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Título - EDUCAÇÃO PERMANENTE; O DESAFIO NÃO VENCIDO

L. A. Costacurta Junqueira

O caráter espasmódico/emergencial das atividades de treinamento gerencial tem contribuído em muito para seu descrédito, ineficiência e desvinculação do negócio.

A retomada do crescimento, no Brasil, está demandando processos educacionais com horizontes mais longos, cada vez mais relacionados ao negócio (com resultados mensuráveis) e uma dose cada vez maior de participação da diretoria e escalões superiores (agora a nível de consultores internos e não de simples "patrocinadores").

O intuito desse artigo é o de listar cuidados de natureza estratégica e operacional quando do desenvolvimento de programas de educação permanente; propositalmente deixamos de separar o estratégico do operacional pois, a nosso ver, esta dicotomia pode levar à visão errônea de que o primeiro compete apenas à diretoria, o que nem sempre encontra respaldo na realidade em tempos de gestão participativa.

OS CUIDADOS

Exemplo

Não existe desenvolvimento gerencial sem exemplo. Se o Presidente e os Diretores embarcam prioritariamente na "canoa", os demais tendem a seguí-los. Embarcar na canoa significa não só participar do programa como "alunos", mas também como consultores internos, aliando o conhecimento do negócio ao saber relativo à funções e instrumentos gerenciais.

VISÃO

O que aqui chamamos de visão nada mais é do que a busca de um perfil gerencial necessário para consecução dos objetivos que a empresa deseja atingir nos próximos anos. A definição dessa visão, (e por conseqüência, desse perfil) dentro de um esquema de co-participação de áreas meio e fim, é estratégia fundamental para sua aceitação e implantação. vale aqui lembrar que, neste processo, a área de RH de atuar mais como catalisadora das várias correntes do que como formadora de opiniões.

PERSPECTIVA

O engajamento num programa de educação permanente implica no conhecimento, por todos das etapas do processo, antes de seu início; a perspectiva de longo prazo é fundamental para a credibilidade e esforço.

PROFUNDIDADE

Estamos falando de processos de mudança e não da simples participação em cursos e seminários; isto quer dizer que cada tema deve ser abordado com a maior profundidade possível, antes do início de um outro assunto. É a estratégia da profundidade predominando sobre a diversificação.

MENSURAÇÃO

Nenhum programa de longo prazo sobreviverá se não trouxer resultados quantificáveis; para mudar é preciso que eu saiba como e quanto estou mudando. A mudança se alimenta de mudança. A mensuração de resultados implica no estabelecimento, antes do início de cada programa, de dois tipos de metas:

Metas de Processo: ‘se a tecnologia foi bem recebida, se foi aprendida e se foi utilizada pelo participante’

Metas de Produto - quanto a organização lucrou com o atingimento das metas de processo; se houve aumento de receita, diminuição de despesas, criação de novos produtos/serviços etc.

Ambas as metas - processo e produto - devem ser medidas através de indicadores qualitativos e quantitativos previamente estabelecidos. A idéia é só fazer o que puder se medido.

TREINAMENTO/CONSULTORIA

A educação permanente deve utilizar de forma integrada as duas abordagens. A primeira para início da mudança e como um enfoque de massa; a consultoria, do meio para o fim, como uma forma de demonstrar de maneira mais individualizada, no que o negócio pode ser beneficiado pela tecnologia que está sendo colocada.

MULTIPLICAÇÃO/ESCALA

É evidente que o custo de um programa longo e permanente muitas vezes inviabiliza o atingimento de todos os níveis de chefia. Aí entre a responsabilidade de quem participou mais diretamente, na transmissão do que viu, para seus subordinados. Esta regra do jogo deve ficar clara antes do jogo começar. Cada executivo/gerente é um multiplicador em potencial e caberá a ele, com a ajuda da unidade de RH, assumir o papel de consultor/instrutor de seus subordinados.

COBRANÇA

Um programa de educação permanente implica na adoção de uma estratégia de cobrança permanente, em todos os sentidos. Os superiores definindo antes, durante e depois de cada programa quais são suas expectativas em relação a cada subordinado; estes cobrando das respectivas chefias a ajuda necessária para atingimento daquelas expectativas. É algo para o dia-a-dia e sempre.

CLIENTE

Não se pode falar em desenvolvimento a longo prazo sem o envolvimento do cliente externo. Se esse cliente é a razão de ser do negócio como então deixá-lo de fora de qualquer processo de mudança? A operacionalização dessa idéia passa pelo conceito de parceria, comunhão de informações podendo servir até para objetivos mercadológicos.

CUMPLICIDADE

Como quase todos programas de educação permanente implicam no envolvimento de uma consultoria, a relação de cumplicidade entre esta e o cliente é fundamental. Entenda-se por cumplicidade um investimento de, ambas as partes, no conhecimento dos aspectos do negócio que interferem no programa; o mesmo se aplica em relação ao conhecimento das pessoas que participam do programa. Os maiores êxitos em programas gerenciais acontecem quando o representante do cliente investe até 50% do seu tempo no estabelecimento dessa cumplicidade e quando o consultor sai de sua posição de alguém ‘não envolvido" para fazer parte do time da empresa.

UMA PALAVRA FINAL

É evidente que não pretendemos esgotar o assunto educação permanente com um artigo tão curto. Nosso intuito principal é chamar a atenção de quem dirige nossas organizações sobre os novos rumos do treinamento para os próximos anos que quase sempre passarão pela educação permanente e os erros a evitar nesta área já tão complicada.

Consultor -  L A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

 

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