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Universidade Corporativa

Universidade Corporativa - Uma visão de hoje

Marco Aurélio Ferreira Vianna

Presidente do Instituto MVC

A presente matéria visa abordar nossas principais conclusões e reflexões sobre o tema "Universidade Corporativa" (UC), à luz das experiências vivenciadas nestes últimos três anos.

O Instituto MVC, com o Costacurta e comigo pessoalmente, participou nesta área de cerca de vinte trabalhos de Planejamento Estratégico, Consultoria, Aconselhamento e Palestras (tanto internas como abertas). Foi uma riquíssima vivência que nos obrigou a estudar e pesquisar UC's no Brasil e no exterior, e que também nos deu a oportunidade de acompanhar trabalhos implantados, dos quais participamos na sua fase de concepção e análise. Cabe registrar, também, que para fins deste artigo fiz questão de não consultar qualquer material anteriormente escrito. Penso que, desta maneira, a minha análise pode fluir mais no campo da criação e do sentimento, do que da razão metodológica.

Mais que um T&D

Antes e acima de tudo, em meu ponto de vista, não tenho dúvida em afirmar que o conceito de Universidade Corporativa é extremamente forte e inteiramente compatível com as características e atributos de uma empresa visionária / triunfadora, neste início de século XXI. Isto, porque, sua implantação dá real concretude ao conceito da organização voltada à aprendizagem (learning organization) de uma forma muito mais consistente do que o tradicional modelo da área de T&D.
Sem jamais cair na simples troca da "marca" ou de "fachada", as características de um T&D- padrão estão tão desgastadas que melhorias ou mesmo uma reengenharia mais forte não seriam suficientes. A prática está mostrando que a força, e até a nobreza, do nome Universidade Corporativa tem servido como demonstração que a empresa que a implanta tem um efetivo interesse em tornar-se um pólo de educação permanente. E neste ponto, cabe o reforço de defesa de que os colaboradores, lato-sensu, e principalmente os talentos, consideram como importante ferramenta de sua própria retenção a oferta de efetivos mecanismos de desenvolvimento.

Em termos práticos não há dúvida, uma Universidade Corporativa aumenta significativamente os fatores de motivação de uma empresa, fazendo com que ela caminhe na direção de um excelente lugar para se trabalhar simplesmente na troca do nome ou mesmo do modelo.

É evidente que não se pode parar aí. Também tomando como base nossa experiência, vale a pena avaliar em que pontos uma Universidade Corporativa se destaca de uma área de treinamento média, ou seja, quais são seus efetivos diferenciais competitivos.

Pontos relevantes

Neste contexto de conteúdo, eu entendo que um ponto fundamental é o próprio caráter de Educação Permanente que ela deve conter em sua programação. Uma Universidade Corporativa deve ter um programa de longo prazo que forneça a seu público-alvo uma visualização de desenvolvimento para o futuro. Saímos, assim de uma "programação por demanda" para um "plano de vida", que diminui de forma importante a volatilidade das percepções individuais e o grau de incerteza tão comum em pessoas do mundo empresarial de hoje.

Em seguida, não há dúvida, uma UC bem concebida deve ter o objetivo específico e planejado de construir um bloco de conhecimento adequado para cada segmento de negócio. Deve haver uma séria preocupação de se determinar quais são as capacitações que os colaboradores de uma determinada empresa devem ter. Este movimento, que denominamos de "salto qualitativo de conhecimento", transmitirá em todas as áreas os temas e matérias necessárias ao desempenho em uma determinada atividade.

Neste "salto qualitativo" deve estar incorporado, também, o conhecimento específico de matérias gerenciais (marketing, finanças, criatividade, negociação etc...)
em uma estruturação pré-planejada. Mais uma vez, saindo da "programação por demanda" devemos formar o MBA especializado para cada empresa, contendo tudo aquilo que os colaboradores da empresa no seu nível devem saber e dominar para
obter a excelência de seu desempenho.

Outro grande diferencial que temos colocado em nossos trabalhos consiste em um conjunto de atividades alocadas que denominamos Eixo da Cidadania Corporativa, no qual de maneira profunda são repassados para os colaboradores crenças e valores, enfim, a cultura da organização. É importante registrar, que para obtermos resultados eficazes, temos abandonado a idéia da "semana de boas vindas" e adotado um conjunto de atividades multidisciplinares (incluindo jogos, vivências, atividades experienciais, projetos e até psicodrama), ao longo de nove meses (com carga horária total de 60/80 horas). Tal prioridade e cuidado se deve ao fato de que cada vez mais os atributos de empresas triunfadoras concentram-se no campo da cultura. Arie de Geus, em seu brilhante estudo A Empresa Viva, chega a afirmar que um dos fatores mais
importantes para a construção de uma empresa longeva é a "coesão de pessoas por meio de valores proclamados com nitidez e devidamente assimilados pelas pessoas".

Finalmente, cabe comentar que temos defendido com rigor a mensuração dos resultados de uma Universidade Corporativa.
O mundo da competitividade e a escassez crescente de recursos obrigam a adoção de uma mentalidade financeira mais forte. Com criatividade e longe do tacanho processo burocrático, é perfeitamente possível transformar uma área-meio em área-fim, geradora de resultados. Acima de tudo, o sistema de Governança Corporativa verá com melhores olhos (aliás, muito melhores) sua implantação.

Assim, também, ficará claro que o conhecimento não é um fim em si mesmo. Como coloca a moderna andragogia, não importa o que é ensinado, mas sim o que é aprendido.

E mais além: importa o que é implantado pelo aprendizado. Por isto, em um de nossos trabalhos, o lema escolhido para a Universidade Corporativa foi: Conhecimento buscando resultados.


Material retirado dos trabalhos de Concepção e Implantação de Universidades Corporativas.

Consultor -  MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA / PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

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