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A presente
matéria visa abordar nossas principais conclusões e reflexões sobre
o tema "Universidade Corporativa" (UC), à luz das experiências
vivenciadas nestes últimos três anos.
O Instituto MVC, com o Costacurta e comigo
pessoalmente, participou nesta área de cerca de vinte trabalhos de
Planejamento Estratégico, Consultoria, Aconselhamento e Palestras
(tanto internas como abertas). Foi uma riquíssima vivência que nos
obrigou a estudar e pesquisar UC's no Brasil e no exterior, e que
também nos deu a oportunidade de acompanhar trabalhos implantados,
dos quais participamos na sua fase de concepção e análise. Cabe
registrar, também, que para fins deste artigo fiz questão de não
consultar qualquer material anteriormente escrito. Penso que, desta
maneira, a minha análise pode fluir mais no campo da criação e do
sentimento, do que da razão metodológica.
Mais que um
T&D
Antes e acima de tudo, em meu ponto de
vista, não tenho dúvida em afirmar que o conceito de Universidade
Corporativa é extremamente forte e inteiramente compatível com as
características e atributos de uma empresa visionária / triunfadora,
neste início de século XXI. Isto, porque, sua implantação dá real
concretude ao conceito da organização voltada à aprendizagem
(learning organization) de uma forma muito mais consistente
do que o tradicional modelo da área de T&D. Sem jamais cair
na simples troca da "marca" ou de "fachada", as características de
um T&D- padrão estão tão desgastadas que melhorias ou mesmo uma
reengenharia mais forte não seriam suficientes. A prática está
mostrando que a força, e até a nobreza, do nome Universidade
Corporativa tem servido como demonstração que a empresa que a
implanta tem um efetivo interesse em tornar-se um pólo de educação
permanente. E neste ponto, cabe o reforço de defesa de que os
colaboradores, lato-sensu, e principalmente os talentos,
consideram como importante ferramenta de sua própria retenção a
oferta de efetivos mecanismos de desenvolvimento.
Em termos práticos não há dúvida, uma
Universidade Corporativa aumenta significativamente os fatores de
motivação de uma empresa, fazendo com que ela caminhe na direção de
um excelente lugar para se trabalhar simplesmente na troca do nome
ou mesmo do modelo.
É evidente que não se pode parar aí.
Também tomando como base nossa experiência, vale a pena avaliar em
que pontos uma Universidade Corporativa se destaca de uma área de
treinamento média, ou seja, quais são seus efetivos diferenciais competitivos.
Pontos relevantes
Neste
contexto de conteúdo, eu entendo que um ponto fundamental é o
próprio caráter de Educação
Permanente que ela deve conter em sua programação. Uma
Universidade Corporativa deve ter um programa
de longo prazo que forneça a seu público-alvo uma
visualização de desenvolvimento para o futuro. Saímos, assim de uma
"programação por demanda" para um "plano de vida", que diminui de
forma importante a volatilidade das percepções individuais e o grau
de incerteza tão comum em pessoas do mundo empresarial de hoje.
Em seguida, não há dúvida, uma UC bem
concebida deve ter o objetivo
específico e planejado de construir um bloco de conhecimento adequado para cada
segmento de negócio. Deve haver uma séria preocupação de
se determinar quais são as capacitações que os colaboradores de uma
determinada empresa devem ter. Este movimento, que denominamos de
"salto qualitativo de
conhecimento", transmitirá em todas as áreas os temas e
matérias necessárias ao desempenho em uma determinada atividade.
Neste "salto qualitativo" deve estar
incorporado, também, o conhecimento
específico de matérias gerenciais (marketing, finanças,
criatividade, negociação etc...) em uma estruturação
pré-planejada. Mais uma vez, saindo da "programação por demanda"
devemos formar o MBA especializado para cada empresa, contendo tudo
aquilo que os colaboradores da empresa no seu nível devem saber e
dominar para obter a excelência de seu desempenho.
Outro grande diferencial que temos
colocado em nossos trabalhos consiste em um conjunto de atividades
alocadas que denominamos Eixo da Cidadania
Corporativa, no qual de maneira profunda são repassados
para os colaboradores crenças e valores, enfim, a cultura da
organização. É importante registrar, que para obtermos resultados
eficazes, temos abandonado a idéia da "semana de boas vindas" e
adotado um conjunto de atividades multidisciplinares (incluindo
jogos, vivências, atividades experienciais, projetos e até
psicodrama), ao longo de nove meses (com carga horária total de
60/80 horas). Tal prioridade e cuidado se deve ao fato de que
cada vez mais os atributos de empresas
triunfadoras concentram-se no campo da cultura.
Arie de Geus, em seu brilhante estudo A Empresa Viva,
chega a afirmar que um dos fatores mais importantes para a
construção de uma empresa longeva é a "coesão de pessoas por meio de
valores proclamados com nitidez e devidamente assimilados pelas
pessoas".
Finalmente, cabe comentar que temos
defendido com rigor a mensuração dos resultados de uma Universidade
Corporativa. O mundo da competitividade e a escassez crescente
de recursos obrigam a adoção de uma mentalidade financeira mais
forte. Com criatividade e longe do tacanho processo burocrático, é
perfeitamente possível transformar uma área-meio em área-fim,
geradora de resultados. Acima de tudo, o sistema de Governança
Corporativa verá com melhores olhos (aliás, muito melhores) sua
implantação.
Assim, também, ficará claro que o
conhecimento não é um fim em si mesmo. Como coloca a moderna
andragogia, não importa o que é ensinado, mas sim o que é
aprendido.
E mais além: importa o que é implantado
pelo aprendizado. Por isto, em um de nossos trabalhos, o lema
escolhido para a Universidade Corporativa foi: Conhecimento buscando resultados.
Material retirado dos trabalhos
de Concepção e Implantação de Universidades
Corporativas.
Consultor - MARCO
AURÉLIO FERREIRA VIANNA / PRESIDENTE DO INSTITUTO MVC – M.
VIANNA
COSTACURTA ESTRATÉGIA
E HUMANISMO
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