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DOUGLAS
PETERNELA
Consultor
Sênior e autor de dois livros sobre a utilização de filmes em
treinamento
LIÇÕES DE
VENDAS QUE VÊM DA TELONA
QUE TAL VER
UM ÓTIMO FILME COM SUA EQUIPE?
Além da eterna pressão por
resultados, os profissionais que coordenam equipes de vendas
costumam enfrentar o desafio de manter seus vendedores
“energizados”, otimistas, buscando adotar diante dos obstáculos
uma postura positiva que, sem dúvida, ajuda a fechar negócios.
Assim, muitos gerentes,
supervisores e coordenadores ficam, por vezes, sem saber o que
preparar para a próxima reunião ou treinamento que terão de
conduzir.
Como promover entusiasmo entre os membros da
equipe? Como incentivá-los a buscar a confiança que certamente
têm dentro de si, em seu potencial, sua capacidade de
realização? Qual recurso eu poderia utilizar, para, de fato,
mexer com as pessoas?
Talvez você já tenha se feito perguntas como essas...
Deixe-me fazer mais algumas:
Você já pensou em exibir um filme para seu pessoal? Um desses
que você aluga em locadora e que talvez até tenha visto, no
cinema? O filme todo, ou, pelo menos, algumas cenas, mas que
sejam pertinentes e tragam ricas lições sobre comprometimento,
persistência, bom humor, foco... Enfim, sobre várias
características que são importantíssimas para um vendedor?
Bem, hoje quero lhe dar uma
dica de um filme excelente para você utilizar, com sua
equipe. E informações sobre alguns pontos que podem ser
discutidos depois da exibição. Imaginar que poderão lhe ser
úteis, deixa-me satisfeito.
Preparando
sua própria Sessão Pipoca
Antes de exibir o filme,
alguns cuidados devem ser tomados, para que tudo corra bem:
a) Providencie
os equipamentos necessários.
Se possível, reserve um projetor multimídia, telão e sonorização
adequada, pois o efeito é bem interessante, além de lembrar mais
o clima do cinema. No entanto, dependendo do tamanho da platéia,
um televisor de 29 polegadas pode ser suficiente.
b) Teste
tudo com antecedência.
Tecnologia facilita a vida, mas problemas podem acontecer, como
você sabe. Não custa testar tudo antes, para evitar surpresas
desagradáveis.
c) Cuidado
com a iluminação!
Verifique se a iluminação do ambiente pode ser suficientemente
reduzida, no caso da reunião acontecer durante o dia. Se você
estiver utilizando um projetor multimídia e a luminosidade da
sala for grande, as pessoas não conseguirão enxergar as imagens.
E não ficará bem para você, que viu o filme antes, ter que
bancar o narrador: “Sabe, gente, sei
que vocês não estão conseguindo ver, mas nessa hora ele está
entrando na empresa e tropeça no tapete. Aí...”.
d) Localize
as cenas, certificando-se de sua duração.
Se não for exibir o filme todo, mas, algumas cenas, verifique
antes em qual capítulo do DVD elas se encontram, e se a duração
será compatível com o tempo de que você dispõe.
e) Kit
cinema.
Em sessões
onde será exibido o filme todo (costumo chamá-las de “sessão
pipoca”) ou se o tempo das cenas for de pelo menos meia hora,
uma idéia interessante é entregar para os participantes um
saquinho com pipoca, balas e outras guloseimas, para ajudar a
criar aquela atmosfera característica de uma sala de cinema.
Tenho feito isso em meus treinamentos e as pessoas gostam
bastante desse agrado! Afinal, não somos todos crianças
crescidas?
Tudo
preparado? Então, vamos ao filme!
Aqui vai a dica: trata-se de
“À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness, EUA,
2006) um filme recente, que foi exibido nos cinemas brasileiros
há apenas alguns meses. Na maioria das locadoras, ainda está na
seção dos lançamentos.
O filme mostra Will Smith (em
uma interpretação soberba, que lhe valeu a indicação para o
Oscar de melhor ator) no papel de Chris Gardner, um vendedor que
passa por sérias dificuldades financeiras porque está há muitas
semanas sem conseguir fechar uma venda. Por não resistir à
pressão, sua esposa o abandona, e Chris tem o imenso desafio de
criar, sozinho, seu pequeno filho Christopher.
Em busca de melhores
condições, o amoroso pai resolve candidatar-se a uma vaga como
estagiário em uma corretora de ações. Para ser efetivado,
precisaria ser o escolhido entre muitos outros candidatos.
Paralelamente aos esforços para aprender a nova profissão e
mostrar resultados – os estagiários têm de abordar clientes
potenciais - Chris batalha para tentar vender scanners
ósseos para clínicas médicas e hospitais, e garantir sua
sobrevivência e a de seu filho. Sim, aqueles mesmos aparelhos
que ele não vendia há um tempão...
Como o estágio de seis meses
não é remunerado, pai e filho passam por situações
desesperadoras. Despejados, acabam sem ter onde dormir, em
certas noites. Em meio a esse turbilhão de problemas, Chris
demonstra ser um pai dedicado e carinhoso, que não se esquece de
seus valores, confia em si mesmo e mantém a esperança. Baseado
em uma história real, trata-se de um filme imperdível, que
certamente irá emocioná-lo.
Do ponto de vista didático,
possui cenas que podem ser utilizadas para abordar outros
assuntos; aqui, no entanto, irei ater-me àquelas pertinentes ao
tema Vendas, às características de um bom vendedor.
