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Título - ERRANDO E APRENDENDO
L. A.
Costacurta Junqueira
"Se pudesse viver minha vida
outra vez, trataria de cometer mais erros"
JORGE LUIS BORGES, Escritor e
poeta argentino (1899-1986)
MANFRED KETS DE VRIES, Professor do
INSEAD, mencionando os atributos do executivo do futuro, colocou entre
suas responsabilidades a criação de um clima organizacional que
permitisse ao subordinado cometer erros. Mais ainda, acrescentou que
quanto mais cedo na carreira de um Gerente erros forem cometidos,
menor será o custo desses erros.
Cometer erros é inerente ao processo
de aprendizagem; cometer erros e assumir riscos é atributo
fundamental para o exercício da função gerencial.
Em tempos em que as organizações
precisam entender tanto de seu negócio, quanto de mudança, os erros
são o caminho mais curto para tornar o processo de mudança mais
permanente e auto-sustentado.
A seguir algumas considerações sobre
a importância do erro no processo de desenvolvimento gerencial:
- Começamos a ter medo do erro em
nossa infância, quando nossos pais só recriminavam nossas
ações, diziam o que estava errado, mas não discutiam conosco
alternativas para consertar os erros. (ênfase na crítica e não
no processo educacional)
- Quando um erro é cometido, sempre
se torna importante questionar o porquê; o problema pode estar
com o subordinado (falta de preparação, competência etc) ou com
seu superior (erro na definição do que deve ser feito,
indefinição dos limites de decisão etc). Nossos superiores
tendem a achar que o erro é mais problema nosso do que deles!
- Como se cria um clima de
"liberação para erros"? Eis algumas frases que podem
ajudar:
"Na dúvida, erre por ação e
não por omissão"
"Não espere eu retornar, decida
se a situação o exigir"
"Você tem direito a errar 5%
de suas ações, minha expectativa é que você acerte 95%".
- Ainda dentro do "clima de
liberação para erros", a realização de uma reunião
mensal em que cada um faz uma auto-análise dos erros e acertos
(iniciando-se pela apresentação do superior hierárquico), pode
se constituir num excelente instrumento para que o grupo evite
erros já cometidos.
- Se o subordinado cometeu um erro,
use esse momento como uma oportunidade de aprendizado seja para
redefinição de políticas, margens de decisão, necessidade de
mais informações de sua parte etc.
- A aproximação do
superior/subordinado através de uma relação mútua de
confiança é um ótimo antídoto para erros. Como construí-la?
Respeitando-se os quatro elementos geradores de confiança:
Credibilidade:
cumprir o que promete, fazer o que diz
Confiança:
dizer o que pensa e sente, não dissimular
Abertura:
dividir com o outro as informações de que dispõe, não
escondendo o jogo
Aceitação: aceitar as diferenças
individuais, conviver bem com elas
- O erro não deve ser transformado
num problema pessoal; julgar alguém por um erro cometido é abrir
caminho para que todos na organização evitem ousar.
- O erro é uma excelente oportunidade
para se aplicar o conceito de "momentos da verdade". Na
medida em que erros se repetem na interação com clientes
internos ou externos, é importante definir-se
"respostas/comportamentos padrão para solução do
problema". Trata-se de uma situação típica onde o erro se
transforme em oportunidade de melhor relacionamento com o cliente.
- A eliminação de um erro tem mais a
ver com a análise e correção de suas "causas" do que
com ações sobre seus "efeitos"
- Erros às vezes são conseqüências
da utilização de apenas um dos hemisférios cerebrais (lado
racional ou lado criativo). A utilização simultânea e
equilibrada de ambos, no processo decisório, aperfeiçoará a
qualidade do output, minimizando a possibilidade de
enganos.
- O perfeccionista reduz o número de
erros, mas tende a prejudicar a velocidade das respostas.
Estas são apenas algumas idéias para
nos ajudar a usar o erro como oportunidade para desenvolvimento
gerencial; não se trata de uma apologia do erro, mas de um convite
para que todos ousem mais.
Que tal reunir
superior/subordinados/pares e fazer avaliação do grupo tendo por
base esse texto?
Consultor - L
A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M.
VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA
E HUMANISMO
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