Edição Nº. 101 - Março de 2007

       

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 Fluxo e Metodologia - Programas MVC

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 MVC = Satisfação Garantida ou .....

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 Certificação: A Saída para as Univ. Corp.

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 Vídeo Palestras Gratuitas

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 Pesquisa de Clima - Test Drive

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 Treinamento: Fazendo Acontecer!

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 Decisão: Razão ou Intuição?

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 Portfolio MVC - Novidades

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 Pocket MBAs - Alternativas para as UCs

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 Palestra na ASTD 2007 - E Novidades

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 Apresentações em PPT

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 Feriados 2007
 

 }} Universidade Corporativa

 }} Negociação

  Sua UC está precisando Inovar?     O Fogo de Encontro e a Negociação

Embora haja muita gente dizendo que o modelo das UCs morreu, discordamos frontalmente disso. Morreu - ou morrerá em breve - aquele modelo que revive a velha visão de treinamento como centro de custos e que tem na empresa sua única fonte de recursos.

JB Vilhena
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Descansando no interior de Minas Gerais, em uma cidade com pouco mais de 2.000 habitantes, fui despertado por gritos de "fogo!", "fogo!", por parte de um grupo de pessoas da cidade, que passava pela rua. Veja o que existe em comum entre o fogo de encontro e a negociação.

Francisco Bittencourt
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 }} Ética

 }} Pensamento Sistêmico

 Valores, Ética e Moral nas Organizações    Treinamento In Company

A sustentação de qualquer organização (família, empresa, cidade, país, planeta) depende de valores, da ética e da formação da moral. Apesar do crescente interesse e exaltação desses assuntos, ainda constatamos uma incômoda imaturidade nas ações da maioria das pessoas, gerando inúmeros problemas  como conflitos, corrupção, assédios, injustiças, etc...

Carlos Legal
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Através de exercícios e estudos de casos os participantes deste treinamento, desenvolvido pelo MVC, serão capazes de encarar problemas, dilemas, desafios empresariais e pessoais de maneira diferenciada e criativa. Com isso serão capazes de produzir resultados que vão surpreender os clientes, a concorrência e a própria empresa.

}}Vídeo-Palestra

 }}Internacional
  Desenvolvimento Profissional=Trabalho + Energia + Tempo     BRIC


 

Você, leitor, sabe o que é BRIC? BRIC é um acrônimo para designar o BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA e CHINA. Tem idéia das implicações que essa sigla traz para sua empresa? Que ações devem ser desenvolvidas por sua organização para se beneficiar do BRIC?



Gilbert Gilles Gerteiny
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}}Gestão de Projetos - Pocket MBA

 }}Vendas
  Treinamento In Company     Se A=B e B=C, logo A=C

Todas as informações disponíveis atualmente apontam como tendência a busca da produtividade, do fazer mais com menos, da otimização de recursos, com ênfase em Gestão de Projetos. Pensando nisso o MVC desenvolveu o Pocket MBA - Gestão de Projetos.

A lógica muitas vezes nos surpreende. Pense no seguinte: Se Luís é bom vendedor de produtos populares e uma indústria de bens de capital precisa de um bom vendedor, por que não contratar Luís? Você o contrataria? É claro que não. Por quê? Porque saber vender corretamente para consumidores finais não significa saber vender para clientes industriais.
JB Vilhena
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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira; JB Vilhena Webdesign: Leandro Santana; Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight:   Maria Teresa Ramos, Aaron Anderson e Consultores do Instituto MVC.

 

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UNIVERSIDADE CORPORATIVA

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JB Vilhena

Vice-Presidente do MVC,

Autor do livro Negociação e Influência em Vendas

 

 

SUA UNIVERSIDADE CORPORATIVA ESTÁ PRECISANDO INOVAR?

 

 

Conta a história que ao defender-se da acusação de ser ímpio – durante o julgamento que o condenaria à morte – Sócrates fez a seguinte observação:

 

- Vós me acusais de não reconhecer os Deuses, apenas os demônios. Mas não são os demônios os filhos maldosos dos Deuses? Seria o mesmo que dizer que acredito nos filhos dos cavalos, mas não nos próprios cavalos.

 

Recorro a essa metáfora para poder afirmar categoricamente que nós do MVC acreditamos nas Universidades Corporativas. Embora haja muita gente dizendo que o modelo das UCs morreu, discordamos frontalmente disso. Morreu – ou morrerá em breve – aquele modelo que revive a velha visão de treinamento como centro de custos e que tem na empresa sua única fonte de recursos.

 

Como ignorar a competência de uma UniAlgar? Lojas Renner? Da Universidade AMBEV e de tantas outras que, de maneira inquestionável, ajudam as organizações que lhes patrocinam a atingir desafiantes objetivos em um mundo cada vez mais competitivo? Seria uma indiscutível tolice.

