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Título - DESENVOLVIMENTO
GERENCIAL O CAMINHO DAS PEDRAS
L. A.
Costacurta Junqueira
Este artigo integra dois temas de
fundamental importância para o desenvolvimento da atividade
Treinamento Gerencial: O que vai acontecer com ela nos próximos anos
e como torná-la mais eficaz e contributiva para os resultados da
organização, em termos de aumento da lucratividade, redução de
custos, maior inovação, etc.
O STATUS QUO
Ao longo dos anos em que militamos na
área de desenvolvimento gerencial percebemos que há alguns traços
comuns à maioria das unidades de treinamento.
Sem querermos adotar um comportamento
dogmático, diríamos, que estes traços são:
- Uma atuação mais reativa,
atendendo ao que o cliente pede, raras vezes se antecipando à
necessidade dessa clientela. (latente ou manifesta)
- Uma visão mais voltada para o
operacional (como fazer) do que para o estratégico. (o que
fazer).
- Uma perspectiva de curto prazo, com
ações orientadas para a visão de treinamento como um fim em si
mesmo, em oposição a ser um instrumento na busca da eficácia
organizacional.
O QUE VEM POR AÍ
Procuraremos alinhar aqui algumas
tendências, buscando, principalmente, instrumentar a unidade de
treinamento para uma visão antecipada das demandas que o futuro nos
reserva. Eis algumas dessas tendências:
- Utilização de consultores internos
(especialmente na fase de diagnóstico) para vincular mais as
ações de treinamento ao negócio, reduzir custos, etc.
- Treinamento por Exemplo:
Envolvimento cada vez maior da cúpula em atividades de
consultoria e treinamento interno; o Comandante Rolim, da TAM,
exemplifica esta colocação.
- Migração ao Treinamento de um
órgão central, para unidades setoriais, mais perto das áreas de
negócio, embora ainda desenvolvido por pessoas de RH.
- Migração da função treinamento
para órgãos de linha: mentoring/coaching, identificação
de necessidades etc. A unidade central funcionará mais na
formulação de estratégias e como banco de dados,
descentralizando o restante. (etapa seguinte à colocação
anterior)
- Redução da duração dos programas
de treinamento para 1 ou 2 dias, com maior carga de trabalho antes
e depois do evento (planejamento e follow-up).
- Temas novos como assédio sexual, gender
diplomacy, (convivência profissional entre homem e mulher) como
assumir/correr riscos etc.
- Uso do cliente externo como
alimentador do processo de identificação de necessidades de
treinamento (sem prejuízo do que se pede ao cliente interno).
- Utilização dos programas de
introdução à empresa como uma forma proativa de colocar
conhecimentos, habilidades e comportamentos que o novo gerente
deve praticar para ter êxito na organização onde trabalha.
(antes de começar sua "vida" na empresa)
- Grande ênfase no
auto-desenvolvimento, através da utilização de audio tapes,
treinamento interativo com micro etc.
- A transformação da atividade de
treinamento em centro de lucros, através da busca de receita
própria, vinculação do que é feito ao negócio, mensuração
(só fazer o que pode ser medido) etc.
- Uso da Internet como instrumento de
treinamento individualizado, banco de dados, atualização
permanente, informações em tempo real etc).
- Aumento do treinamento
individualizado como forma de evitar a massificação, o medo,
buscando maior customização e maior interferência nos
resultados do "negócio".
- Visão externa das responsabilidades
da atividade de treinamento, também voltada para o atendimento de
clientes e fornecedores. (com ou sem cobrança por esses
serviços)
- Uso de metodologias que procurem
reproduzir ao máximo a realidade de trabalho, com grande ênfase
em vivenciação.
- Foco cada vez maior no
produto/conteúdo/metodologia do processo de mudança e menor no
currículo do expositor.
- Avaliação da atividade de
treinamento com foco em dois parâmetros: Aprendizado
(processo) e Resultados (produto).
- Unidade de treinamento ajudando cada
vez mais a linha a encontrar diferenciais competitivos: Qualidade,
Inovação, Tempo etc. (" treinar a linha para que esta
entenda mais de treinamento")
- Oferta de programas que ajudem o
processo de convivência com o aumento crescente do fluxo de
informações, tais como leitura dinâmica, memorização, escrita
dinâmica; algo na linha da "racionalização do
conhecimento".
- Programas que compatibilizem a
necessidade de ter lucro, por parte das empresas, com a demanda
por uma visão mais humanistica das relações de trabalho.
- Alteração do local aonde ocorrem
os programas de treinamento, saindo-se da sala de aula para o
próprio local de trabalho, a residência, etc.
UMA PRIMEIRA CONCLUSÃO
Gostaríamos de deixar claro que, tão
importante quanto a escolha de um bom tema e ou uma boa consultoria
para desenvolvimento de um programa de treinamento, é a busca de um
processo adequado para entrega ("Delivery") deste programa
à clientela; e isso é responsabilidade da área de RH como um todo.
