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Marcelo Boog
Diretor de
Pesquisas de Clima Organizacional do Instituto MVC
e do Sistema
Boog de Consultoria.
ERROS E ACERTOS EM PESQUISA DE CLIMA
Temos observado o comportamento e as demandas de dezenas de
empresas que conduzem Pesquisas de Clima Organizacional.
Encontramos diversos aspectos corretos na condução destes
projetos e também uma série de erros (que devem ser evitados),
muitos deles comuns e recorrentes em vários casos.
Não estou me
referindo a erros conceituais ou de interpretação de um
colaborador que desconhece o instrumento, como o de achar que a
pesquisa de clima é uma avaliação de desempenho, ou pensar que
“respondendo a pesquisa receberei um aumento salarial”,
mas de erros que são provocados pela empresa, seja na direção ou
no RH, seja no planejamento ou na execução.
ANTES
Antes de iniciar um projeto desta natureza, cada empresa
deve ter muito claros e definidos quais são os reais objetivos
que a levam à pesquisa. Muitas vezes aí nasce o primeiro erro:
fazer por modismo/ fazer só para ver como andam os ânimos /
fazer por fazer. A direção da empresa deve estar compromissada
com o projeto, e não o encarando como “mais um daqueles
projetos da área de RH”. A falta de comprometimento leva a
baixa qualidade no processo, e o instrumento deixa de ser uma
solução potencial e passa a ser um problema.
É equivocado ter objetivos “não legítimos” para com a
pesquisa. Ex.: fazer a pesquisa para servir de argumento para a
demissão de um determinado profissional; ou satisfazer uma
curiosidade pessoal de um gestor. O objetivo essencial de uma
Pesquisa de Clima deve ser alinhado com o desenvolvimento
organizacional.
Se a empresa decide fazer uma pesquisa, vem então a primeira
grande decisão: fazer por conta própria ou fazer com o apoio de
uma consultoria externa. Não há erros nesta decisão, e ambas
podem apresentar bons resultados, desde que os devidos cuidados
sejam seguidos. Em cada uma delas há prós e contras a serem
avaliados.
Caso a empresa opte por
conduzir o processo sozinha, há de se verificar e assegurar uma
série de itens para que haja sucesso no processo. O maior risco
é de que os resultados sejam “mascarados” pelo medo de ser
identificado. Assim, muitas vezes, os colaboradores mentem em
suas respostas, gerando um resultado final falso, que de nada
ajuda a empresa. Para evitar esta situação, existem técnicas e
alternativas que podem ser exploradas em treinamentos em
Pesquisa de Clima, dirigidos aos profissionais encarregados pela
execução do projeto.
Se a empresa preferir, pode contratar uma consultoria para
conduzir o processo. Aí pode existir outro erro potencial:
contratar exclusivamente por custo. Sempre existirá alguém
disposto a cobrar menos por um determinado serviço,
independentemente do que se está contratando – seja um serviço
de pintura para sua casa, seja a manutenção de seu carro, seja
uma consultoria especializada. O ideal é contratar uma
consultoria que agregue valor ao projeto, como customização sob
medida, recomendações e apoio para a gestão do clima, ações
preventivas e corretivas para a gestão, etc., o que vai muito
além da simples análise estatística da tabulação dos dados.
Ao iniciar uma pesquisa de clima organizacional, a empresa
assume uma série de compromissos, como de transparência, de
confidencialidade nas respostas e de participação facultativa.
Não honrar estes compromissos, por mais obvio que pareça, é um
erro grave (e infelizmente não tão raro), que afeta a
credibilidade do processo e da própria empresa, muito
provavelmente de forma permanente.
DURANTE
A aplicação de uma Pesquisa tem uma série de etapas, e em
cada uma delas um conjunto de potenciais erros a serem evitados.
Alguns erros:
-
Formulário
desalinhado com os objetivos e/ou incompleto
-
Falta de
uma determinada segmentação ou excesso delas – há um
equilíbrio entre a quantidade de colaboradores e a
quantidade de segmentações. Não se deve ter excesso e nem
falta de extratos e análises.
-
Omissão na
fase de divulgação prévia
-
Coletar
dados em uma amostra extremamente pequena
-
Coletar
dados na totalidade e esquecer de alguém
-
Tempo
excessivamente longo ou curto para respostas
-
Procurar
identificar as respostas
-
Problemas
logísticos/ cronograma
-
Problemas
no relatório
DEPOIS
Talvez o maior de todos os erros que se possa cometer seja o
de não se fazer nada no pós-pesquisa. Este é um erro que leva a
uma série de conseqüências como a frustração das expectativas
geradas e o desperdício de tempo, de energia e de dinheiro. Ao
“engavetar” o relatório não existirá a geração e a realização de
um plano de ações. Pior do que isso, este fato “queima” a
ferramenta, que dificilmente terá sucesso em uma segunda
tentativa, mesmo se passado alguns anos. A reação dos
colaboradores ao “engavetamento” é a frustração, o descrédito e
a desmotivação.
A ação correta da empresa é divulgar os principais
resultados da pesquisa, por piores que sejam, juntamente com o
plano de ações elaborado. A empresa deve procurar ainda envolver
e preparar as pessoas, para que estas sejam, efetivamente, parte
das soluções.
MATERIAL RETIRADO DAS
PESQUISAS DE CLIMA DO INSTITUTO MVC
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