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JB Vilhena
Presidente do
Instituto MVC
Autor do
livro Negociação e Influência em Vendas
CARO É O QUE NÃO VALE
Peguei
emprestado o título deste artigo de uma das palestras que o
prof. José Luis Meinberg - meu amigo e companheiro tanto no MVC
quanto na FGV – brilhantemente conduz. Lembrei-me dessa palestra
quando a Alessandra Assad, Editora da revista Venda Mais,
sugeriu que discutisse com você, leitor, uma questão muito
interessante: como calcular o preço de um serviço?
Em primeiro
lugar é preciso dizer que calcular o preço de serviços não é
diferente de calcular o preço de qualquer tangível. Basicamente
dispomos de quatro metodologias: Precificação baseada em custo
ou mark-up, baseada em taxa de retorno, baseada na
concorrência e, baseada no valor para o cliente.
Na
precificação baseada em custo ou mark-up devemos, em
primeiro lugar, verificar se somos os prestadores do serviço ou
se atuamos como canal de distribuição do mesmo.
Pensemos no
caso dos cartões telefônicos. Ao comercializá-los os canais
adicionam ao preço original uma margem, que deve ser suficiente
para cobrir seus custos fixos e seu lucro. A essa margem nós
chamamos mark-up. Já a operadora de telefonia calcula
todos os seus custos variáveis e fixos. Sobre esses custos é
adicionada uma margem que deve ser capaz de fazer face as
despesas indiretas e ao lucro. Esse cálculo nos leva ao preço
final. Quem tiver dúvidas sobre como fazer isso só precisa
consultar um bom livro sobre fixação de preço (eu sugiro o do
Roberto Assef, editado pela Campus).
Quando o
balizador é a taxa de retorno, calculamos todos os custos
(diretos, indiretos, fixos, variáveis) e verificamos o
percentual que tem que ser acrescido para obter o retorno
financeiro que desejamos. O livro do Assef também ensina a fazer
isso.
Precificação
baseada na concorrência exige constante monitoramento das
praticas do mercado. Podemos decidir cobrar preços acima da
média do mercado (o que aumenta o prestígio do nosso serviço ao
mesmo tempo em que diminui o número de pessoas com renda
disponível para adquirí-lo); na média do mercado (o que tende a
transmitir a idéia que somos mais um serviço a disputar a
preferência do consumidor) ou; abaixo da média (o que significa
que provavelmente uma parcela mais ampla da população estará em
condições de consumir nossa oferta). A escolha da melhor
estratégia de preços dependerá dos critérios de posicionamento
da marca e da definição da velocidade de penetração de mercado
definida pela empresa (serviços mais caros costumam demorar mais
tempo para serem consumidos por parcelas mais amplas de público,
embora ofereçam margens mais elevadas).
Na
precificação baseada em valor temos que ter em mente que o valor
das coisas não está nas coisas. Valor é contextual, perceptivo e
multifuncional. O que isso significa?
Serviços de
cabeleireiro custam mais caro às vésperas do Natal e Ano Novo. A
percepção que um esportista tem sobre os serviços prestados por
sua academia de ginástica é diferente daquela que tem o
sedentário. Finalmente o valor pode ser econômico – o serviço de
um contador, quando do preenchimento do Imposto de Renda. Também
pode ser psicológico (quanto vale o serviço funerário
especializado, quando perdemos um ente querido?). Ou meramente
utilitário (serviços telefônicos não costumam despertar grandes
paixões psicológicas ou econômicas).
Todos esses
são métodos de calculo do valor de um serviço. Mas lembre-se das
sábias palavras do Prof. Meinberg: caro é o que não vale.
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