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Instituto
MVC - Estratégia e Humanismo - Artigos
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Título - TREINAMENTO
E (É) TRABALHO
L A COSTACURTA JUNQUEIRA
Colocando
o Treinamento a Serviço do Trabalho
Quanto mais fundo
mergulharmos no tema treinamento, mais claro fica para nós que um dos
maiores obstáculos ao pleno desenvolvimento da atividade reside no fato
de que ela é vista como uma concorrente do trabalho.
Concorre no
sentido de, boa parte das vezes, as pessoas terem que optar entre ir a
um seminário ou executar determinada tarefa.
Na cabeça das
pessoas, treinamento e trabalho são dois conceitos antagônicos e não
complementares; para a maioria delas treinamento não é trabalho. (ou
é menos importante do que trabalho)
É evidente que
essa pequena confusão não acontece por acaso, há inúmeras posturas
pessoais e organizacionais que reforçam esse antagonismo. Vamos
examinar alguma das causas que podem colocar os dois conceitos (trabalho
e treinamento) em campos opostos.
CAUSAS
Quando faço
meu trabalho posso comprovar os benefícios que produzo para a
organização; já quando participo de um treinamento ...
Os programas
de treinamento que me são oferecidos ocorrem nos meses de pico de meu
trabalho, assim sendo fica difícil optar pelos primeiros (o ideal seria
um mix das duas dimensões ou programas de treinamento/ para janeiro,
fevereiro, por exemplo.)
A empresa
programa treinamentos para os sábados e domingos (dias de folga dos
funcionários), evitando os dias de semana (dias de trabalho).
A mensagem
embutida fica clara: "O evento é tão importante que vou utilizar
os dias dos funcionários (folga) e não os dias úteis"
Os sistemas
de avaliação de desempenho (ou competências) estão muito mais
orientados para os resultados que produzo do que para as competências
que acumulo; muitas vezes faço programas de treinamento e meu superior
não "cobra" os resultados de minha participação. Quando
isso acontece pelo atropelamento causado pela rotina diária, é mais
sério ainda. Isso acaba "matando" uma das motivações para
eu fazer treinamento
Se estou
participando de um treinamento, tudo parece ser razão para alguém
solicitar que eu o interrompa para solucionar um problema emergente; nem
me dão chance de questionar a tal urgência. Eu mesmo costumo aceitar
as interrupções passiva e automaticamente.
Meu
compromisso com o treinamento é relativo, realmente não levo muito a
serio essa atividade, ainda acho que meu desenvolvimento é só
responsabilidade da empresa ou do meu superior; assim sendo tudo acaba
sendo motivo para colocar outras "coisas" como maior
prioridade.
Eu gostaria
de poder escolher quando e como quero ser treinado, sem ter,
necessariamente, que ir para uma sala de aula.
Os
treinamentos são realizados, algumas vezes, perto do local de trabalho,
como se fosse "de propósito", para facilitar as
interrupções; não esquecendo o celular como potencial instrumento de
conflito trabalho/treinamento
A escolha do
local (Hotel 5 estrelas, resorts etc)
ALTERNATIVAS DE
SOLUÇÃO
O treinamento
não pode ser visto como uma atividade apenas da área de RH; é por
isso que nas Universidades Corporativas mais bem sucedidas o grande
patrocinador da atividade é o próprio presidente da empresa.
O público da
atividade de treinamento não deve ser apenas o cliente interno; se nos
programas participam os clientes externos, fornecedores, a comunidade,
fica mais fácil constatar e comprovar a contribuição da atividade de
treinamento para o negócio principal da empresa.
O treinamento
deve ser uma responsabilidade de todos na organização, começando pela
diretoria (exemplo); a competência em desenvolver pessoas, compartilhar
conhecimentos, deve constar dos sistemas de avaliação de desempenho e
ser cobrada multidirecionalmente. A responsabilidade final do
treinamento é do profissional que, em última análise, deve escolher
em que, como e quando quer/deve ser treinado.
A metodologia dos
programas deve contemplar o dia-a-dia dos participantes, na própria
empresa; nada de "brincadeirinhas" ou exemplos de outros tipos
de empresa. O participante deve se sentir "aprendendo" uma
tecnologia, exercitando alguma mudança comportamental e aplicando-a, em
tempo real, ao seu mundo funcional (e pessoal, quando for o caso).
Os superiores dos
participantes devem atuar antes e após os programas; antes dizendo
quais são suas expectativas em relação aos subordinados, problemas a
resolver etc e depois cobrando a aplicação do que foi visto, os
resultados conseguidos etc.
Cabe também aos
superiores cobrarem dos subordinados a multiplicação dos conhecimentos
que adquiriram durante o treinamento. Quem sabe que vai ter que ensinar
o que aprendeu, certamente irá mais fundo no assunto e aprenderá mais.
Está provado em pesquisa do NTL, de 1977, que esta é a melhor
metodologia para retenção de conhecimento.
As pessoas quando
realizam um trabalho que produz benefícios organizacionais normalmente
anunciam isso aos 4 ventos; por outro lado, raros são os executivos e
profissionais que fazem o mesmo em relação ao treinamento. Um pouco de
marketing não faz mal a ninguém, especialmente se há um bom
produto/resultado a divulgar.
Gostaríamos de
encerrar com um frase para reflexão dos leitores: " Na Sociedade
Globalizada o Poder vem do Compartilhamento e não da Posse do
Conhecimento".
A mensagem dessa
frase é clara, o treinamento potencializa o conhecimento, acelera seu
fluxo na organização, contribuindo para uma maior rapidez no processo
de mudança e inovação.
Consultor - L
A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M.
VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA
E HUMANISMO
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