O MEDO DE
FALAR EM PÚBLICO E A PNL
A Inteligência Emocional domina todas as nossas ações.
Quando sentimos medo, por exemplo, perdemos - no mínimo - trinta
por cento das habilidades para desenvolver funções em que
normalmente temos boa performance. Com esse pequeno exemplo fica
mais fácil entender porque muitas pessoas entram em pânico
quando vão fazer algo que não têm prática ou preparo. Falar em
público é uma delas.
Alguns autores adotam a seguinte ordem quando
classificam os principais medos do ser humano:
1º
Medo de falar em público;
2º
Medo de altura;
3º
Medo de insetos; medo de problemas financeiros; medo de águas
profundas;
4º
Medo da morte.
Neste texto abordo o assunto Comunicação com Grandes
Platéias, tomando como base os princípios da PNL - Programação
Neurolingüística. Meu objetivo é demonstrar como usar a PNL para
controlar o medo de falar em público.
1.
RESSIGNIFICAÇÃO
Acredito que o verbo que melhor combina com PNL seja
ESCOLHER. Na PNL parte-se da pressuposição que “DISPOMOS DE
TODOS OS RECURSOS QUE NECESSITAMOS. AQUELES QUE NÃO TEMOS,
PODEMOS CRIAR”.
Um dos mais importantes discípulos de Freud analisou
profundamente nossa capacidade de escolher transformar diversos
sentimentos em energia positiva que trabalhe a nosso favor. A
essa possibilidade Lacan chamou de ressignificação. Para
entender melhor o uso que a PNL faz da ressignificação vejamos
alguns significados que costumamos dar às pessoas que sentem
medo: fracas, inseguras e despreparadas. Ao “ressignificar” esse
pensamento passamos a pensar que “SÓ TEM MEDO QUEM TEM
RESPONSABILIDADE”. Dessa forma, criamos uma opção positiva de
“escolha” em relação a esse sentimento limitante. Feita a
ressignificação é preciso saber transformar a adrenalina do medo
em combustível para fazer apresentações com mais calor humano,
maior energia e vitalidade.
Importante lembrar que mesmo os mais experientes
palestrantes sentem medo antes das apresentações. Dizem eles que
“cada caso é um caso”. O local muda frequentemente, assim como
as características do público. Isso para não pensar nos
problemas que podem ocorrer com os recursos de multimídia, a
estrutura do espaço, questões relativas a segurança, intempéries
climáticas, etc.
Porém, quando se está preparado e dominando o assunto
sobre o qual vamos falar, podemos nos “programar” para que, à
medida que forem transcorrendo os primeiros minutos, o medo vá
se dissipando. Em seu lugar começamos a sentir a sensação de
prazer em passar mensagens que possam sensibilizar as pessoas
para se comportar de maneira mais prazerosa e produtiva.
2.FEEDBACK
“COMUNICAÇÃO
É REDUNDÂNCIA,
POIS ESTAMOS
SEMPRE COMUNICANDO ALGO”.
“COMUNICAÇÃO
NÃO É APENAS O QUE EMITIMOS, MAS A RESPOSTA QUE OBTEMOS DO
RECEPTOR”.
Estas duas afirmações também são PRESSUPOSIÇÕES DA
PNL que nos remetem ao princípio do feedback (o que os
outros pensam de mim quando estou me comunicando?).
Existem dois tipos de apresentadores: o Imaginado e o
Real. O Apresentador Imaginado é aquele que muitas vezes nos
julgamos ser, cheio de defeitos e de más qualidades. O
Apresentador Real é o que a platéia ou o interlocutor observam,
buscando valorizar na mensagem o que realmente é gerador de
mudança e pode ser aproveitado como ensinamento para a vida.
Normalmente a interseção entre esses dois
apresentadores não é maior que quarenta por cento. Isso ocorre
porque costumamos não dar o devido valor às nossas
qualidades (normalmente somos muito rigorosos e exigentes
com nós mesmos e raramente ficamos totalmente satisfeitos com
nossa performance). Isso também é algo que podemos “ressignificar”.
Que tal da próxima vez que se apresentar em público você pense
que sendo exigente com você haverá espaço para crescer e se
aprimorar como comunicador?
3.POSIÇÕES
PERCEPTIVAS
Uma boa ferramenta para se melhorar no item
feedback é a prática das Posições Perceptivas. Podemos
classificar as Posições Perceptivas em associadas e dissociadas.
