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Há
cerca de quatro anos foi iniciado, de forma sistemática,
o processo de implantação de Universidades Corporativas
no Brasil. A par de projetos extremamente bem sucedidos, com enorme
contribuição para os resultados da organização,
inclusive de forma quantificada, temos observado inúmeras
inadequações estratégicas e operacionais.
Essas inadequações
têm contribuído, de forma negativa, para a imagem da
idéia e sua conseqüente aceitação institucional.
A partir da tecnologia de "redução
de erros", vamos examinar neste artigo o que aprendemos e constamos
ao longo de nossa experiência na implantação
de Universidades Corporativas, bem como na convivência com
empresas brasileiras que adotaram essa estratégia.
O MEA CULPA
NA ESTRATÉGIA:
1 - Deixar de usar o desenvolvimento
para otimizar a cadeia de valor; cada vez mais todos os atores do
processo organizacional devem ser parte dos programas de desenvolvimento
2 - Patrocinador errado ou sem patrocinador;
sem apoio e sem exemplo não se desenvolve pessoas e organizações
3 - Não considerar a Universidade
Corporativa uma unidade de negócios, centro de resultados;
se o lucro é uma expectativa em relação a todas
áreas da organização, por que RH deve ficar
fora?
4 - O Marketing é a motivação
principal; aqui os meios não justificam os fins
5 - Optar pelo aspecto modismo e não
pela necessidade e comprometimento com a idéia
6 - Foco exclusivo no treinamento,
em detrimento da pesquisa, retenção e divulgação
do conhecimento
7 - Dependência financeira exclusiva
da própria empresa, sem fontes externas alternativas
8 - Não proporcionar uma visão
integrada e temporal da vida educacional de cada "aluno",
perdendo o benefício da retenção e da educação
permanente
9 - Foco exclusivo no desenvolvimento
organizacional, esquecendo o desenvolvimento pessoal
10 - Não usar os próprios executivos como consultores
internos; perdendo o foco na dimensão "conhecimento
do negócio"
Não mudar o paradigma da metodologia
e da forma de "entrega" do treinamento
Errar no blend/mix treinamento presencial
treinamento à distância; privilegiando demais uma ou
outra abordagem
11 - Escolha inadequada do modelo jurídico
(personalidade jurídica própria ou não? Fundação?)
O MEA CULPA NO OPERACIONAL
1 - Não integrar consultores internos / externos à
missão, visão, valores da Universidade (ocasionando
divergência metodológica, desconhecimento do negócio,
superposição de abordagens)
2 - Não utilizar a disseminação
das melhores práticas gerenciais da empresa como forma de
desenvolvimento
3 - Não incentivar uma cultura
de empreendedorismo (interno e externo)
4 - Repetir os erros do "velho"
departamento de treinamento
5 - Não definir indicadores
de resultados / processos, vinculados às metas institucionais
6 - Desvincular a Universidade Corporativa do sistema de avaliação
de competências/potencial/sistema de participação
lucros
7 - Número de parceiros muito
grande (+ 10) e alta rotatividade entre eles; os vínculos
não se aprofundam
8 - Não reter o conhecimento
adquirido via elaboração de projetos ao final dos
programas, multiplicação dos conteúdos via
participantes etc.
9 - Uso insuficiente de cases studies,
dificultando a ponte real / ideal
10 - Não usar metodologia que
otimize o fluxo multidirecional do conhecimento (instrutor/alunos,
aluno/instrutor, aluno/aluno, aluno/fornecedor etc
11 - Deixar de utilizar metodologias
que contemplem atividades pré e pós eventos
12 - Não divulgar todos os resultados
obtidos (projetos, idéias etc), inclusive para fornecedores,
clientes e outros públicos da Universidade
13 - Não utilizar os resultados
da Universidade como ferramenta de marketing.
