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JB Vilhena
VP do
Instituto MVC,
Coordenador
de MBAs na FGV
CONFIANÇA SE
CONQUISTA?
Crescemos
ouvindo de nossos pais que confiança é algo que se conquista.
Gostaria de discutir com você que pode não ser exatamente assim.
Nos
treinamentos que ministro, costumo dizer que confiança é algo
que você dá, para depois receber. Em outras palavras: eu preciso
confiar no outro para que o outro possa confiar em mim.
Vamos
conferir essa questão sob diferentes óticas e situações:
a)
Nas
decisões
coletivas
Como
gestores, muitas vezes recebemos da equipe sugestões de solução
de problemas (ou aproveitamento de oportunidades)
verdadeiramente excelentes. Mas não podemos acatá-las porque
contrariam os desejos – ou ordens – de nossos superiores.
O que fazer?
Ir ao chefe e dizer que temos outras alternativas para a solução
do problema/oportunidade pode ser uma boa idéia. Mas existe
abertura para isso? Sabemos que a resposta muitas vezes é um
sonoro NÃO.
Se não
adianta tentar para um lado (convencer o chefe de que temos uma
solução alternativa/melhor), vamos olhar para o grupo. Como
convencê-los que, embora a solução que propuseram seja melhor,
devemos adotar aquela que foi sugerida pelo chefe? Uma das
poucas alternativas é pedir que a equipe confie em nós.
b)
Nas
vendas
Vendedores
não vendem produtos nem serviços. Na verdade vendem a promessa
de solução de uma necessidade ou desejo de um cliente. Mas para
que consigamos que o cliente compre, é preciso que ele confie em
nós e em nossa empresa. Como conseguir essa confiança de um
cliente que, por exemplo, nunca comprou de nós?
c)
Nas
negociações
Costumo dizer
que a confiança é o lubrificante das negociações. Contudo
negociações são feitas visando superar divergências existentes
entre as partes. Essas divergências muitas vezes têm origem em
interesses antagônicos, movimentos beligerantes feitos pela
outra parte, ausência de credibilidade e outros. Como conseguir
que confie em nós se parece que a outra parte tem todas as
razões para não fazê-lo?
d)
Nas
relações
interpessoais
Para realizar
qualquer trabalho em equipe, dependemos do quanto confiamos e do
quanto somos confiáveis. O problema é que pessoas diferentes têm
princípios, valores e visões também diferentes. Como fazer com
que trabalhem juntas e confiem que a outra parte cumprirá seus
compromissos (acordos, cronogramas, etc.)?
Se o grupo
confiar em você, será mais fácil fazê-lo aceitar a proposta do
chefe. Se o cliente confiar em você, será mais fácil convencê-lo
a acreditar na sua promessa. Se a outra parte confiar em você,
será mais fácil fechar o acordo. Se a outra pessoa confiar em
você, será mais fácil trabalhar em equipe. Mas isso tudo é
óbvio. A questão central é: como construir confiança?
Um primeiro
caminho é fazer um inventário pessoal. Neste inventário duas
colunas deverão ser preenchidas:
(a) quais são
meus comportamentos que inspiram confiança;
(b) quais são
meus comportamentos que inspiram desconfiança.
Podem ser
considerados comportamentos que inspiram confiança:
o
a
credibilidade – ou seja, aquilo que eu faço corresponde
exatamente ao que eu digo;
o
a coerência –
ou seja, jamais uso dois pesos e duas medidas para avaliar as
mesmas coisas;
o
a
receptividade ou aceitação – capacidade de ser flexível perante
novas alternativas propostas pela outra parte e;
o
a clareza e
abertura – o uso incondicional da verdade e da assertividade,
sem que isso se traduza em rudeza e agressividade.
Já os
comportamentos que inspiram desconfiança são a arrogância,
prepotência, onipotência, desprezo, descaso, desatenção e outros
de mesma etiologia.
Para fazer
seu inventário, aumente e aprofunde o seu autoconhecimento. Seja
honesto com você mesmo, analise criteriosamente os feedbacks
verbais e não verbais que as pessoas dão para você.
Feito isso,
lembre-se: para ser confiável é preciso, primeiro, confiar.
Assuma uma
postura otimista em relação às pessoas. Reconheça que o número
de pessoas honestas é muito superior ao das desonestas (pelo
menos fora do Legislativo Federal). Lembre-se de que o bem, na
maioria das vezes, vence o mal. Seja
um
ouvinte
atento.
Pratique a empatia (sem preconceitos ou estereótipos) e, acima
de tudo, lembre-se de que o prazer de constatar que a outra
parte realmente merecia a confiança que você lhe dedicou, supera
em muito a eventual frustração ocasionada por alguém que abusou
da sua confiança e te decepcionou.
MATERIAL
RETIRADO DE NOSSOS PROGRAMAS DE NEGOCIAÇÃO
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