 

Contudo nossa experiência tem demonstrado que algumas Universidades Corporativas estão precisando reafirmar-se perante seu público interno. Muitas vezes isso acontece porque se limitam a oferecer uma lista de programas e garimpar pessoas para deles participar (o que está ficando cada vez mais difícil). O papel das UCs não se resume a isso.

 

Na nossa opinião, para voltar a atrair as atenções para si, as UCs precisam encontrar formas de evidenciar financeiramente a contribuição que fazem para o sucesso do negócio. É preciso:

 

a)   ser capaz de demonstrar, de forma inequívoca, quantificada e qualificada, como cada real investido retorna ao caixa;

b)   ser capaz de empolgar o público-alvo da UC com ações que evidenciem o ganho de competência daqueles que participam de seus programas.

 

Para a primeira hipótese sugerimos a imediata adoção de duas premissas. A primeira é que seus programas passem a ser avaliados nas quatro dimensões propostas por Donald Kirkpatrick. Uma coisa é fazer uma avaliação de reação para saber se as pessoas “gostaram” do treinamento. Outra é verificar se elas realmente aprenderam o conteúdo fornecido. Depois é preciso saber se estão utilizando aquilo que aprenderam. Por último, é fundamental verificar se a relação “investimento no treinamento X retorno com a utilização daquilo que foi aprendido” é positiva. Existem metodologias para isso e nós teremos o maior prazer em discuti-las com você.

 

Quanto à questão da empolgação dos potenciais clientes, freqüentemente, temos sido convidados para montar programas de certificação para Universidades Corporativas. As vantagens desses programas são imensas, mas vale a pena destacar que, ao participar de um Programa de Certificação as pessoas vislumbram um processo contínuo de desenvolvimento. Como todos sabemos, as empresas consideradas como melhores para se trabalhar atraem pessoas por lhes oferecer uma perspectiva de carreira. A Certificação é uma forma de evidenciar essa intenção.

 

Por quê?

 

Nós, do MVC, acreditamos que, além de formação, é fundamental oferecer aos participantes de programas de treinamento e desenvolvimento algo que permita que, no presente e no futuro, essas pessoas sejam percebidas de forma diferenciada dos demais. É por isso que, cada vez mais, aconselhamos nossos clientes a não investir em ações isoladas de treinamento. Nossa recomendação é que seja feito um Programa de Desenvolvimento, que abranja um horizonte de tempo mais amplo e que, ao final, produza resultados não apenas para a empresa, mas também para o participante.

 

E como conseguir isso?

 

Acreditamos que se devam reconhecer os conhecimentos, habilidades e atitudes que passaram a ser dominadas pelos participantes do Programa. Mas esse reconhecimento não pode ser apenas interno, ou seja, originado e finalizado na própria empresa. Ele tem de transcender as fronteiras da organização e passar a ser um diferencial que os profissionais passam a ter em relação aos seus concorrentes no mercado de trabalho.

 

Achamos que é vital que os profissionais que foram devidamente capacitados possam exibir ao mercado um instrumento que evidencie essa capacitação e conhecimento técnico. Não basta um currículo bem-sucedido (os currículos descrevem as vitórias obtidas, mas não evidenciam a pré-disposição de continuar lutando). É preciso que haja uma comprovação cabal de que o profissional está preparado para novos desafios. Para isso é preciso que tenham sido preparados e depois testados. E os testes que enfrentaram têm de ser capazes de evidenciar que aquele elemento é, de forma inquestionável, possuidor das competências cognitivas, instrumentais e atitudinais que lhe são atribuídas.

 

Pensemos no que significa um certificado ISO para uma empresa. É um atestado de que ela se comporta de acordo com um conjunto de normas universalmente aceitas e adotadas. O que significa ser um Microsoft Engineer? Significa um profissional que demonstrou dominar as ferramentas de software disponibilizadas pela Microsoft. Esses são certificados disputados por muitas empresas e pessoas. Mas são gerais, podendo ser obtidos por qualquer um que se prepare para tal.

 

Que tipo de certificado sua organização fornece aos seus colaboradores internos? Como ela atesta que eles dominam uma determinada área de competência? Isso fica apenas nos registros documentais dos colaboradores?

 

Achamos que o conceito de certificação deva ser expandido para além das fronteiras internas da organização. Acreditamos que uma das maiores evidências de uma preparação bem feita é quando o mercado passa a disputar nossos colaboradores por reconhecer que eles são os melhores recursos disponíveis (por mais que isso gere necessidade de ações de retenção).