14 - Programas da Universidade Corporativa
não válidos como créditos nas Universidades
tradicionais conveniadas
OS INDICADORES
Costumamos dizer que não basta fazer um bom trabalho, é
necessário que todos concordem que isso foi feito.
A ausência de indicadores é
um dos fatores que pode nos levar a tal situação,
pois impossibilita avaliações quantitativas e qualitativas
dos resultados da Universidade Corporativa.
A seguir, listamos, alguns dos
indicadores que, embora simples, muitas vezes não são
utilizados pelas Universidades Corporativas ou departamentos de
Treinamento das Organizações:
Indicadores Vinculados Globais
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Resultados Globais da Empresa
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Avaliação média das competências
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Demanda por trabalho na empresa
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Grau de motivação dos líderes
-
Grau de satisfação dos clientes
-
Índice de mobilidade vertical (promoções internas)
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Market-share
-
Rentabilidade
-
Saída de talentos
-
Turnover
Indicadores Vinculados / Processuais
- Processo
-
Composição da receita da Universidade (interna/externa)
-
Número de horas de treinamento por colaborador
-
Número de participantes externos (clientes/fornecedores)
-
Percentual de consultores internos/externos
Qualidade
-
Avaliação das atividades (reação)
-
Citações positivas na imprensa
-
Convite para palestras externas
-
Índice de participação de convidados internos/externos
-
Número de alunos assíduos (coeficiente de fidelização
/ evasão)
-
Número de organizações interessadas em visitas
-
Percentual do público-alvo interno total
Desempenho
Resultados
Financeiros
A ESCOLHA
DE ALGUMAS ESTRATÉGIAS
Não se pode falar que as estratégias da coluna A sejam
as mais corretas em relação às da coluna B e
vice-versa. O que normalmente acontece é a não análise
das alternativas de forma simultânea, com a escolha de uma
que mais tarde poderá se revelar um erro.
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TEMA
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ESTRATÉGIA
A
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ESTRATÉGIA
B
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Reitor
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Sim
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Não
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Público-Alvo
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Todos os colaboradores da empresa internos/externos,
clientes, comunidade, família
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Determinados estratos da hierarquia (normalmente
os mais elevados)
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Portal
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Ter portal
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Não ter portal
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Junção com RH
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Áreas autônomas diretamente
ligadas à Presidência ou à Diretoria
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Áreas vinculadas a RH
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Forma Jurídica
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Escolha de uma forma jurídica independente,
de modo a
facilitar controles econômico-financeiros e a estimular
um sentido maior de autonomia
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Integrada à própria empresa,
como seu departamento ou função
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"Professores"
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Utilização maciça de
professores e consultores externos com terceirização
consistente das atividades
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Uso de critérios mistos entre professores
internos e
externos
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Avaliação de Desempenho
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Realização da avaliação
de desempenho dentro da Universidade em conjunto com as áreas-fim
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Trabalho em equipe, integrando os serviços
e produtos da Universidade à avaliação
de desempenho feita nos critérios
tradicionais por RH e pelas
áreas-fim
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Tamanho da Universidade
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Um grande número de pessoal fixo
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Um pequeno número de pessoal fixo
(3 a 6 pessoas)
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CONCLUSÃO
De forma mais global o que se vê no mercado é a colocação
do operacional à frente do estratégico; é o como
fazer, feito antes do que "fazer".O foco é na execução
em detrimento do planejamento.
No fundo isto representa fazer as "coisas" sempre da mesma
forma e esperar que os resultados sejam diferentes.
Também poderíamos chamar esta postura de "Efeito
Eurico Miranda"; se eu errar ou se algo não der certo
a culpa é dos outros, do técnico, da TV Globo, da humanidade...
Sempre é importante lembrar que uma Universidade Corporativa,
tanto nos aspectos estratégicos como operacionais deve se pautar
pela quebra permanente dos paradigmas educacionais.
Consultor - L
A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M.
VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA
E HUMANISMO
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