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Luiz
Augusto Costacurta Junqueira
Chief
Executive Officer
do Insttituto MVC
Autor do
livro Cada Empresa tem o Consultor que Merece
POR QUE MEU
CHEFE NÃO VEIO?
“Você deveria
ter convidado meu chefe para este seminário, vociferou um
participante, em conversa com o Gerente do Departamento de
Treinamento!”
Este é o
trecho inicial do artigo escrito por JAMES C. ROBINSON, para a
edição de março de 84, da revista TRAINING e reescrito por
nós em 1997.
Os anos que
separam a publicação dos artigos dos dias de hoje, de forma
alguma afetaram seu caráter de grande atualidade.
Cada vez mais
acreditamos que o treinamento é feito de exemplos e que a
ausência das chefias representa, não só uma falta de
comprometimento com a mudança, mas também e principalmente, um
obstáculo a ela.
Este artigo
explorará dois aspectos importantes: as conseqüências da
ausência das chefias e o que pode ser feito para garantir a
presença de ambos, superior e subordinado (simultânea ou não),
nos programas de treinamento.
CONSEQÜÊNCIAS
DA AUSÊNCIA
Como dissemos
anteriormente, não existe melhor programa de treinamento que
aquele iniciado pela própria chefia, através de seu exemplo. Não
basta dizer, é preciso fazer, e fazer sempre ... Cada vez mais
os subordinados descrêem as chefias tipo “Faça o que eu digo,
mas não faça o que eu faço”. Não há confiança que resista a este
tipo de postura. Também não basta a chefia autorizar a
“”verba””; isso só não representa compromisso com os resultados.
Os “problemas
de retorno” são outra conseqüência grave; ocorrem na volta dos
subordinados que, cheios de gás, procuram aplicar o que viram e
encontram chefias que não compreendem bem o que se está falando
ou propondo demonstrando indiferença ao aprendizado;
conseqüentemente rejeita-se o proposto e desmotiva-se os
subordinados, que se sentem na imagem do “patinho feito”.
Como cada vez
mais o processo de desenvolvimento de subordinados está nas mãos
das respectivas chefias; ausências dessas chefias em programas
com a presença de subordinados tenderão as ser interpretadas
como desinteresse por este ou aquele elemento, relegando-o ao
limbo. As atividades de Coaching e de Mentoring
precisam fazer parte do dia-a-dia de um executivo, não dá para
deixar de alocar tempo à sua execução.
Programas de
treinamento focam, nas mais das vezes “o que fazer”, restando
tratar do “como fazer”, que certamente fica muito complicado sem
a presença da respectiva chefia. A mudança fica para “depois” do
evento, quase nunca acontece.
A presença da
dupla superior/subordinado será sempre um esforço ao processo de
mudança/resultado, pois a força da dupla é sempre maior;
faltando um dos elos neste processo, especialmente do superior,
a mudança será prejudicada em qualidade e produtividade.
FACILITADORES
DA PRESENÇA
A seguir
algumas observações que poderão tornar mais fácil a presença das
chefias nos programas em que também os subordinados participam.
O ambiente
informal de um programa de treinamento, onde todos ficam menos
defensivos, talvez possa ser o momento ideal para que o superior
dê “aquele” feedback ao subordinado. É uma grande
oportunidade para uma comunicação mais autêntica a verdadeira. E
por que não, bidirecional?
Mudanças
rápidas serão conseguidas mais facilmente quando todos os
“personagens” do processo estiverem vivenciando juntos a mesma
situação; as comunicações são mais uniformes, os obstáculos são
analisados pelo grupo todo, a motivação de um realimenta a do
outro etc.
Treinamento é
um diferencial competitivo aceito por todos; o executivo que
acredita nisso necessita investir seu tempo neste “tipo de
trabalho;” mais ainda, mostrar que treinamento também é trabalho
e faz parte do crescimento pessoal e organizacional.
Na era da
administração participativa, dos times de qualidade etc, os
executivos necessitam mostrar aos subordinados que também fazem
parte do “grupo” e que o conceito de trabalho em equipe deve
prever uma participação equilibrada de ambas as partes.
Pesquisas
mostram que em outros países os executivos usam entre 10 a 15%
de seu tempo para desenvolver seus subordinados; no Brasil,
alguém parece estar devendo a alguém nesta história.
Toda mudança
tem o chamado fator condicionante (o superior) e o fator
condicionado (subordinado). Como poderá ocorrer qualquer mudança
se os dois não estiverem juntos, fazendo força na mesma direção?
Subordinados
tendem a se relacionar melhor com superiores que “descem de seu
pedestal”, que não usam o poder da posição para conseguir
resultados, especialmente quando a natureza desses resultados
exige ações grupais.
CONCLUSÃO
Gostaríamos
de encerrar com uma sugestão que talvez pareça ingênua ou
simplista para a maioria das pessoas.
Nossa
experiência mostra que poucos superiores resistem ao convite de
um subordinado para participar de um programa juntos. Você,
subordinado, já tentou isto? Quando o fez, mostrou realmente
convicção? Apresentou argumentos tangíveis/quantificados?
Utilize o “numerolês”como língua.
Que tal
tentar mais uma vez?
O leitor
poderá perguntar, e o título do artigo? Não seria o caso de se
fazer com que a unidade de treinamento fosse a responsável por
solicitar às chefias que dessem o exemplo, através de sua
presença? Acreditamos piamente que não, pelo menos em primeira
instância.
Querem um
exemplo? Imaginem um programa de treinamento de um Diretor e
respectiva Secretária; quem deveria fazer o convite ao Diretor?
É isso ai
leitor!!!
MATERIAL
RETIRADO DO POCKET MBA GESTÃO DE PESSOAS E NEGÓCIOS.
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