 

Se você quiser conversar sobre esses assuntos, envie-nos um e-mail que teremos o maior prazer em compartilhar os resultados que temos obtido.

 

 

Material retirado do Projeto Auditoria de Universidades Corporativas.

 


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NEGOCIAÇÃO

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FRANCISCO BITTENCOURT

Consultor Sênior do MVC, Professor dos MBAs da FGV

 

 

 O FOGO DE ENCONTRO E A NEGOCIAÇÃO

 

 

Introdução

 

Descansando no interior de Minas Gerais, em uma cidade com pouco mais de 2.000 habitantes, fui despertado por gritos de “fogo!”, “fogo!”, por parte de um grupo de pessoas da cidade, que passava pela rua.

 

Ao chegar à janela, que dava para a rua, típica das construções do século XVIII, percebi que o morro localizado em frente à minha casa estava tomado pelo fogo, causado por um rojão (era um dia de festa religiosa, e alguém deve ter lançado um destes rojões, à passagem da procissão e ele caiu no alto do morro).

 

O calor e a falta de chuvas provocou um incêndio, que se alastrou de imediato, tomando uma área significativa, e ameaçando os terrenos e as casas localizadas naquele lado da rua (felizmente minha casa está localizada do outro lado).

 

Não há unidade do corpo de bombeiros na cidade, o mais próximo está localizado numa distância de 30 quilômetros. Restavam os próprios cidadãos, com seus recursos precários (se é que poderiam ser chamados de recursos).

 

Depois de algumas cenas de desespero, o fogo já estava alto, e começava a ameaçar a estrutura de uma dezena de casas localizada ao pé do morro.

 

De repente apareceu um personagem que deixaria Guimarães Rosa com inveja. O Zé Laúza, um “faz-tudo” da cidade, um cidadão de pouco mais de 60 anos, que toma conta de uma das casas da rua, a que fica exatamente em frente a minha, e que pertence a um casal de amigos queridos, que não havia chegado ainda para o feriado.

 

Zé Laúza veio, parou a meu lado e a uma pergunta minha, sobre como resolver o problema, respondeu: é só montar o “fogo de encontro”. Perguntei o que era “fogo de encontro”. E ele me respondeu: “quando você quer convencer alguém de que a idéia dele não presta para nada, o que você faz? Descobre o segredo dele e mostra que você sabe mais do que ele. Como ele é pego de surpresa, aceita a sua idéia. Assim é com o fogo. Tenta descobrir para onde ele vem ou vai, e aí, bota fogo na posição contrária. Quando o fogo que vai (o fogo de encontro) fica frente a frente com o que vem, o fogo acaba”.

 

E assim foi. Dez minutos após a chegada do Zé Laúza e sua idéia, não havia mais fogo, e tudo havia sido preservado, exceto o matagal no morro (não havia plantações, simplesmente mato).

 

Essa experiência me transportou imediatamente para o ambiente das negociações. Substitua-se o fogo por conflito e teremos um recurso importante para nossos processos negociais.

 

O Encontro das Negociações

 

Um ministro importante em seu tempo, pela influência que exercia sobre seus companheiros de governo e de partido, o que incluía o Presidente da República, em determinado momento, sabedor de seu estado de saúde terminal, transmitiu um recado ao presidente, seu superior, mas antes de tudo, amigo: “não se apequene...”

 

Sábias palavras... Tão sábias que aplicáveis em diversos momentos de uma vida produtiva. Em uma negociação é essencial que se tomem algumas medidas para que o conjunto de atitudes e comportamentos que compõem o processo negocial não resvale para o conflito explícito, sem significado, e o que pode ser pior, para um final desastroso (lembre-se sempre do “fogo de encontro”).

 

Diante do interlocutor, com seus objetivos e suas metas, torna-se necessário descobrir qual o caminho que ele pretende tomar, para que possa ser esperado com uma solução. Antes de entender a objeção do interlocutor como um obstáculo faz-se necessário perceber que anseio ou expectativa ele carrega, seja no sentido de obter um esclarecimento mais efetivo, seja de uma outra natureza qualquer, que precise ser atendida.

 

O objetivo em atingir os resultados de uma negociação requer, de seus interlocutores, um conjunto de atitudes voltadas para a consecução dos resultados, quer seja o acordo, quer seja o aprimoramento nas relações produtivas entre as partes negociadoras.

 

Este conjunto de atitudes, a ser aprimorado e consolidado durante a etapa de planejamento da negociação levará ao encontro das expectativas e anseios do interlocutor, facilitando a neutralização, quando não superação das diferenças que dificultam a consecução de objetivos negociais.

