MARCELO THALENBERG
Consultor Sênior do Instituto MVC.
Autor dos livros: Socorro! Roubaram o meu Tempo e Managing Your
Business with Outlook For Dummies!
E-MAIL: GERENCIANDO LIXO OU INFORMAÇÕES?
Quando nós falamos em enviar um e-mail, na realidade queremos
dizer: enviar algum texto digitado, foto, documento, planta,
diagrama, planilha transportado pelo sistema de correio
eletrônico. Logo o e-mail é um veiculo de transporte de
informações eletrônicas, assim como o correio tradicional é um
veiculo de transporte de comunicações físicas, tais como cartas,
pacotes e até telegramas.
Tudo que é transportado por meio eletrônico pode ser copiado e
armazenado indefinidamente. A questão essencial é o que deve ser
arquivado e gerenciado como documento eletrônico e qual a
validade? Será que o e-mail da Marianinha para o Chicão, com o
texto “até amanhã, bom descanso” tem valor para ser gerenciado
como documento? Com certeza não; educar o usuário pode eliminar
a existência de e-mails desnecessários até antes de serem
digitados.
A
sociedade moderna para garantir direitos individuais de
comunidades e de empresas, cada vez mais exige a monitoração do
que acontece em ambientes empresariais como, por exemplo, o
assédio sexual. Será que um texto de assédio sexual enviado por
e-mail entre colegas de uma empresa gera problemas legais?
Assédio sexual por e-mail é motivo para justa causa
O assédio sexual também se caracteriza quando não há relação de
subordinação. A decisão é do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região (São Paulo) e inova a jurisprudência sobre o tema. Até
agora, só se admitia assédio sexual quando o ato partia do chefe
para seus subordinados.
Os juízes paulistas rejeitaram recurso a um ex-funcionário da
LBV — Legião da Boa Vontade contra sentença da 11ª Vara do
Trabalho, que confirmou sua demissão por justa causa. As
informações são do TRT paulista.
De acordo com o processo, o empregado — que trabalhava como
auxiliar de pessoal — foi demitido em virtude do teor de e-mails
que enviava para suas colegas. Neles, ele se apresentava,
anonimamente, como “Paco Rabane” e “Cachorrão 17 cm”.
Em uma das mensagens, ele disse estar “fortemente atraído” pela
colega. Para outra, afirmou que estava “muito feliz” com fim do
casamento dela. “Eu adoraria ser seu amante. Um beijo molhadinho
no cantinho da boca” escreveu a uma terceira.
Para o juiz Sérgio Pinto Martins, relator do recurso em segunda
instância, “não se pode compactuar com procedimentos como os do
reclamante (o ex-empregado), que não tem educação e respeito
para com outras pessoas, especialmente por mulheres, mormente as
casadas”.
“Durante o serviço, o reclamante também não poderia usar o
computador para mandar e-mails de forma desrespeitosa para
outras pessoas. O reclamante deveria trabalhar durante o horário
de serviço e não enviar e-mails como os mencionados”, afirmou
Martins.
De acordo com ele, “o empregado tem o dever de trabalhar para
receber pela prestação de serviços. Não pode ficar fazendo
brincadeiras e usar o equipamento da empresa para condutas como
as descritas. Seu procedimento não é, portanto, correto”.
A 2ª Turma do tribunal acompanhou o voto do juiz relator por
unanimidade, mantendo a demissão do auxiliar por justa causa.
RO 00911.2002.011.02.00-0
O
caso relatado é um entre muitos outros onde o e-mail foi aceito
como documento legal e gerou custos desnecessários à empresa.
Softwares, firewalls, análise de conteúdo de mensagens e
sistemas de backups, servem para monitorar fatos legais e até
prejudiciais ocorridos na empresa; Mas como prevenir e evitar
que aconteçam?
Como a maioria dos usuários nunca foi educada para usar o e-mail
, apenas uma instrução para usar foi recebida: “Este é seu
endereço de e-mail, envie e receba comunicações com ele. (se
vira) “. Cada um trabalha com seu jeito particular, mas mistura
o padrão para uso do correio impresso àquele que se refere à
comunicação oral e emocional. Pergunte à sua equipe se tem
problemas com e-mails. Mais de 95% vão afirmar que sim, mas ao
mesmo tempo não querem ser censurados. Criar e enviar uma regra
de uso de comunicação por e-mail de cima para baixo na empresa
não vai pegar.
A
solução exige mudança de atitude, começa com palestras de
conscientização sobre o uso do e-mail e produtividade, sempre em
um ambiente participativo. Em um segundo momento discussões de
grupo identificam problemas e o facilitador ajuda a equipe a
chegar a uma solução por vez.
Palestras de conscientização nos ajudam a identificar
comportamentos típicos de personagens tais como a Capitú Leira
que, em sua ansiedade, ao invés de responder aos assuntos de uma
só vez, divide-os em 38 capítulos. Outro caso é o do Mark Eteiro
que espalha e-mails para todas os colegas e amigos, falando
sobre a excelência de seu trabalho e de sua equipe.
Através da identificação desses comportamentos e processos a
equipe toma consciência dos respectivos problemas e passa a
questionar o conteúdo e-mails e quem , realmente deve
recebê-los.
Sugerimos algo bastante simples; ao receber um e-mail que não é
de seu interesse, delicadamente, comunique isso ao remetente.
Para solicitação de tarefas e marcação de reuniões, procure
utilizar o MS Outlook com servidor Exchange ou Lotus Notes.
Classificar o material que chega e armazená-lo em pastas
diferentes transforma sua a caixa de entrada em uma ferramenta
dinâmica e não em um depósito de lixo.
Assuma a responsabilidade por educar sua equipe; a comunicação
eficaz reduz o lixo e transforma o conteúdo de seus e-mails em
documentos fáceis de gerenciar.
MATERIAL
RETIRADO DOS PROGRAMAS ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E GESTÃO DO TEMPO
NA ERA DA INFORMAÇÃO
Voltar