|
Título - ANSIEDADE
E MEDO: COMBUSTÍVEIS DE VIDA
L. A.
Costacurta Junqueira
Eu era um menino terrível, brigava com
meus irmãos, desobedecia a meus pais, enfim personificação do
próprio "pestinha".
Aos dez anos fui para um colégio
interno e só então comecei a tomar conhecimento de dois companheiros
de vida: o medo e a ansiedade.
A timidez o receio de conviver com o
sexo oposto a dificuldade de trabalhar em grupo, eram alguns dos
sintomas desse medo e dessa ansiedade.
Consegui ser o primeiro da classe,
ganhava muitas medalhas, mas tinha muito medo do "mundo lá
fora".
A superação desses problemas ameaçou
quando aos 14 anos fui para o Rio; mais do que ir para a "cidade
grande" fui morar sozinho. Meu pai comprou um apartamento,
me deu uma pequena mesada e me disse: "Agora a bola é sua".
Nessa época eu pensava em terminar o
"científico" e fazer medicina; não me passava pela cabeça
ser consultor, alguém que com grande freqüência conduz seminários,
faz palestras etc.
Embora meu futuro ainda não estivesse
claro, foi aí que comecei meu aprendizado como
"apresentador" e consultor.
As lições que aprendi desde então,
vou colocá-las sem qualquer ordem cronológica, apenas com o intuito
de buscar alguma identificação com o leitor .
- Estar sozinho, não ter alguém para
nos ajudar, causa um grande pânico inicial, mas como dependemos
de nós mesmos a "coisa" acaba saindo, pois não da para
delegar para terceiros.
- As vezes uma tarefa/apresentação
nos parece grande demais para nossa competência ou
disponibilidade de tempo. ALAN LAKEIN, consultor de
administração do tempo me ensinou a técnica do "queijo
suíço", isto é decompor o todo em pequenas partes e ir
desenvolvendo uma a uma.
- A procrastinação é um problema
terrível. Adiamos o que não gostamos ou temos medo de fazer.
Vencê-los depende de alguns pequenos macetes: divulgue suas metas
para as pessoas que o cercam (vai ficar mais difícil adiar), dê
um prêmio a si mesmo quando conseguir fazer, procure fazer junto
com outra pessoa a quem você respeita tecnicamente.
- A ansiedade e o medo é algo que se
vence, pelo menos no meu caso, com uma grande antecipação do
processo de planejamento da atividade principal. Começar a pensar
"naquele problema" 3 / 4 meses antes nos ajuda a ter
mais segurança em relação ao que deve ser feito.
- Você precisa convencer você mesmo
que é bom em determinado assunto; um dos caminhos para isso é
convencer primeiro aqueles que o cercam. Use e abuse do marketing
pessoal, faça e conte logo para os outros, escreva muito etc. Se
o mundo o aceitar como competente por que não concordar com isso?
- O grande aspecto positivo da
ansiedade é o de nos impulsionar a fazer mais rápido e atender
mais prontamente etc. Ela nos possibilita o uso do tempo como
instrumento de vantagem competitiva.
- Já o aspecto positivo do medo é o
de nos forçar a fazer tudo da melhor maneira possível, para não
correr o risco de fazer mal feito ou de forma incompleta. Nesse
aspecto o medo é um combustível da excelência.
Queria encerrar com algumas
considerações sobre o erro:
- Tanto o medo como a ansiedade podem
nos levar ao erro. Por incrível que pareça, errar é bom, pois
só quem erra aprende, e pode inovar.
- O importante no erro não é a busca
dos "culpados" ou dos responsáveis pelo erro, mas de
suas causas, para eliminá-las e evitar uma possível
reincidência.
- Lembre-se de que quanto mais cedo
erramos, menor será o prejuízo. É melhor errar como mensageiro
do que como presidente da empresa.
|