 

Orientação para um processo negocial efetivo

 

O conjunto de variáveis que se segue permite o mapeamento que dê a orientação do negociador, com vistas ao encontro efetivo com seu interlocutor:

 

a)   Orientar melhor suas relações com a comunidade negocial: qual é a questão fundamental? Observar o processo negocial como um todo, e não em partes ou dados que não se intercomuniquem;

 

b)   Prevenir, evitar, reduzir problemas, conflitos e perdas: utilização de recursos facilitadores disponíveis que superem as dificuldades decorrentes destas ocorrências;

 

c)   Agir com segurança: saber onde está, com seus passos previstos e bem calculados;

 

d)   Agilizar a memória: um recurso importante da mente humana, a memória, quanto mais utilizada, mais ágil se torna o negociador;

 

e)   Esquematizar e solucionar problemas: dividir o problema de seu interlocutor e o seu próprio problema em partes, esquematizando o problema, e com isso, aprofundar o tratamento de seus vários aspectos, cuidando de sua relevância e importância em relação ao resultado a ser alcançado.

f)    Expandir sua consciência: não se apequenar...[1]

 

Não se apequenar...

 

O negociador é um solucionador de problemas: seus e de seu(s) interlocutor(es). Ao se preparar para um processo negocial, faz-se necessário entender que não deve se limitar somente ao seu universo. Deverá entender, de forma consistente, o universo das pessoas ou instituições com as quais deverá ou precisará negociar.

 

a)   Coragem: abandonar conceitos tradicionais, reconhecer que as coisas estão mudando;

 

b)   Abrir mão: libertar-se de velhas idéias e desenvolver novas idéias;

 

c)    Olhar para dentro: atitude introspectiva para descobrir o que foi feito de bom e o que pode ser melhorado;

 

d)    Compromisso: ser fiel a uma idéia;

 

e)    Know-how: saber como fazer as coisas.[2]

 

 

Entender o contexto da negociação

 

O negociador, diante de seus interlocutores não pode nem deve se limitar a levar em consideração sua visão e sua percepção do processo negocial.

 

Ele faz parte de um contexto mais amplo, pois há variáveis sobre as quais não tem acesso ou controle.

 

Ele deve considerar, portanto, todos os fatores que influenciem, de forma significativa o cenário no qual está inserido: a negociação.

 

Deve considerar, de maneira especial, todo o arsenal de estratégias e táticas que fazem sentido durante os momentos em que estiver frente a frente com seus interlocutores.

 

Vale observar, conceitualmente:

 

  • Estratégia: qual a informação que preciso saber, ou seja, quem está dando, ou onde se encontram as informações necessárias para essa negociação?

 

  • Tática: quem é o responsável pela liberação ou vazamento dessas informações? Qual a fonte mais indicada e a mais eficaz, para o processo negocial?

 

As atitudes negociais devem ser pautadas por um conjunto de características que tenham como finalidade entender o processo a partir não somente de seu ponto de vista, mas também, e principalmente, do ponto de vista do interlocutor.

 

Este “fogo de encontro” permitirá ao negociador deixar de cometer erros que comprometem o processo e, por conseguinte, seu resultado:

 

a)   Verificar o nível de autoridade que possui, para consolidar o processo negocial; a decisão, em uma negociação deve estar fundamentada em uma amplitude capaz de permitir que a decisão tomada, e a atitude assumida diante do interlocutor tenham uma base sólida de consistência e autenticidade;

 

b)   Não dar murros em ponta de faca; verificar se tem competência para alterar determinados aspectos do processo negocial, sem comprometer sua credibilidade como negociador;

 

c)    Não perder tempo com assuntos ou detalhes que, mesmo comprometendo a negociação, não agregam valor ao seu resultado; fugir das “picuinhas” e problemas menores, que provocam fumaça, mas não levam conteúdo à negociação;

 

d)   Verificar se suas iniciativas são capazes de gerar foco nas causas e não nos efeitos, criando soluções apressadas, imediatistas e simplistas, em vez de contribuir para a consolidação do acordo ou outro resultado da negociação;

 

e)   Lembrar-se de que informações, buscadas na fonte certa e utilizadas para acrescentar consistência ao resultado da negociação são sinal de competitividade, e por conseqüência, de competência negocial;

 

f)    Não permitir que a pressão ou fatores externos decida por ele na negociação. Segundo Peter Drucker o sinal básico de eficácia é não permitir que a pressão decida pelo decisor (negociador); quanto mais o negociador (decisor) permitir que a pressão decida por ele, esvai-se sua competência decisória (negocial);

 

g)   Identificar claramente qual é o perfil da situação-problema que permeia o processo negocial; conhecer o problema, antes de partir para as opções negociais;

 

h)   Associar a melhor alternativa encontrada para a solução do problema negocial provavelmente é a melhor solução a ser adotada; mas esta possibilidade somente se tornará real se todo o mecanismo de pesquisa prévia for utilizado adequadamente durante o planejamento negocial, e não sob a pressão do confronto;

 

i)    Identificar, adequadamente, as conseqüências dos impactos de cada uma das alternativas negociais em relação ao resultado a ser alcançado; não se deixar levar pelo “canto da sereia” de uma possibilidade fácil de ser entendida e adotada, mas sem impactos relevantes em relação à solução do problema a ser alcançada.

