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Criatividade e Inovação

Título - EU NÃO SEI  (O TERRENO DA INOVAÇÃO) (REPARTIR É PRECISO.  INOVAR NÃO É  PRECISO)

Sylvio Zilber

"Como será o amanhã ?

Responda quem puder"

Gonzaguinha

Praticamente, todo processo de retenção e de utilização do aprendizado, de quaisquer espécies, se apóia no campo do EU JÁ SEI. O campo do EU JÁ SEI abrange o já conhecido, o já testado, já experimentado, medido e avaliado. Tudo que se refere ao campo do EU JÁ SEI pode ser armazenado na nossa memória e pode, posteriormente, ser reproduzido. Hoje, agilizamos e otimizamos isto via computador (que ainda é uma extensão melhorada da nossa capacidade de memória). No processo de memorização, base da educação tradicional, o computador leva a vantagem de ser mais rápido e de não "se esquecer". Nosso cérebro retém as informações, mas nem sempre elas estão acessíveis quando recorremos a elas. Nós "esquecemos" muita coisa ou demoramos a "lembrar". O computador nos ajuda a resolver isto.

Também é no campo do EU JÁ SEI que as pessoas são avaliadas. Nas organizações, quanto mais EU JÁ SEI, mais eu valho. Os parâmetros do EU JÁ SEI profissional são os valorizados e podem ser mensurados, reproduzidos e substituídos, por quaisquer outros que também saibam a mesma coisa (e tenham os mesmos parâmetros). Para isto, basta reproduzir o SABER estabelecido. Por este caminho, é considerada inteligente (e "bom" profissional) uma pessoa que acumula conhecimentos (saberes) e que, quando necessário, saiba reproduzi-los.

RACIOCÍNIO REPRODUTIVO E RACIOCÍNIO PRODUTIVO

Nosso cérebro é programado, pelos sistemas (Escola, Família, Sociedade, Organizações), a usar o raciocínio reprodutivo (que se apóia no EU JÁ SEI) e que nos leva ao comportamento reprodutivo. Todos os sistemas nomeados acima são estruturados para a reprodução, repetição, iteração e reiteração. E é fundamental e necessário que assim seja, para a sua manutenção. Sem a repetição, eles entrariam em deterioração. É por instinto de sobrevivência que eles se conservam. Donde, REPETIR É PRECISO, em dois sentidos (é necessário e também é exato).

Entretanto, tal estrutura inibe a INOVAÇÃO, base da renovação dos sistemas (o antônimo de inovação é repetição). Para inovar, é preciso questionar o EU JÁ SEI. Se usarmos sempre a lógica que estamos acostumados a usar e fizermos somente o que já sabemos fazer, estaremos reproduzindo raciocínios e ações, que nos levam ao conhecimento já existente e à ação previsível. Para inovar, precisamos apoiar o nosso raciocínio, não na memória, edifício do EU JÁ SEI, mas no terreno do EU NÃO SEI. Neste, uma nova lógica se impõe. Esta nova lógica se estrutura na criatividade, na imaginação, na prospecção, na intuição, no insight. Somente ela permite a produção de novas idéias, novos conceitos, novos processos, produtos ou serviços. Ela nos permite "fazer diferente". As dificuldades para desenvolver estas novas lógicas são óbvias. Ao caminharmos no terreno do EU NÃO SEI, enfrentamos armadilhas e riscos, que nos inquietam pela imprecisão deste caminho. Porque INOVAR NÃO É PRECISO (no sentido de não ser exato).

TRANSITANDO DO "EU JÁ SEI" PARA O "EU NÃO SEI"

Nenhuma inovação surge do nada. Inovação depende de repertório. Se seu estoque de idéias e conhecimentos é baixo, são poucas as suas alternativas para mudar o já conhecido e consagrado. Inovação é a passagem do edifício do EU JÁ SEI para o terreno do EU (AINDA) NÃO SEI, Para que esta passagem seja concretizada são necessárias algumas condições e ferramentas.

As condições:

1 – FOCO NOS RESULTADOS DESEJADOS. Imaginar onde quer chegar. "Eu (ainda) não sei".

2 – FLEXIBILIDADE. Aceitar o resultado máximo conseguido, que nem sempre é o desejado.

3 – PERSEVERANÇA E AUDÁCIA. Assumir os riscos das tentativas e erros. E recomeçar.

4 – ATENÇÃO AO DIFERENTE. Muitas vezes a inovação é um acidente de percurso.

5 – PRONTIDÃO. Saber responder rapidamente às circunstâncias mutantes.

6 – PERMISSIVIDADE. Permitir-se (e também ao entorno) um ambiente favorável ao novo.

7 – HUMOR. Quem tem mau humor tem rigidez de raciocínio e de comportamento.

As ferramentas:

1 – CRIATIVIDADE. Pensar o velho de um jeito novo. Usar o lado direito do cérebro.

2 – IMAGINAÇÃO. "Viajar" nas fantasias, por mais absurdas que possam parecer.

3 – INTUIÇÃO. Aceitar informações que não vêm da lógica racional.

4 – PERCEPÇÃO. Ver ao redor o que os outros não vêem. Perceber o "diferente" no igual.

5 – CUTUCAR O CONHECIDO. Buscar novas soluções para velhos ou novos problemas.

6 – GERAR ALTERNATIVAS. Uma idéia só pode ser boa se comparada com outras.

Estas premissas propiciam a gestação de inovações. É preciso saber criar um "clima" favorável à aventura no terreno do EU NÃO SEI e escolher as ferramentas adequadas (e conhecemos várias) para os desafios emergentes nascidos no edifício do EU JÁ SEI. É preciso também ter a clara consciência de que, no nosso dia-a-dia, pessoal ou profissional, precisamos esmagadoramente (digamos que 95%) viver no EU JÁ SEI. É nele que estão nossos parâmetros, nossos valores, nossa convivência social e profissional. E finalmente saber que, se quisermos inovar e mudar, temos que sair deste edifício e, na fertilidade do terreno do EU NÃO SEI (digamos que 5%), buscar o desconhecido e a desordem – a nova ordem que ainda não foi apropriada –, geradores da inovação.

Consultor - SYLVIO ZILBER- CONSULTOR DO INSTITUTO MVC – M. VIANNA COSTACURTA ESTRATÉGIA E HUMANISMO

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