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Denize
Dutra
Consultora
Sênior do MVC
Professora
dos MBAs Executivos da FGV
O DESAFIO
DA CAPACITAÇÃO DA “NOVA GERAÇÃO”
Todas as avançadas
tecnologias disponíveis hoje exigiram que as gerações anteriores
e aquela que cresceu simultaneamente a estes avanços tivessem
que se rapidamente aprender a utilizá-la em seu favor para
sobreviverem, em especial, no mundo corporativo. No entanto, a
geração que nasceu e está crescendo em convívio direto com estes
novos padrões, tem uma relação totalmente diferenciada com a
tecnologia e suas necessidades são outras.
Mergulhando no tema tive
vários “insights” sobre o cotidiano com as crianças e
jovens desta nova geração e comecei a perceber, porque eles são
tão imediatistas no que buscam não conseguem adiar as
satisfações. Percebi que afinal eles já nasceram plugados: basta
clicar o mouse e eles têm qualquer informação em tempo real. Em
segundos conseguem contactar-se com qualquer parte do mundo e
satisfazer sua curiosidade, informar-se, divertir-se até
relacionar-se.
Percebi o quanto, para nós,
esta geração de transição, que teve de se adaptar rapidamente a
este “admirável mundo novo”, ainda é difícil direcionar o nosso
trabalho para estes novos paradigmas de aprendizagem, que
exigirão uma total revisão na forma como estamos “capacitando”
as pessoas hoje.
Precisamos ter o compromisso
de descobrir as “novas fórmulas” para continuarmos nos
intitulando “Gestores de Pessoas”, senão, vamos aumentar o “gap”
entre as gerações. Nosso desafio é buscar o equilíbrio entre a
valorização da experiência dos mais velhos e a necessidade de
conectividade, com a capacidade de responder rapidamente e de
inovação, atributos dos mais jovens.
Este artigo tem por objetivo
levar o leitor a refletir sobre as diferenças entre essas
gerações e a entender quais são os desafios da capacitação desta
nova geração e, por conseguinte, qual é o nosso papel como
gestores de pessoas e profissionais que atuam nesta área, em
relação a estes desafios?
Primeiro, vale identificar de
que gerações estamos falando, conforme veremos no quadro a
seguir:
|
“BOOMERS” |
“GERAÇÃO X” |
GERAÇÃO NET |
|
Nascidos entre
1945/1965 |
Nascidos entre
1965/1977 |
Nascidos a partir de
1977/... |
|
Otimista
Lado
positivo |
Cético
Questionador |
Consciência e
Conexões globais |
|
Trabalho duro
Envolvimento
Crescimento pessoal |
Independência
Autoconfiança
Questiona autoridade |
Realização
Diversidade
Colaboração |
|
Têm
conhecimento e experiência, mas são cercados de temor |
Sente-se a vontade
Proficientes na tecnologia |
Tecnologia é algo natural na vida |
|
Gostam de aparecer
e ser
“responsáveis
pelo
show” |
Não
gostam de aparecer, mas gostam de controlar coisas |
Gostam de ser parte do show. |
Enquanto a geração “boomers”
e “X” tiveram que se adaptar a tecnologia, a geração net, não
sabe o que é viver num mundo sem ela.Tais diferenças, nos
permitem compreender que estas gerações têm formas de aprender
distintas. As duas primeiras tinham um ritmo uniforme e pausado,
as instruções e diretrizes eram centradas no
instrutor/facilitador, seu foco era o conteúdo, a abordagem
absolutamente linear e cartesiana e a utilização de métodos e
técnicas de caráter mais lúdico exigia excessiva cautela. Em
contrapartida, os “younger learners” possuem um ritmo muito mais
acelerado, necessitam de incentivo à interação e de engajamento
no processo para que a aprendizagem seja significativa para
eles. Gostam do lúdico e do divertido e precisam ter variedade
de canais/mídias (visuais, auditivos, sinestésicos,etc.).
Se muitas vezes não
conseguimos sequer compreender o que eles falam, temos muito que
aprender, sobre como ensiná-los a aprender!
Na verdade, a capacitação é
uma parte do processo de educação do indivíduo. Ela visa tornar
o outro capaz de “alguma coisa”, e isto, significa desenvolver
competências técnicas e emocionais, na medida em que competência
é um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que são
críticos para desempenhar determinada função em determinado
negócio.
Por isto, a capacitação deve
basear-se em alguns princípios da aprendizagem:
-
O sujeito é AUTOR de sua
vida e é o responsável por sua própria aprendizagem
-
É preciso ter desejo de
aprender e em geral, só aprendemos aquilo que sentimos
necessidade.
-
Aprendemos fazendo. A
Aprendizagem se centraliza em problemas e os problemas devem
ser reais. É preciso fazer sentido para o indivíduo.
-
Os novos conhecimentos
devem ser relacionados com suas experiências anteriores e
integrados às mesmas, exige uma “construção”.
-
Aprendemos melhor em
ambiente informal e descontraído. A aprendizagem não é
unilateral.
Isto nos remete a idéia de
que a capacitação desta nova geração exige uma linguagem clara,
objetiva e simples, que haja relação com os objetivos e
interesses da pessoa, que utilize diferentes formas, que seja
mais informal e baseada no diálogo e não numa relação de poder
entre quem ensina e quem aprende, que haja mais demonstração e
menos “bla-bla-bla”, que as atividades trabalhem os dois
hemisférios cerebrais (razão&emoção),
As pesquisas comprovam que
dentre os cinco sentidos a visão é o que exerce maior influência
sobre o processo de aprendizagem (83%), o que também favorece o
uso da tecnologia como ferramenta de aprendizagem.
É preciso manter a atenção do
aprendiz, incitar a sua curiosidade, contextualizar os conteúdos
em relação àquilo que tem significado para ele.
Sabemos que o uso da
tecnologia tem em si mesmo alguns paradoxos como:
Acessibilidade X
Inacessibilidade (afinal uma minoria tem da população mundial
tem acesso); Une X Divide ( o quanto as famílias deixam de
interagir enquanto as pessoas estão mergulhadas nos
computadores) Físico X Virtual ( em muitos casos as pessoas se
escondem do contato pessoal); Conexão X Desconexão; e Inclusão
Social X Alienação Social (devido a restrita acessibilidade).
Ficam então alguns
desafios:
Que ações práticas podem ser
aplicadas à realidade da sua empresa, consideradas as diferenças
culturais e de investimentos? - Como temos nos preparado para
enfrentar estes novos desafios de trabalhar com uma geração que
vai aprender de forma diferente?
MATERIAL RETIRADO DE NOSSOS
PROGRAMAS ESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
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