 

j)    Definir claramente, durante o planejamento negocial, que critérios adotará para a decisão do problema; uma decisão sem fundamentos em critérios objetivos e auto-explicáveis poderá resultar em uma solução artificial e sem consistência;

 

k)   Planejar de forma eficaz a implantação da solução, ou das alternativas de solução a serem adotadas; este cuidado permitirá identificar mecanismos de controle e consolidar o aprendizado com a experiência no processo negocial;

 

l)    Verificar se há interação entre os componentes da decisão negocial e os responsáveis pela sua implementação; o diálogo e a comunicação inconsistente poderá resultar em uma redução significativa da qualidade do acordo ou resultado negocial, por falta de coerência na “ponte” entre os que decidem e os que executam o acordo ou decisão negocial;

 

m)  Verificar a viabilidade de implantação completa do que foi decidido ou acordado; a inviabilidade de algum detalhe ou parcela da decisão pode implicar nova renegociação ou revisão da discussão; ter sempre presente, além de sua melhor alternativa para um acordo ou decisão negocial, o plano “B”, alternativo que possa ser imediatamente acionado;

 

n)   Evitar que alguns pontos da decisão negociada ou acordada sejam fruto de uma imposição não consensada; lembrar-se que o consenso leva ao comprometimento, ao engajamento, a obrigação espontânea; a decisão imposta, fruto de uma ação da maioria leva à obediência, mas nunca à espontaneidade consensual.

 

“Saber solucionar problemas e tomar decisões estão entre as ações mais significativas de um negociador. A alternativa a isso é a barganha de propostas”.[3]

 

O negociador - empreendedor e a negociação

 

A negociação é um privilégio do homem, pois somente ele, entre tantas espécies é capaz de negociar.

 

A negociação, portanto, envolve a capacidade do homem de entender seus objetivos, suas prioridades e o seu real interesse, no sentido de que alguma meta seja alcançada.

 

No momento em que ele negocia seu objetivo será compartilhado por outros, que, com ele se envolvem nesta ação visando um determinado negócio.

 

Os negociadores-empreendedores se caracterizam por sua capacidade de identificar novas oportunidades de negócio, um novo espaço a ser ocupado e uma provável nova chance de desenvolver um novo produto ou idéia.

 

A negociação, como instrumento de ação é fundamental, para que empreendedores a adotem como mecanismo de busca de resultados, componente fundamental para a consolidação de sua liderança nos negócios e uma peça essencial para que haja o comprometimento de todos os envolvidos na empreitada.

 

Diante de tudo isto, por que não buscar, no processo de confronto com outros negociadores, o resultado que conseguirá superar todos os obstáculos do processo no qual estão envolvidos? Por que não buscar, no “fogo de encontro” um elemento de superação das diferenças de interesse e, em função de uma nova realidade atingir o esperado, para os lados envolvidos? Em função de todo este esforço, por que não negociar?

 

 

Material retirado do Pocket MBA Competência Organizacional em Negociação.


[1] CONTE, Dirce e FEIGES, Maria Aparecida. Persuator – Persuasão e Influência. RJ: Qualitymark, 2000.

[2] JÚLIO, Carlos Alberto. A Magia dos Grandes Negociadores. RJ: Elsevier, 2005.

[3] WANDERLEY, José Augusto. Negociação Total – Encontrando Soluções, Vencendo Resistências, Obtendo Resultados. RJ: Editora Gente, 2000.

 


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ÉTICA

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CARLOS LEGAL

Consultor Sênior do Instituto MVC,

com mais de 20 Artigos Publicados nas Maiores Revistas de RH e Management do Brasil

 

 

VALORES, ÉTICA E MORAL NAS ORGANIZAÇÕES:

ERROS E ACERTOS

 

 

A sustentação de qualquer organização (família, empresa, cidade, país, planeta) depende de valores, da ética e da formação da moral. Apesar do crescente interesse e exaltação desses assuntos, principalmente nos ambientes corporativos, ainda constatamos uma incômoda imaturidade nas ações da maioria das pessoas, gerando inúmeros problemas como conflitos, corrupção, assédios, injustiças, etc.