Oito Lições
de vendas extraídas de “À Procura da Felicidade”
Acompanhe comigo a breve
descrição de alguns comportamentos que o personagem principal
adota em certos momentos do filme, e que refletem a postura de
um excelente profissional de vendas:
-
Persistência:
Chris Gardner mostra, por
diversas vezes, possuir essa característica tão importante
para um profissional de vendas (e de qualquer área, para ser
mais exato). Desde as repetidas tentativas de conseguir uma
entrevista com o responsável pelas vagas no estágio, até,
literalmente, correr atrás de suas vendas.
-
Autoconfiança:
Chris confiava em seu próprio
potencial, conhecia seus pontos fortes e sabia que poderia
alcançar o que sonhara. Alguns momentos do filme que
evidenciam isso:
-
As
palavras que utilizou quando conversava com sua esposa,
sobre conseguir a vaga na corretora;
-
O modo
determinado como afirmou que solucionaria o cubo mágico
com que seu interlocutor, um dos decisores da empresa,
estava ocupado;
-
A
ótima cena da entrevista que Chris tem com os diretores
da corretora. Por uma série de circunstâncias, ele chega
vestido de maneira completamente inadequada e todo
suado. Apesar disso, consegue impressionar os
entrevistadores pela confiança que em si demonstra, pela
sagacidade e bom humor de suas respostas.
3. Quebrar
as regras e ser ousado:
Roger von Oech, autor de livros sobre criatividade como “Um Toc
na Cuca”, menciona a importância de questionarmos as regras
vigentes. Afinal, muitas delas foram criadas por razões que não
existem mais, e acabam sendo mantidas porque ninguém as
questionou. Não se trata de uma chamada à subversão, mas de
sondar o porquê das normas. Boas idéias podem surgir, quando se
faz isso, assegura o autor. Negócios, também. No filme, os
estagiários receberam uma lista com integrantes de empresas que
poderiam tornar-se clientes. Deveriam começar as ligações
telefônicas de baixo para cima, do menor para o maior nível
hierárquico. Em determinado momento, Chris parte direto para o
topo de sua lista: o mais alto executivo da empresa que estava
abordando. Com esse gesto ousado, consegue uma entrevista, que
mais tarde lhe renderia ótimos negócios.
4. Não
se intimidar com o ceticismo, pessimismo e cinismo alheio:
Gardner não dá ouvidos às palavras desanimadoras de sua esposa;
não se deixa abater por certas humilhações a que seu instrutor
na corretora o submete; nem pelos risos debochados de seus
colegas. Acreditar no próprio potencial e buscar força em si
mesmo e naqueles que nos amam é fundamental para conseguir bons
resultados.
5. Aproveitar
oportunidades que surgem e criar novas:
ao perder a
entrevista com o presidente de uma empresa, Chris decide
aproximar-se do executivo indo até o bairro onde morava, para se
desculpar e assegurar uma nova reunião. É convidado, com seu
filho, a assistir a um jogo, com aquele profissional. Lá,
conhece várias pessoas importantes, com quem mais tarde faria
negócios. Quando as vendas não acontecem pelos caminhos normais,
devemos pensar em criar novas alternativas, em vez de ficarmos
buscando desculpas ou simplesmente reclamando da situação.
6. Eficácia
e eficiência:
O personagem de Will Smith, sendo praticamente um pai solteiro,
tem que pegar seu filho na creche, no fim do dia. Além disso,
precisa chegar até certo horário na fila do abrigo onde
temporariamente dormem. Assim, sai de seu trabalho antes de seus
concorrentes à vaga, que ficam até mais tarde, tentando fechar
vendas. Para administrar esse problema, o vendedor descobre
pequenas maneiras de ganhar produtividade. Menciona ter
aprendido a fazer mais em menos tempo. Ou seja, a ser eficaz e
eficiente: fazer a coisa certa, do modo certo. A falta de tempo
não pode ser desculpa para não fecharmos bons negócios.
7. Busca
pelo conhecimento:
Em diversos
momentos vemos Chris estudando, para conhecer bem seu novo
trabalho, entender os mecanismos dos fundos de investimento que
a empresa geria e sair-se bem na prova, no final do estágio.
Dorme mais tarde e acorda mais cedo para estudar. Você tem
dedicado certo tempo, de modo disciplinado, para se aperfeiçoar?
8. Gestão
de relacionamentos:
Ampliar a rede de relacionamentos – e mantê-la – é algo muito
importante no mundo dos negócios. O profissional de vendas
esclarecido sabe que boas vendas e parcerias duradouras surgem
como conseqüência de bons relacionamentos. Em um breve momento –
que pode quase passar despercebido do expectador menos atento –
vemos Chris fazendo uma ligação telefônica apenas para
agradecer o apoio de uma pessoa, em um seminário que aconteceu.
Pelo modo como fala, percebemos que seu interlocutor parece
ficar surpreso com uma ligação sem nenhuma outra intenção que
não a de mostrar apreciação pela parceria. Há vendedores que só
ligam para seus clientes quando querem lhes vender algo.
Pós-venda e manutenção do relacionamento parecem coisas
pertencentes apenas ao mundo dos livros...
Esses são alguns pontos que
poderão vir à tona, depois de você exibir “À Procura da
Felicidade”, em uma sessão pipoca com seu time. Outros, que não
foram aqui mencionados, certamente surgirão, a partir de sua
observação e da de seus colegas. Não apenas pela riqueza do
filme, mas, principalmente, pela capacidade de produzir coisas
extraordinárias que seres humanos têm, quando buscam trabalhar
em sintonia.
Você pode usar algumas cenas,
apenas, se o tempo que você tiver não permitir mais que isso. No
entanto, este é o tipo de filme que recomendo utilizar na
íntegra, se possível. Experimente. Garanto que você e sua equipe
irão gostar muito.
Se você já utilizou este
filme, ou o fizer depois de ler este artigo e quiser
compartilhar sua experiência, envie um e-mail, com seu feedback
(costacurta@institutomvc.com.br).
Douglas
Peternela
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