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Liderança

Título - E AGORA JOSÉ???

DENIZE DUTRA

Lembrando meu querido poeta Drumond, foi exatamente a pergunta que fiz ao sair da interessante apresentação do Prof. José Goldemberg sobre ciência e tecnologia no Brasil, onde ele alertava sobre a importância do nosso país canalizar todos os seus investimentos e esforços na área de pesquisa e tecnologia para o aprimoramento/aperfeiçoamento e sofisticação dos produtos/serviços, ao invés de tentar "redescobrir" aquilo que já está descoberto, ganharíamos mais se melhorássemos aquilo que já foi descoberto ou feito….Em meio a um debate, percebi que a questão extrapola os investimentos em pesquisa, o apoio governamental para novos projetos, a adoção de computadores nas escolas, a implantação de laboratórios, melhorias nas bibliotecas,etc…enfim tudo aquilo que se pode fazer para incentivar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia através de recursos financeiros.

Não consegui deixar de questionar qual é o papel dos profissionais de "RH"ou melhor de "SH" ( SERES HUMANOS) neste contexto ? Como levar as pessoas e organizações a pararem para pensar sobre o que poderiam melhorar nas suas empresas, nos seus produtos , nos seus serviços ? Como transformar a "crise" (?) em oportunidade , por exemplo, aproveitando o mercado dos produtos importados e criando produtos ainda melhores e mais sofisticados ?

Não consigo separar a questão do desenvolvimento da ciência e da tecnologia do espírito inovador, da criatividade, da curiosidade natural pela descoberta, da capacidade de análise, de reflexão, enfim de uma série de "ingredientes" que não emergem se os ambientes dentro das organizações não forem propícios . Certamente pensei sobre isto, porque é exatamente neste ambiente que vivo no dia a dia, e sabemos bem, que ainda são poucas as organizações cuja cultura e clima são facilitadores deste "espírito científico e/ou criador . felizmente, muitas já mudaram, muitas estão mudando, por outro lado, muitas sabem que precisam mudar, mas "esperam por soluções mágicas, outras ainda continuam acreditando que, o que garantiu seu sucesso até aqui, vai continuar garantindo no futuro. O que ainda vemos é um reflexo nas empresas, de uma sociedade que pouco se preocupa com os impactos (sociais, psicológicos, físicos, ambientais, e outros) com as tecnologias que "importa"; que não tem a capacidade de lidar com as diferenças, inclusive de idéias e que por isso não ouve, que não estimula a reflexão, o senso crítico, o feedback, porque não sabe o que fazer " com isto" ou sente-se ameaçada…enfim uma sociedade em que a maioria dos "chefes" ainda não estão preparados para assumirem o seu papel de "lideres", potencializando as competências de suas equipes em prol do desenvolvimento das ciências, das tecnologia, ou de quaisquer outros resultados que AGREGUEM VALOR a sua organização e a sociedade como um todo, pois afinal, toda empresa existe para "servir" a humanidade !

Num primeiro instante pode parecer que esta reflexão tem um pano de fundo pessimista, mas realmente não me sinto assim, pois no nosso Instituto temos desenvolvido inúmeros trabalhos no sentido de contribuir com a criação e/ou manutenção de ambientes empresarias que sejam mais favoráveis para o desenvolvimento das "Inteligências " humanas ( intelectuais e emocionais) através de uma verdadeira "organização de aprendizagem", onde seja permitido: pesquisar, perguntar, responder ( o que se quer e sabe e não o que as pessoas querem ouvir), questionar, sugerir "algo novo" (que nunca foi tentado ou algo que já foi tentado, só que agora será de forma diferente), enfim, é preciso ser permitido errar, tentar e não dar certo e recomeçar, e onde as pessoas aprendam com os seus próprios erros e com os erros dos outros, pois tudo pode ser compartilhado as boas e más experiências, porque as pessoas nesta "cultura" não tem medo de se expor, ou serem punidas…onde acima de tudo exista um profundo respeito pelo SER HUMANO.

Além disto, pensei nisto tudo de forma muito positiva, quando também lembrei do trabalho desenvolvido pela ESCOLA do meu filho ( 5 anos), na forma como hoje algumas escolas, estão tendo de conduzir todo este processo de forma absolutamente diferente da "excelente escola" da minha época ! O que percebo que além do profundo respeito pela criança com um SER que já PENSA E SENTE ( diferente de nós é claro) mas uma preocupação profunda com seu papel, já que, dependendo da experiência que a criança tiver com a escola, poderá SER OU NÃO, um adulto mais criativo, com o espírito científico mais acusado, mais aberto para as novas tecnologia, com mais iniciativa, mais crítico, mais flexível, mais atuante, mais cuidadoso com o AMBIENTE, enfim mais RESPONSÁVEL SOCIALMENTE. Fiquei imaginando que certamente meu filho não é uma exceção e que por isso, em breve teremos uma geração muito mais preparada para contribuir de forma bastante efetiva para o desenvolvimento não só da ciência e da tecnologia, mas do nosso PAIS COMO UM TODO, ONDE O NOSSO POVO VIVA MELHOR, PARA QUE ELE SE TORNE MAIS JUSTO, MAIS "SÉRIO", MAIS RESPEITADO, SEM DEIXAR DE SER LINDO, ALEGRE, CALOROSO E ATÉ CERTO PONTO "PACÍFICO" !

Cabe a reflexão sobre o nosso papel pessoal e profissional no sentido de contribuir com isto…e agora JOSÉ ?

Consultor - DENIZE ATAYDE DUTRA, CONSULTORA DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

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