 

Um valor é a consideração por uma atitude apreciada ou estimada por alguém. Assim, valores são apropriados quando demonstram certas atitudes éticas, sendo um padrão de conduta apropriado sempre originado na maneira pela qual eu desejo que os outros me vejam ou me tratem. O que espero ou desejo dos outros se torna meu padrão ético e originam-se da consideração inerente e comum ao próprio interesse e conforto. Por isso, padrões éticos são naturais e universais e formados por valores universais (a exemplo da verdade e da não-violência encontrados em muitos tratados filosóficos e popularizados por Mahatma Gandhi no exercício da liderança). No entanto, valores como competência, competitividade, foco em resultados ou eficiência, encontrados em muitos Códigos de Ética não são valores universais ou éticos, mas sim, um tipo de valor necessário e associado ao desenvolvimento da organização.

 

Etimologicamente, ética deriva do grego Êthos e Ethos, que significam respectivamente “habitat, morada, abrigo” e “conduta, comportamento”. Ética envolve os aspectos físicos e comportamentais que nos permitem utilizar, de forma harmônica e sustentável, todos os bens da vida, possibilitando que nossos descendentes também o façam. Numa abordagem mais ampla, ela existe para garantir a sobrevivência de todos. Entretanto, a ética não é um valor por si só, mas um conjunto de valores implícitos, íntimos e estimados pelo indivíduo, que deve orientar suas ações e maneira de se relacionar com os outros. Por outro lado, a moral vem do grego Mores que significa “regra, norma”, sendo, portanto um conjunto de princípios explícitos e coletivos que também têm a mesma função, no entanto é um conjunto de regras formais que devem ser aceitas por um grupo de pessoas inseridas numa certa comunidade.

 

Temos visto muitas organizações desenvolvendo e publicando seu Código de Ética, quando na verdade deveria ser chamado de Código de Moral/Conduta. A ética, quando bem compreendida diz respeito a um comportamento comum que abrange a “todos os seres” (universalidade), enquanto a moral é pertencente a um grupo especifico. Uma ação de responsabilidade social e ambiental, por exemplo, é considerada ética por contemplar o cuidado com “todos os seres” (comunidades, fauna, flora, etc.).


 

 

Padrão Ético

Padrão Moral

Íntimo, interno

Externo

Vem de dentro para fora

Vem de fora para dentro

Subjetivo, depende do contexto

Objetivo, associado a regra

Flexível

Rígido

Vital

Às vezes, mortal

Baseia-se na no senso e bem comum, a respeito do que é a conduta aceitável pela consciência do indivíduo

Baseia-se no certo / errado, fornece uma conduta aceitável pela imposição da organização ou pela maioria

Autonomia e responsabilidade

Compulsório

Valores universais

Valores regionais

 

Constatamos então que a ética fornece a base para moral, enquanto os valores universais a base para a ética. Nas relações sociais percebemos diversas situações que atendem a moral, mas infringem a ética e vice-versa.

 

Um chefe/colega que opta por não punir/denunciar o funcionário que fez mau uso de um ativo da empresa ou apresentou um comportamento inadequado (violência, assédio, oportunismo, etc.), mas prefere ter uma conversa franca e assertiva, indicando ao colega o seu comportamento inadequado, pode ter infringido o Código Moral da empresa (quando este orienta a punição/denúncia), mas demonstrou um comportamento ético na solução de um problema, dando uma segunda chance ao funcionário que precisa do emprego. Neste caso, ocorre a prática dos valores universais da verdade e não-violência e a ética prevaleceu sobre a moral.

 

Por outro lado, o gerente que demite um bom funcionário subordinado a um chefe demitido por lesar a empresa, sem antes averiguar o real envolvimento do funcionário, age em não conformidade com os valores da verdade e não-violência, infringindo a ética, mas considerando o Código de Conduta. Neste caso, prevaleceu a moral sobre a ética.

 

Essas reflexões são polêmicas, mas nos mostram o quanto nossas decisões e ações devem se pautar por valores universais, onde a ética sustenta a conduta e a moral. O padrão ético deve ser baseado em três princípios:

  • No senso e bem comum, a respeito do que é a conduta aceitável (bem de todos);

  • Valorização da singularidade;

  • Autonomia e responsabilidade individual pelo todo.

A saúde organizacional depende do equilíbrio entre os diversos valores praticados na empresa (valores éticos, desenvolvimento e econômicos). Os valores devem ser desenvolvidos a partir da consciência e da educação, nunca por regras rígidas. Somente quando reconhecemos a importância de um valor em nossas vidas pessoal, profissional e social estaremos dispostos em assimilá-lo e praticá-lo. A diferença é que o valor assimilado não exige escolha da minha parte, torna-se espontâneo. Para um valor não-assimilado tornar-se valor assimilado preciso:

  • Exercitá-lo deliberadamente até que esteja convencido de seu valor. Para se tornar espontâneo devo considerar seu valor na minha vida pessoal;

  • Reconhecer os resultados danosos (médio e longo prazo) da ausência do valor.

