![]() |
Artigos Comunicação |
|
Título - CONVERSANDO
COM O PESSOAL DA ÁREA TÉCNICA I José Paulo Morreira de Oliveira Derrubando Velhos Mitos Muitos Profissionais da área técnica ainda acreditam que a competência de seus escritos seja diretamente proporcional à obediência rigorosa a regras gramaticais e ao rebuscamento de linguagem, condições únicas para que um texto técnico seja apreciado pelo leitor. Partindo desse raciocínio, textos técnicos nada mais seriam do que a reduplicação de surrados modelos, a serem rigorosamente seguidos, sem quaisquer alterações. Tal pensamento é,no mínimo, equivocado – e o resultado dessa postura é quase sempre desastroso. Desculpas não faltam para justificar tentativas mal-sucedidas e resultados frustrantes:
Comentários como esses soam como coisa velha e antiquada. Tão velho quanto acreditar que engenheiro não precisa saber escrever, médico tem que ter letra ruim e advogado é obrigado a falar e escrever difícil. Dê publicidade aos seus escritos A integração da atividade científica na sociedade moderna passa por profundas transformações. Hoje, a produção científica requer investimentos cada vez mais vultosos, e esses recursos só poderão vir dos excedentes sociais. O escritor técnico se vê então diante de um dilema: como convencer a sociedade de que seu projeto tem valor, de que sua pesquisa é importante e de que seus escritos irão trazer reais benefícios à coletividade? O princípio de liberdade absoluta e autonomia científica cada vez mais é questionado, e o redator técnico torna-se agora refém de decisões e soluções políticas. A adaptação a esse novo contexto requer o desenvolvimento de novas habilidades, resultantes das exigências de um público leitor mais vasto, mais diversificado e cada vez mais exigente. Não há mais como fugir dessa tarefa A nova postura engajada gera no redator o compromisso de levar em conta necessidades informacionais distintas desse enorme e diversificadas público leitor. Os responsáveis diretos pela tomada de decisões se ressentem da falta de tempo para leitura de tratados intrincados e volumosos. Esses executivos querem a leitura condensada do Resumo Executivo; o que exige do redator elevado poder de síntese. Os responsáveis pela liberação de recursos só o farão quando entenderem o que está sendo dito e identificarem as possibilidades imediatas de retorno que justifiquem o investimento; o que exige do redator forte dose de persuasão. A opinião pública só vai valorizar o trabalho do técnico, quando efetivamente entender a intrincada matemática da relação custo/benefício; o que exige do redator enorme capacidade didática e acurada autocrítica. A comunidade científica, por sua vez, só vai reconhecer e valorizar os escritos técnicos quando neles reconhecer profundidade de conhecimento, pertinência e substância; o que exige do redator o domínio total do assunto a ser desenvolvido.
Seja o bom árbitro Sabe aquela partida de futebol, cheia de gols e com muita emoção? Nos textos que você produz, também é possível criar condições para marcar vários gols de placa e deixar a platéia – representada pelo público leitor – verdadeiramente encantada. Se o assunto do texto é técnico, seja o bom juiz da partida, aquele que passa despercebido e cuja existência quase ninguém repara.
Bom árbitro é aquele que:
CONVERSANDO COM O PESSOAL DA ÁREA TÉCNICA II Buscando o essencial Este é o princípio: Para cada conceito, buscar a palavra exata. A mais apropriada e a mais pertinente ao contexto. A que seja a mais específica e a menos plurissignificativa. Os dicionários definem o termo HOMOGÊNEO como um corpo cujas partes são de mesma natureza; (por ext.) cujas partes estão solidamente ligadas. Parta desse princípio, em nome da clareza, da propriedade e da objetividade. Exemplo: Quando o desligamento é inadequado, o computador procederá a um teste padrão para verificar o disco rígido. Caso não seja detectado nenhum problema no winchester, você poderá trabalhar normalmente com a máquina. Observa-se que os termos disco rígido e computador foram respectivamente substituídos por winchester e máquina. Alguém que acredite no velho princípio de que repetir palavras é prova cabal de falta de vocabulário, certamente julgará o trecho gramaticalmente correto e estilisticamente apropriado. Entretanto, a substituição se revela pouco funcional, pois o leitor pode ser induzido ao erro. Não dê margem a dúvidas No trecho em questão, o leitor pode ser induzido a pensar que disco rígido, winchester, computador e máquina são termos com significados diferentes. Respeitando-se o princípio da homogeneidade, a melhor redação para o trecho seria: Quando o desligamento é inadequado, o computador procederá a um teste padrão para verificar o disco rígido. Caso não seja detectado nenhum problema no disco, você poderá trabalhar normalmente com o computador. Mantenha o foco no Leitor Se o leitor não é um especialista, a informação breve, clara e expressa em linguagem acessível é mais do que suficiente. Para o grande público, interessa saber que um termômetro é "instrumento destinado a medir a temperatura dos corpos". Inútil e desnecessário explicar seu mecanismo de funcionamento ou ainda falar das experiências de Fahrenheit, Six, Celsius, Rutherford ou Geissler com o Calor. Para um epidemiologista, é importante saber que seres humanos podem contrair o antraz em contato com a terra – e principalmente em contato com animais, em cujo pêlo, cabelo e presas o organismo pode sobreviver anos a fio. E que, até invadir os pulmões, o risco de contágio é infinitamente menor. Para os especialistas em Defesa, é importante saber que os esporos do antraz podem ser lançados por artefatos de artilharia através de centenas de quilômetros e que a bactéria, por ser transmissível pelo ar, torna-se poderosa arma para a guerra biológica. Resumindo a novela Escolha o essencial Escolher o essencial significa:
Consultor - JOSÉ PAULO MOREIRA DE OLIVEIRA - CONSULTOR DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO
|
|