporte técnico no pós-venda, tudo enfim.  Produtos e serviços competitivos nos mercados alvos.

 

Através da consultoria e treinamentos do SEBRAE, as EPP melhoram sua gestão empresarial, qualidade dos produtos, padrões tecnológicos, design, embalagem, marketing, etc..

 

Por uma questão de sobrevivência, inclusive no mercado interno, as empresas começam a se agrupar e a cobrar maior pró-atividade e apoio concreto de suas representações: - Sindicatos, Federações, Associações setoriais, temáticas, etc..  A importância e o funcionamento eficiente de cadeias produtivas começam a ser visualizadas não só pelos governantes e técnicos, mas pelos seus próprios elos.  Os empresários começam a chegar à conclusão que a máxima da expressão capitalista atual é “A união faz a força”.

 

Cooperativas de exportação, agrupamentos temáticos, otimização de cadeias produtivas, todos correm para se organizar, qualificar-se para poder concorrer com este mundo, mais organizado e preparado, e que despenca sobre nossas cabeças até no nosso próprio mercado.

 

A energia potencial, portanto é grande, mas como a energia total é a soma da potencial com a cinética, o potencial, o pensamento e a intenção não provocam mudanças na balança comercial; precisamos nos mexer.

 

É na ação, nos momentos da verdade, no ato da venda é que as mudanças passam a acontecer na balança comercial.  Tudo até aí é a necessária preparação, mas o que muda é a venda.  Por isso é necessária a criação de oportunidades e ambientes que favoreçam a realização de negócios internacionais.

 

Isto ocorre nas ações dos CIN – Centros Internacionais de Negócios, cuja principal atividade é a criação de interfaces de negócios; ocorre em eventos como o MERCOTRADE, na realizações de feiras e rodadas de negócios internacionais, em reuniões individuais entre os que querem fazer negócios e tem poder de decisão.

 

E ainda é preciso sorte, seja ela resultado de busca, persistência ou um toque do universo.  Mais ainda, para ter sucesso na área internacional, é preciso estar preparado para a sorte.  É preciso agir, fazer acontecer.

 

Energia potencial,  sim, temos muita.  O que precisamos é transformá-la em energia cinética.

 

 

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