O ambiente corporativo é uma oportunidade para melhorar a sociedade. O desafio e responsabilidade das organizações é educar e desenvolver pessoas em valores universais e comuns, tornando-as mais éticas, equilibradas e sadias. A sociedade ganha muito com isso.

 

Material publicado originalmente na revista Profissional &  Negócios e retirado do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.

 

 

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INTERNACIONAL

 
 

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Gilbert Gilles Gerteiny

Professor e Consultor Internacional do Instituto MVC

 

 

BRIC

 

 

BRIC é um acrônimo para designar o BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA e CHINA.

 

Esta sigla[1] apareceu pela primeira vez em 2003 numa tese do Banco de Investimento Goldman Sachs, de autoria do economista Jim O’Neill, cujo tema principal era demonstrar que a economia dos paises do BRIC ia rapidamente se desenvolver e eclipsar, até 2050, as principais potências econômicas atuais como USA, Japão e União Européia (EU).

 

A sigla BRIC foi também usada em referência a um possível acordo comercial, político e militar assinado em 2002 por estes quatro países. A sigla empregada pelo Goldman Sachs surgiu como um nome genérico para designá-los e também designar os novos países industrializados.

 

As perspectivas de crescimento econômico dos paises do BRIC são as mais elevadas para o século XXI. E eles aspiram tornarem-se potências mundiais (mesmo titulo que os Estados Unidos, União Européia e Japão). Poderia ser o contrapeso do G7[2].

 

Hoje O’Neill, se tivesse de repensar sua denominação colocaria BRIMC, incluindo o México que possui todos os atributos para alcançar, ele também, um desenvolvimento rápido.

 

Eis alguns comentários de Jim O’Neill (23 de outubro de 2006)

 

“Globalmente as coisas andaram mais rápido que eu imaginava, em particular para a China e a Rússia. Há cinco anos a taxa de crescimento destes dois países ultrapassou nossas previsões. Neste domínio, só o Brasil não fez melhor do que antecipamos. Entretanto subestimamos há cinco anos a simbiose natural que existe entre estes paises, por que a Rússia e o Brasil são ricos em matérias-primas que a Índia e a China necessitam. Isto se traduz num forte desenvolvimento do comércio entre estes quatro países. Em 2001, pensávamos que seu PIB ultrapassaria os países do G7 em 2042. Acreditamos hoje que isto acontecerá em 2035”.

 

“Apesar de nossas previsões razoáveis o crescimento do Brasil nos decepciona um pouco. O handicap do país se deve ao atraso de sua urbanização em relação à China, Índia e, de certo modo, Rússia. Isto explica que nosso modesto objetivo: 3.2% por ano para este decênio. Mas o que nos amedronta é a ausência de reformas macroeconômicas o que permitiria ao setor privado se desenvolver. O Estado é muito presente, muito influente, mesmo se ele tem a seu crédito a estabilização do ambiente macroeconômico, notadamente a inflação. Progressos que os pessimistas subestimam totalmente. Por outro lado, o Presidente Lula foi muito mais favorável ao mercado do que se esperava. No interesse do Brasil, a dupla missão do futuro governo será de incitar ao investimento e de reduzir o papel do Estado”.

 

Criticas

 

O conceito de BRIC foi criticado por causa dos fatores mais ou menos imprevisíveis que poderiam intervir e impedir a realização dos objetivos. Notadamente as questões ambientais, os conflitos internacionais, as doenças, o terrorismo e também a gestão dos recursos energéticos.

Os paises do BRIC têm populações imensas abaixo do nível de pobreza, situação que poderia desencadear um mal estar social crescente e estourar as finanças governamentais. A Rússia está em declínio demográfico há diversas décadas, o que poderia ter um impacto importante no seu futuro.

 

Desde o ano 2000, os problemas ambientais da China, ligados à aceleração de sua economia se tornaram alarmantes; sua poluição atmosférica pode provocar um freio em seu rápido desenvolvimento.

 

Considerações

 

A emergência dos países do BRIC no comércio internacional muda o clima de nossa economia sob diversos aspectos: concorrência em outros mercados, utilização e custos dos recursos.

 

Os prejuízos talvez sejam menos importantes caso as MPEs dos países desenvolvidos estejam bem preparadas. Neste contexto, elas poderiam mesmo descobrir oportunidades.

 

No seio das empresas, uma mobilização de todos é necessária; neste caso todas as funções devem ser comprometidas. Não basta somente investir na robotização, mesmo tendo a possibilidade, é preciso muito mais.