É fundamental também uma
redistribuição do que se gasta com os programas, reservando-se uma
parcela para o planejamento (20%), para o acompanhamento (20%),
ficando os restantes 60% para o evento propriamente dito. Esta
redistribuição certamente ensejará a escolha de um
processo/metodologia que dará ao evento principal uma maior
customização, a possibilidade de fixação de metas para uma
posterior mensuração e o conseqüente aumento dos benefícios para o
"negócio".
A MIOPIA
Treinamos 12000 pessoas no ano passado!
O número de horas-aula foi de 300.000
nos últimos 2 anos.
Gastamos um milhão de dólares no
último ano.
O que há de comum nas três
afirmações anteriores?
O leitor dirá que se trata de trechos
de um relatório anual de atividades de treinamento e ele não estará
de todo errado. O problema é que as informações que constam do
referido relatório retratam uma visão da atividade de treinamento
como um centro de custos, o que certamente não é a expectativa da
direção da empresa.
O QUE O PATRÃO QUER
O que deveria então constar do
relatório anual da unidade de treinamento? Eis alguns exemplos e
sugestões:
- "O último seminário de
Negociação trouxe um aumento de 5% na rentabilidade de nossa
agência da Av. Paulista".
- "O novo produto que lançamos
ontem foi desenvolvido por um de nossos executivos durante os 5%
de tempo que passou a ganhar após ter feito um seminário sobre
administração do tempo".
- "Nosso programa
anti-desperdício trouxe uma redução de custos da ordem de
R$ 200.000,00 por ano, na parte
relativa à remessa de produtos acabados".
Repetimos novamente a pergunta: O que
as três colocações anteriores têm em comum?
Todos os resultados espelham
benefícios para o negócio, retratam esses benefícios de forma
numérica e correlacionam os resultados com o desenvolvimento de um
programa de treinamento.
Se parece tão fácil, porque a maioria
das empresas e profissionais de RH tem tanta dificuldade em apresentar
relatórios das atividades de treinamento dentro dessa abordagem?
INDO MAIS FUNDO
A resposta é simples, porque não se
pensa nas expectativas do "cliente" desses relatórios (a
diretoria, os acionistas etc) e também porque a área de RH se
acostumou a não ser cobrada por resultados (ao contrário de todas as
demais áreas da empresa).
O que fazer então para que os
programas de treinamento possam ser realizados dentro dessa abordagem
voltada para resultados? Seguem algumas idéias:
- Todo programa deve ser antecedido
por metas (numéricas sempre que possível, referentes à
aprendizagem (processos) e resultados (produtos); 90 dias após
cada programa será examinado o progresso entre o estágio
anterior e posterior ao seminário/evento.
- Se o programa não puder ter seus
resultados mensurados, é melhor não executá-lo.
- O estabelecimento de metas relativas
a resultados não deve apenas ser tarefa de área de RH, mas dos
participantes e, especialmente, de suas respectivas chefias.
- A identificação do que sejam
resultados esperados deve também passar por ouvir os clientes e
fornecedores. (no fundo são eles que ajudam no redirecionamento
dos objetivos e processos de qualquer organização)
- Os profissionais de RH/Treinamento
devem aprender a falar "numerolês", em especial quando
forem se relacionar com a diretoria; numerolês envolve expressar
metas e resultados em termos de quantidade, qualidade, custo e
tempo.
- Treinamento pode ser um importante
diferencial competitivo na medida em que sejam abordados temas que
o concorrente não conhece, ou não possui habilidade suficiente
(isto implica em conhecer a "concorrência" antes de se
programar qualquer coisa)
- É sempre bom lembrar que não se
pode programar algo que beneficie o negócio se não se conhece
bem o negócio; RH precisa investir tempo nesse conhecimento.
- A utilização de consultores
internos, que conhecem bem a realidade da empresa, certamente
facilita a operacionalização e divulgação do que colocamos no
item anterior.(adequação ao "negócio")
- Quem se preocupa com resultados deve
procurar ter uma postura proativa, pensar no problema (e na
respectiva solução), antes que ele aconteça; "Quem sabe
antes, resolve primeiro".
- Não basta fazer algo bom/importante
em termos de treinamento, é importante que se divulgue os
resultados (SER E PARECER BOM); RH/Treinamento precisa praticar um
pouco mais este concerto.
Ainda parece difícil? Sugerimos ao
leitor que dê uma olhada nos relatórios das áreas financeiras
(também uma atividade de apoio, tal qual RH/Treinamento), de vendas,
produção etc. É só tentar fazer algo parecido que estaremos no
caminho certo (e da sobrevivência da função RH/Treinamento na
empresa).
OBS (1).
Material retirado dos produtos Desenvolvimento Gerencial:
Estratégias, Táticas e RH Como Centro de Lucros, produzidos pelo MVC
- Instituto M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo. Contato:
Tel. (011) 285-2438 - (021) 263-2403 ou
OBS (2) O
Autor agradece a Célia Marchioni as contribuições oportunas
apresentadas.
Consultor - L
A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M.
VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA
E HUMANISMO
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