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Título - VOCÊ
FEZ UMA BOA NEGOCIAÇÃO?
ERALDO
MEIRELES
- Avaliação da Negociação
- Negociação
- Comunicação
Nossa experiência na prestação de
serviços de consultoria e treinamento no campo da negociação tem
mostrado a necessidade de um instrumento que possa ajudar os
negociadores na avaliação da eficiência e eficácia de suas
transações. Não importa muito qual o tipo de negociação
(produtos, serviços, idéias) ou a área em que ela ocorre (compras,
vendas, governo, etc.), o essencial é fazê-la passar pelo crivo de
um roteiro de avaliação.
É verdade que o resultado da
negociação é muito importante, mas se vamos voltar a negociar com a
mesma pessoa, é crítico que passemos a considerar também o
andamento do processo de negociação; certamente a próxima
negociação poderá ser beneficiada ou prejudicada em função de como
foi conduzida a anterior negociação.
Para melhor utilização do roteiro, é
importante que o leitor procure lembrar-se de fatos e situações que
possam levá-lo ao diagnóstico da existência de algum
problema/disfunção durante a negociação. Busque quantificar os
eventuais problemas/disfunções e qualificar seus causadores.
PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO
A seguir, apresentamos alguns dos
problemas que mais comumente aparecem durante uma negociação:
- Não observância de uma seqüência
durante o processo de negociação (etapas); esta seqüência
seria: Preparação (planejamento prévio), Abertura
(quebra-gelo), Exploração (identificação das
necessidades/expectativas do outro), Apresentação (enunciação
de sua proposta e dos respectivos benefícios para o outro),
Clarificação (esclarecimento de dúvidas), Ação Final
(identificação de sinais de compra, proposta de prazo para fazer
o negócio), Controle/Avaliação (avaliação do
previsto/realizado e planejamento da próxima negociação)
- Identificação prévia de objetivos
máximos e mínimos (margem de concessão); quanto menor a margem
de negociação, maior radicalização tende a acontecer
- Despreocupação com as
características do comportamento do outro negociador; negociar
tendo em vista apenas as próprias necessidades é favorecer o
aparecimento de conflitos. É importante pensar no outro; no que
ele gosta, não gosta, etc.
- Inexistência de preocupação em
baixar a tensão relativa a relacionamento no início da
negociação (quebrar o gelo); no início de uma negociação é
preciso quebrar a tensão causada por um contato novo; uma piada,
um elogio, um comentário sobre determinado livro, são idéias
que podem ajudar
- Inexistência de busca de
estabelecimento de pontos comuns entre os negociadores; não
utilização de perguntas descritivas, destinadas a obter fatos e
informações (no início do processo de negociação),
predominando questões avaliativas (julgamentos, opiniões).
Perguntas sobre fatos não provocam tomada de posição, tendem a
aproximar a criar um clima positivo para a negociação
- Inexistência de definição clara
à outra parte das características, soluções e benefícios do
que está sendo proposto; é importante mencionar quais sejam as
soluções e benefícios, considerando principalmente o ponto de
vista do outro
- Inexistência de perguntas
destinadas à clarificação de dúvidas reais e potenciais,
eliminação de resistência incubadas; se a outra parte sente
nossa preocupação com suas dúvidas, mesmo que potenciais, isto
aumenta a confiança entre os negociadores
- Não aceitação dos sentimentos
alheios, feelings; por mais ilógico que pareça o ponto de
vista do outro, procure transmitir a ele não sua discordância,
mas a possibilidade de convivência entre os dois enfoques
- Não aceitação da lógica do outro
negociador (fatos, dados concretos); se a idéia lhe parece
lógica, lembre-se de que o outro é diferente de você, pensa
diferente de você, procure não acirrar essas diferenças
- Inexistência de flexibilidade
durante o processo de negociação; idéias diferentes das suas
não são necessariamente ruins; lembre-se de que toda mudança
pode ser vista como uma ameaça ou como uma oportunidade
- Problemas de confiança causados ao
outro negociador pelo seu comportamento quanto a:
Falta de Credibilidade (não cumprir o
que promete)
Falta de Coerência (não dizer o que
pensa, querer sempre agradar)
Falta de Receptividade (não conviver
com diferenças individuais)
Falta de Clareza (não compartilhar
informações relevantes)
- Encurralamento e/ou pressão
demasiada sobre o outro negociador; pessoas pressionadas tendem a
radicalizar, dar o troco, etc. Procure deixar sempre uma saída
honrosa para a outra parte
- Dificuldade em ouvir a outra parte,
sem interrupções; saber ouvir é uma das grandes ferramentas
do bom negociador, pois concorre para a criação de um clima de
cooperação na negociação
- Despreocupação quanto à criação
de um clima positivo e, em decorrência, predominância de um
clima defensivo no processo de negociação; evitar agressões,
pressões, saber ouvir, acreditar no outro, trabalhar mais com
fatos, dados concretos, do que com opiniões, contribuem para um
clima positivo
- Uso demasiado de linguagem e
terminologia técnica para confundir a outra parte; as pessoas
tendem a radicalizar, não cooperar, quando não compreendem algo
ou se sentem inferiorizadas tecnicamente
- Preocupação demasiada em ver e
defender apenas o seu lado da questão, esquecendo que a outra
parte também tem seus interesses: uma boa proposta sempre tem que
apresentar vantagens para as duas partes; lembre-se, no entanto,
que as vantagens não precisam ser necessariamente iguais na sua
distribuição ou na mesma moeda (uma parte pode querer
dinheiro, a outra status, reconhecimento, etc.)
- Inexistência de alternativas para
um único problema, com fixação em apenas uma linha de
ação; para negociar é preciso haver opção, sem isso não há
negociação
- Inexistência de caracterização
daqueles objetivos realmente essenciais para o outro negociador;
muitas vezes uma idéia/produto não é comprada porque não se
conseguiu mostrar à outra parte quais as efetivas vantagens para
essa outra parte
- Concentração apenas nas fraquezas
do outro negociador; é um dos maiores geradores de conflito e
radicalização durante a negociação (lembre-se de quando você
pretende vender seu carro e o outro apenas enfatiza os pontos
fracos do veículo, o que acontece?)
Estes são alguns dos
problemas/inadequações mais comuns ao processo de negociação. Ao
planejar ou avaliar qualquer negociação procure usar o roteiro como
uma lista de verificação relativamente ao que fazer ou não fazer.
PRODUTOS
- Embora não seja o intuito principal
deste artigo, apresentarmos, a titulo de exemplificação alguns
indicadores de resultado. O casamento de um bom processo com
resultados acima da expectativa e o retrato de uma negociação
- Conquista de novos clientes
- Mais produtos por cliente
(produtividade cliente/produto)
- Mais negócios por contato
- Reconquista de antigos clientes
- Manutenção de clientes
- Índice de rentabilidade por clientes
- Capacidade de solução dos problemas
do cliente
- Pró-atividade em relação às
necessidades do cliente
- Ganhos em relação à concorrência
- Exploração dos diferenciais
competitivos durante as negociações
- Redução de custos na relação com
fornecedores
- Redução de prazos na relação com
fornecedores
É evidente que os indicadores de
produtos/resultados são específicos de cada realidade, o leitor deve
considerar os exemplos acima como mera ajuda no processo de
quantificação de resultados, o que evidentemente só pode ser feito
dentro de uma realidade específica.
- Consultor
- ERALDO MEIRELES, CONSULTOR DO INSTITUTO MVC –
M.
VIANNA COSTACURTA
ESTRATÉGIA E HUMANISMO
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