 

Recomendações

 

Eis como vislumbramos o comprometimento de alguns departamentos da empresa:

 

  • A direção financeira deverá rever o patamar da sua rentabilidade, revisar os preços de custo sob três ângulos e discutir com os parceiros financeiros sobre os novos programas de modernização.

  • A direção de vendas e de marketing deverá informar melhor à organização sobre a nova concorrência e também sobre a reação dos concorrentes já existentes.

  • A direção de recursos humanos deverá revisar a repartição das tarefas a fim de ajudar a reduzir custos indiretos e baixar o patamar de rentabilidade.

  • A direção de produção deverá identificar as medidas de melhoria e propor um programa de modernização; sobretudo não investir às cegas.

  • A direção de compras deverá buscar novas economias e assegurar as fontes de abastecimento, caso necessário.

  • Finalmente a direção geral e os acionistas deverão, além de coordenar todas as ações, rever o posicionamento estratégico da empresa e buscar todas as formas de ajuda possível de consultores, parceiros, associações de classe e, também, de agências governamentais.

 

Quando o vendaval aparece na tela do radar, não basta chamar a sala de máquinas para acelerar os motores a fundo: Precisa-se alertar a equipagem e pedir a todo mundo sua contribuição para enfrentar a tempestade.

 

Material retirado de nosso Programa Negociações.

 

[1] Acrônimo (do grego κρος, akros, « ao fundo, extremo » e νομα, onoma, nome) é a abreviatura de um grupo de palavras formado pelas iniciais destas palavras.

[2] G7 : Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Japão, Itália e França.

 

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VENDAS

 

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JB Vilhena

Vice-Presidente do Instituto MVC e coordenador acadêmico do MBA em Gestão Comercial da FGV

 

 

Se A=B e B=C, logo A=C

 

 

A lógica muitas vezes nos surpreende. Pense no seguinte: se Luis é bom vendedor de produtos populares e uma indústria de bens de capital precisa de um bom vendedor, porque não contratar Luis?

 

Você o contrataria? É claro que não. Por quê? Porque saber vender corretamente para consumidores finais não significa saber vender para clientes industriais. Vamos verificar algumas diferenças.

 

A primeira está na pré-venda. Quando vendemos para consumidores finais (que compram para consumo próprio) normalmente temos pouco tempo para nos informar sobre suas necessidades e desejos. Um cliente entra na loja disposto a comprar uma roupa. Temos poucos minutos para interagir com ele e procurar oferecer o produto mais adequado a sua necessidade. Mas ninguém entra em um estaleiro porque está com vontade de comprar um navio.

 

O processo de venda de bens industriais exige uma pré-venda muito mais elaborada. Não basta conhecer o comprador. É preciso conhecer muito bem a empresa, seus pontos fortes e fracos, principais concorrentes, estratégias de crescimento, posicionamento e todo um amplo conjunto de características que serão decisivas na hora de começarmos a propor nossa solução. Isso tudo demanda tempo e investimento, além de exigir do vendedor conhecimentos muito mais profundos sobre estratégia e análise da indústria.

 

Uma segunda diferença gritante está na venda propriamente dita. Enquanto para consumidores finais o principal foco costuma ser o preço (desde que ele ache que a oferta lhe agrada) com clientes industriais é preciso negociar logística, customização, contratos, projetos, terceirizações, fontes de financiamento e toda uma infinidade de questões técnicas. Nessa hora a habilidade do vendedor não pode ficar restrita a saber oferecer um bom desconto para que o consumidor decida imediatamente se vai ou não comprar. Nosso vendedor industrial tem que saber administrar um longo ciclo de vendas, que passa por muitas marchas e contra-marchas até que o cliente se decida a comprar.

 

No pós-venda vamos encontrar outro conjunto de diferenças. Enquanto nas vendas de varejo o acompanhamento do cliente normalmente é feito através de um SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente – nas vendas industriais o vendedor tem de assumir para si o trabalho de acompanhar tudo o que acontece depois que o cliente recebe o bem que adquiriu. Isso significa a necessidade de investir tempo, talento e conhecimento para ajudar o cliente a tirar o melhor proveito possível da solução que lhe foi vendida.

 

Também poderíamos destacar que as vendas industriais normalmente demandam vendedores que são técnicos especializados naquilo que vendem, que a forma de remuneração desses vendedores não pode ser apenas uma comissão sobre volume vendido (em função dos longos ciclos de venda), que os gerentes de vendas industriais precisam de um preparo muito mais longo e complexo e outras tantas questões. Mas isso fica para um próximo artigo.

 

Material publicado originalmente na Revista Venda Mais e retirado do Pocket MBA Desenvolvimento de Gestores e Profissionais de Vendas.

 

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