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FRANCISCO R. BITTENCOURT
Consultor Sênior do Instituto MVC,
Professor dos MBAs Executivos da
FGV
O QUE QUER NOSSA EQUIPE?
Há uma diferença profunda
entre administração e liderança, e ambas são importantes.
Administrar significa ocasionar, realizar, assumir a
responsabilidade, conduzir. Liderar é influenciar, guiar em
direção, curso, ação, opinião.
Warren Bennis &
Burt Nanus
Introdução
Influenciar pessoas faz parte da
função prioritária do líder. Conseguir com que as pessoas, com
suas características pessoais, sua visão particular do problema
sejam suficientemente levadas a agir de uma forma que permita ao
líder obter os resultados que deseja, é o grande segredo.
Dito assim parece fácil.
Convencer o jogador da defesa, que tem o campo livre à sua
frente, a passar a bola para o atacante, de forma a que esse
faça o gol da vitória, quando ele pode continuar com a sua
trajetória, e, quem sabe, ser ele o autor da façanha é o papel
do líder, quer seja o técnico, quer seja o capitão do time.
Liderar, gerenciar,
administrar...
Nas organizações, levar suas
equipes a agir de acordo com a trajetória que o ele, o líder
traçou, independentemente das percepções individuais, dos
processos de realização pessoal, em prol da equipe é o objetivo
dessa figura que não deve ser encarada como um super homem, mas
sim a “super cobrado”, pois isso é o que ela representa.
O líder é o mais cobrado em sua
equipe. Suas responsabilidades são definidas, no sentido de
responder (daí a “responsabilidade”) aos desafios, às cobranças,
a possibilidade de se posicionar diante de desafios, tarefas,
metas, enfim, tudo aquilo que caracteriza a vida produtiva de
uma equipe, em organizações competitivas.
O líder deve conhecer a fundo as
“entranhas” de sua equipe, seus segredos, as atitudes que as
pessoas têm em relação ao seu trabalho e à equipe da qual fazem
parte, seus sentimentos, as percepções que possuem em relação ao
seu ambiente de trabalho e à relação com sua liderança, os
valores que importam em suas vidas pessoais, a maneira informal
como se relacionam e as normas que conduzem suas relações
produtivas e interpessoais.
Líderes devem “mergulhar”, de
forma consistente no mundo interior de suas equipes, no sentido
de conhecerem de forma mais eficaz seu universo, e, com isso,
gerenciar (cuidar de resultados), administrar (cuidar das
operações) e, efetivamente liderar (cuidar das equipes). E
atingir resultados, pois é por isso que são líderes...
Portanto, há que se preocupar com
a forma como esses “colaboradores” vêem seus líderes, qual é sua
expectativa em relação a eles, e principalmente, como é que eles
(colaboradores) estão se colocando em relação às suas metas,
objetivos...
Expectativas das equipes
Equipes esperam que seus líderes:
a) ajudem-nas
a executar suas tarefas, e, com isso, possam atingir suas metas
de forma eficaz;
b) cobrem-nas,
no sentido de que possam se posicionar no rumo certo;
c) Intervenham
nos processos internos da equipe, e, com isso, harmonizem as
relações produtivas e interpessoais;
d) cobrem
mais a respeito de seus talentos e capacidade de ação.
Mas, e as equipes, como querem
agir, ou melhor como é que se propõem a agir, diante de seus
objetivos e metas de trabalho?
Peter Senge
definiu que há um conjunto de atitudes que os colaboradores
explicitam, quando estão diante de objetivos e metas a cumprir.
No modelo abaixo foi feita uma
adequação ao tema, para seu transporte à realidade de uma equipe
produtiva:
-
Engajado (comprometido):
Você convida para o churrasco, ele
chega antes de começar, ajuda a preparar a grelha, ajuda a
fazer o churrasco, ajuda a servir, e somente vai embora
depois de ajudar a limpar tudo, sem que você peça.
-
Participativo (envolvido):
Você convida para o churrasco,
ele chega mais tarde, come bebe, se diverte e vai embora
antes de acabar, para não ter que ajudar na limpeza.
-
Obediente genuíno (bem mandado):
Você convida para o churrasco,
ele pergunta a que horas você quer que ele chegue, ao chegar
pergunta o que você quer que ele faça e somente vai embora
quando você permite. Sente-se muito feliz em fazer as coisas
que você manda, mas só faz o que você manda.
-
Obediente relutante:
Ele age como o obediente genuíno, mas
só faz isso porque não quer ficar mal junto a você, age por
pura conveniência pessoal.
-
Obediente formal (hostil):
Também age como o obediente
genuíno, mas somente porque morre de medo de você, de brigar
e perder seu espaço junto à equipe;
-
Desobediente:
Não vai ao churrasco e ainda fala mal
da carne, é rebelde.
-
Apático:
É vegetariano, vai ao churrasco sem
saber porque, e fica mais perdido do que cachorro em
tiroteio, não consegue dizer não, mas também não diz sim.
O trabalho em equipe, portanto
apresenta variações de atitudes e comportamentos que o líder
deve conhecer, e, para cada uma dessas manifestações, apresentar
uma linha de conduta compatível.
