FELICIDADES PARA 2008? NÃO TENHA ESPERANÇAS!
Na cultura Sufi há diversas
histórias deliciosas sobre um personagem conhecido por Nasrudin,
um sábio do povo, aparentemente tolo, que provocava as pessoas à
sabedoria com um espirituoso bom humor. Diz-se que numa delas,
Nasrudin caminhava pelo mercado central da cidade quando subiu
numa pedra e começou a falar com as pessoas:
- “Ó povo deste lugar, querem
prosperidade sem esforço, saúde sem disciplina e felicidade sem
consciência?”.
E logo, as pessoas juntaram-se em
volta do sábio e gritavam em coro:
- “Queremos, queremos,
queremos!”.
E então Nasrudin respondeu:
- “Ah! Obrigado, era só para
saber. Mas podem ficar tranqüilas, pois contarei tudo a vocês
caso algum dia descubra algo assim”.
O QUE É
FELICIDADE?
Essa
parábola, juntamente com as celebrações de final de ano, me
fazem refletir sobre as escolhas e caminhos que trilhamos rumo à
felicidade. É uma época de balanço e avaliação do que passou,
enquanto iniciamos o novo ano, com novos e mais planos e com a
esperança de que este ano seja ainda melhor do que o que passou.
A expectativa de boa parte das pessoas é ganhar mais dinheiro,
ter mais saúde e tudo aquilo que contribua para sua felicidade e
realização de suas metas.
Para alguns pensadores gregos, felicidade seria algo que acontece
conosco e não teríamos controle sobre isso. Nesse caso,
dependeríamos dos favores dos deuses para chegarmos à
felicidade. Assim, tudo o que supostamente contribua para nossa
sorte de cair nas graças dos deuses, pode ser uma iniciativa
válida (desde vestir-se de branco, pular sete ondas no mar, até
comer lentilha na ceia de réveillon). Por outro lado, outros
pensadores afirmaram que a verdadeira felicidade viria somente
por meio da razão e da vida virtuosa.
Para Epicteto, grande filosofo do estoicismo, felicidade e realização
pessoal são conseqüências naturais de atitudes corretas, onde o
compromisso com o progresso é mais importante que a busca da
perfeição. Sua noção de uma boa vida não é seguir uma lista de
preceitos, mas levar nossas ações e desejos a se harmonizarem. A
questão não é agir bem para conquistar os favores dos deuses ou
a admiração dos outros, mas adquirir serenidade interior e
conseqüentemente, uma liberdade pessoal duradoura. Querer mais
do que é possível conseguir, assim como ser negligente com seu
plano de vida, pode ser fonte de intranqüilidade, frustração e
infelicidade. A receita para uma boa vida, segundo Epicteto,
concentra-se em três temas principais: dominar os desejos,
desempenhar as obrigações e aprender a pensar com clareza sobre
si mesmo e seu relacionamento com os outros.
OS CAMINHOS
Em seu livro “Felicidade Desesperadamente”, o filosofo francês André
Comte-Sponville sugere dois caminhos para a felicidade. O
primeiro, e mais comum, é a pessoa desejar aquilo que não
depende dela conseguir, contando sempre com algo ou alguém que
realize o que se deseja. Este é o caminho da esperança. O autor
sugere “livre-se da esperança”, do ato de esperar, do ranço
cultural que nos impregna de apatia e que traz mais frustrações
e decepções do que realização. O segundo caminho, para Sponville,
está em a pessoa desejar aquilo que depende dela, começando em
“querer e amar o que se tem”. Satisfação pelo que se tem é
essencial para a felicidade, pois não devemos perder de vista
que o que vivemos no presente, em grande parte, deve-se a nossas
escolhas e decisões do passado. Com isso, podemos mudar nosso
futuro agindo bem agora. Este é o caminho da força de vontade e
do contentamento.
É fácil
perceber que cada um de nós tem duas vidas: uma externa e outra
interna. Nossa vida externa está associada aos diversos papéis
que exercemos no cotidiano (profissional, pai / mãe, amigo (a),
entre outros). Naturalmente temos bastante pressão, tanto
interna quanto externa, para sermos excelentes e obtermos
sucesso em cada um desses papéis. Essa é a nossa vida material.
Quanto mais nos submetemos às pressões da vida material, quanto
mais expectativas alimentarmos com coisas e pessoas, quanto mais
meu bem estar e realização depender da aprovação dos outros ou
da promoção tão sonhada, menor será minha felicidade. Por outro
lado, temos a vida interna, que envolve a relação que temos com
nosso intimo, com o como nos relacionamos com nossas emoções,
nossas crenças, nossos valores, em como vemos e nos posicionamos
diante das experiências da vida. Essa é nossa vida espiritual. A
qualidade da vida interna viabiliza a qualidade da vida externa.
Entendo que a felicidade verdadeira é viável por meio de uma
vida íntegra e coerente. O equilíbrio na vida envolve priorizar
o que realmente é importante, perseguir nossos objetivos com
serenidade, lutar pela promoção com respeito ao outro, exercitar
a tolerância com as pessoas, fazer o que tem que ser feito sem
expectativas exageradas. A intranqüilidade vinda dos exageros
nos afasta da felicidade.
A ETERNIDADE
É HOJE
A maioria de nós vive como se fossemos eternos, como se todas as coisas
que supostamente nos trazem felicidade não acabassem. Antes do
Natal, conversei muito com um amigo querido, jovem e forte, mas
que inesperadamente passou sérias dificuldades de saúde em 2007.
Muitos de nós também passamos ou passaremos por dificuldades e
perdas, isto é inevitável. Falamos sobre o valor do presente, a
importância do agora e que naquele momento estávamos satisfeitos
conosco, pela nossa amizade, pela família, os filhos e pela vida
que tínhamos, com todos os percalços, erros e acertos.
Compartilhamos o contentamento, sem esperar nada da vida, apenas
desfrutando do que somos e tínhamos conseguido até o momento,
comprometidos em fazer o nosso melhor a cada novo dia, deste
novo ano, até quando nos for permitido.
MATERIAL RETIRADO DO SEMINÁRIO GESTÃO DO TEMPO E QUALIDADE DE
VIDA E DO POCKET MBA MELHORIA DA PERFORMANCE GERENCIAL
Voltar