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Gestão, Estratégia e Administração

Título - OPORTUNIDADES: FAZER A HORA OU ESPERAR ACONTECER?

L. A. Costacurta Junqueira

História ou estória, ouvi há muitos anos atrás o seguinte: "Uma grande empresa começou a construir um prédio de apartamentos na cabeceira do aeroporto de Congonhas. Desde o início as vendas se mostraram extremamente difíceis pois a poluição sonora ultrapassava os 130 decibéis (isto ocorreu antes da limitação de horários de pouso e decolagem no aeroporto). Decorridos 4 meses do lançamento nenhuma unidade havia sido vendida, apesar das condições financeiras extremamente favoráveis, da qualidade do imóvel e das áreas comuns etc. O Presidente da construtora reuniu seus experts de marketing e vendas para estudar alternativas de comercialização; mil idéias surgiram, mas nenhuma que parecesse resolver o problema. No meio da reunião, entrou na sala a LUZIA, copeira que servia um café maravilhoso e ouvindo parte da conversa, sugeriu ("enxerida que era"): "Por que vocês não vendem o prédio para pessoas que possuem deficiência auditiva? Para eles o barulho em nada "importa".

Conta a "lenda" que aprovada a nova estratégia de comercialização, o edifício foi todo vendido em dois meses e os surdos viveram felizes para sempre.

Este pequeno texto traz algumas "lições" importantes para as empresas que adotam, diante da dimensão oportunidade, o "fazer a hora" e não "o esperar acontecer".

Vejamos então quais seriam essas lições:

  • Hierarquia e geração de oportunidade não têm uma relação direta; às vezes os funcionários mais simples têm grandes idéias. O importante é que eles possam dizer o que pensam.
  • Quem tem medo de errar acaba bloqueando o processo de geração de oportunidades; o que a nossa copeira poderia perder com sua sugestão? Nada!!! O mesmo talvez não se aplicasse aos executivos de marketing e vendas.
  • Cada um de nós tem um momento ou um "sistema" ideal para gerar oportunidades;
    • Sozinho ou em grupo
    • No início ou no fim do dia
    • Verbalmente ou por escrito
    • No ambiente de trabalho ou em casa
  • Respeitar essas idiossincrasias é, então, fundamental.
  • Ouvir, sem interrupções/avaliações, é talvez a habilidade mais importante para o presidente/executivo que deseja oxigenar a empresa com idéias novas.
  • Criar na organização um sistema que incentive e recompense a troca/fluxo do conhecimento e não sua individualização, é também uma estratégia importante
  • Para os fanáticos da gestão do tempo é sempre bom lembrar que a interrupção pode representar uma oportunidade. Nestes casos é preciso "escanear" as interrupções, separando o joio do trigo
  • As oportunidades são mais facilmente identificadas quando "pensamos" do que quando "fazemos" algo. Como somos, de modo geral, orientados para fazer (porque é mais tangível) talvez fosse o caso de tentar inverter essa tendência.
  • As objeções e os questionamentos são uma grande fonte de oportunidades; é preciso "tratar bem" quem têm essa característica de comportamento.
  • Todos na empresa necessitam "trabalhar" para a área de pesquisa e desenvolvimento; em nossa história, até a copeira fazia isso .
  • A pior coisa que existe, são oportunidades direcionadas inadequadamente; o antídoto para isso é que a visão, metas e definições estratégicas sejam do conhecimento de todos, inclusive daqueles que não estejam tão contaminados com o trato daquele problema específico (como foi o caso do da LUZIA)
  • Ë necessário que haja um sistema de "recompensa" para os geradores de oportunidades, não estamos falando necessariamente em dinheiro, mas de algo que reflita o valor que a organização dá às novas idéias.

Voltando à nossa estória do prédio construído na cabeceira do aeroporto; será que não teria sido mais fácil resolver o problema se a empresa construtora adotasse as "lições" mencionadas, em caráter mais pró-ativo?

E sua empresa, Sr. Presidente, com está? "Fazendo a hora ou esperando acontecer"?

Consultor -  L A COSTACURTA JUNQUEIRA / VICE PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

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