Cabe ao líder identificar, em sua
ação cujo foco é a consecução dos objetivos e metas da equipe,
entender as razões que levam cada membro da equipe agir de forma
eficaz:
a) Identificar
as razões que levam as pessoas a ter atitudes diferenciadas em
relação aos objetivos a cumprir...
b) Definir,
de forma clara, qual a abordagem mais eficaz para que esses
objetivos venham a ser atingidos...
a. Abordagem
formal, com base na disciplina, na hierarquia, na estrutura de
trabalho;
b. Abordagem
colegiada, com base no senso coletivo e no trabalho de equipe;
c. Abordagem
personalística, com base na ação individual, no trabalho focado
no talento pessoal dos membros da equipe.
c) Conhecer
os mecanismos que permitam a superação dos obstáculos criados,
na equipe, com as diferentes formas de se posicionar diante dos
objetivos.
Algumas reflexões fazem sentido,
nesse processo de escolha da ação mais eficaz:
a) Equipes
para mostrar alto desempenho (high performance) devem se
concentrar:
a. Poder
compartilhado, com alto nível de envolvimento;
b. Informação
compartilhada, comunicação aberta;
c. Sistemas
e estruturas energizados;
d. Propósitos
e valores clarificados;
e. Focos
em resultados, voltados para o cliente;
f.
Mecanismos de
aprendizagem contínua.
b) O
perfil da liderança competitiva pressupõe:
a. Fundamental
para desenvolver as pessoas e criar organizações excelentes é
flagrar as pessoas fazendo a coisa certa e destacar o que é
positivo.
b. Uma
liderança organizacional eficaz trata mais de gerenciar a
jornada de mudança do que apenas anunciar o destino.
c) O
ato de liderar e gerenciar envolve:
a. Definir
as áreas de responsabilidade;
b. Estabelecer
de modo objetivo os padrões de desempenho;
c. Clarificar
as metas;
d. Praticar
de forma efetiva o feedback;
e. Encorajar;
f.
Cobrar resultados;
g. Reconhecer
os esforços e o sucesso;
d) Liderar
é ter um destino certo; se você e seu pessoal não souberem para
onde vão, sua liderança não fará diferença.
e) Compete
ao líder investir, como um bom desafiador e descobridor de
talentos, não somente o que sua equipe quer, mas também e
principalmente o que ela pode render, no que diz respeito ao seu
talento nem sempre explicitado.
f) Um
dos caminhos reside na exploração da competência destes
colaboradores:
• COMPETITIVIDADE:
–
Buscar a fonte
certa, e utilizar as informações em prol de seus resultados;
• COMPLEXIDADE:
–
Trabalhar com
situações diversas, recursos diferenciados, selecionando-os para
agregar valor ao resultado;
• ADAPTABILIDADE
– capacidade
de ser flexível para entender a mudança, adequar-se a ela e
influenciá-la em proveito de sua ação;
• INCERTEZA
– trabalhar
com mudanças permanentes, superar obstáculos com visão prévia,
identificar possibilidades de mudança de curso sem
esmorecimento;
• EQUIPES
– praticar
o trabalho em equipe, conviver com personalidades e estilos
diferentes, pensar coletivamente, agir de forma assertiva,
expondo sua opinião, mas considerando as opiniões dos demais;
• AUTO-APRENDIZADO
– estar
predisposto ao aprendizado, aprender consigo e facilitar o
aprendizado dos outros.
Explorar a capacidade da equipe,
por meio de sua competência permitirá à liderança perceber, de
forma clara, qual é a verdadeira razão de cada membro da equipe
em desenhar uma forma de atitude ou desempenho em seu ambiente
produtivo.
Conhecer o conjunto de razões que
levam os componentes da equipe a agir de uma determinada forma,
alterando processos ou impactando resultados é de grande
importância, no sentido de não bloquear as manifestações de sua
criatividade. Quando a criatividade é bloqueada, sinais são
emitidos:
-
Temor dos
membros da equipe, em se manifestar livremente e serem mal
vistos;
-
A liberdade de
expressão e a ousadia não são percebidas como qualidade;
-
Falta de
comprometimento com a forma de ação da equipe;
-
Responsabilidades na equipe não clarificadas;
-
Fontes de
informação e conhecimento acionadas de forma ineficaz;
-
Falta de
institucionalização do feedback.
CONCLUSÃO
Transformar um grupo de
indivíduos que compõem uma equipe em um conjunto de talentos,
motivados, com foco na obtenção de resultados, levando sua
contribuição a provocar incremento da produtividade exige
cuidados, principalmente nas manifestações de relacionamento
produtivo:
-
Enfatize o
sucesso, não o fracasso...
-
Promova o
reconhecimento de forma aberta e pública...
-
Realize o
reconhecimento de maneira pessoal e honesta...
-
Faça com que o
reconhecimento e a premiação estejam de acordo com as
necessidades exclusivas das pessoas envolvidas...
-
A escolha do
momento oportuno é crucial...
-
Esforce-se
para estabelecer uma conexão clara entre realizações e
premiações...
-
Reconheça o
reconhecimento, valorize os colaboradores que enaltecem os
próprios colegas.
Se os componentes de uma equipe,
com suas atitudes estão voltados para o seu aperfeiçoamento, o
seu crescimento, provavelmente se mostrarão voltadas para um
processo de melhoria contínua.
Cabe a que lidera equipes
identificar, de forma efetiva, « o
que quer a equipe? »
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