Associadas são aquelas em que nos posicionamos como atores,
vivenciando os momentos. Dissociadas são aquelas em que nos
posicionamos como platéia, colocando-nos como observadores dos
momentos vivenciados.
Para que possamos mudar, é importante que usemos essa
Ferramenta sem protegermos o nosso personagem. Temos que ser
imparciais nos julgamentos e agir como sendo uma terceira pessoa
analisando as posturas adotadas, a fisiologia corporal, o
gestual, a articulação e o uso das palavras, para que assim
tenhamos mais autocrítica.
De uma forma metafórica é como colocar uma câmera
filmando todas as ações e reações nos relacionamentos
interpessoais e depois analisar racionalmente cada momento
tomando as providências necessárias para melhorar tanto o
comportamento quanto a forma de se comunicar. Lembremos que a
mudança para melhor só começa a acontecer através do
autoconhecimento.
4.
METAMODELOS E ESTADO DE EXCELÊNCIA
A meu ver, a PRESSUPOSIÇÃO que melhor define a PNL
é:
“MODELAR
DESEMPENHO BEM-SUCEDIDO LEVA À EXCELÊNCIA”.
Foi a partir dessa idéia que o Médico Milton
Erickson, um hipinoterapeuta reconhecido mundialmente,
identificou que existem padrões (modelos) de comportamento que
estimulam ou limitam o desenvolvimento e desempenho das pessoas.
Podem ser ações que neutralizam ou ativam atitudes consideradas
indesejáveis, como por exemplo, o pânico de falar em público.
Metamodelos podem ser pessoas que servem de
referência positiva, ou mesmo as ações tomadas por nós em
momentos desafiadores nos quais “agimos com perfeição” para
solucionar aquela dificuldade específica.
Antes de falar em público use a Ferramenta de
Modelar um Estado de Excelência, seguindo os passos:
-
Entre na
Linha do Tempo, volte mentalmente a um momento no passado,
no qual tenha a experiência de uma ótima performance como
orador, transforme esse fato em um Metamodelo e o use como
referência;
-
Faça uma
Ponte ao Futuro e se veja Associado, executando a
apresentação que fará em breve, praticando de forma ideal
todas as técnicas vivenciadas no passado. Escolha as
técnicas que mais geraram sucesso ao passar a mensagem,
criando assim um Estado de Excelência antes do processo
acontecer, e, quando ele se tornar realidade, a impressão
que se tem é que o fato está apenas se repetindo e “a voz da
experiência” falará mais alto.
-
Quando
não existe essa vivência pessoal no passado, outra forma é
imaginar uma pessoa que em sua opinião é um exemplo a ser
seguido como Comunicador, ou seja, neste caso ele funcionará
como um “Metamodelo”. Antes de sua apresentação Modele um
Estado de Excelência, mentalizando uma Ponte ao Futuro
realizando todo o processo de comunicação que precisará ser
executado, usando as técnicas do seu Metamodelo; assim, você
se sentirá apoiado, e a Comunicação vai fluir com mais
segurança.
5.FLEXIBILIDADE
Em se tratando de apresentações em público, na
maioria das vezes somos os únicos que sabem quando erramos ou
esquecemos algo que deveria ter sido apresentado. Se algum
imprevisto acontecer use a Ferramenta da Flexibilidade. Seja
criativo, improvise, disfarce com naturalidade, pois nestes
casos o ideal é que tudo aconteça seguindo a PRESSUPOSIÇÃO DA
PNL :
“TODO
COMPORTAMENTO POSSUI INTENÇÃO POSITIVA”.
A melhor metáfora para Flexibilidade é “jogo de
cintura”. Quando somos inflexíveis e presos a paradigmas, temos
a tendência a ser agressivos. Isso é imperdoável em um
palestrante.
Um dos maiores medos de um apresentador é a
administração do tempo disponível para passar a mensagem que
havia sido planejada, pois são comuns os atrasos e as
interferências que geram situações estressantes. É nessa hora
que a Flexibilidade tem que ser bem usada, ou seja, decidir em
segundos os temas que serão modificados ou retirados da
apresentação, de forma que a platéia não se sinta prejudicada ou
ludibriada.
As pessoas que praticam a Ferramenta da Flexibilidade
são aquelas que sempre têm um Plano B para tudo que fazem na
vida.
6. FISIOLOGIA
DA RESPIRAÇÃO
A forma que respiramos, ou melhor, como enchemos os
pulmões de ar, está diretamente relacionada com o nosso estado
emocional e com a fisiologia corporal. Quando estamos em
momentos de alto stress ou praticando atividade física,
nossa respiração é apical, ou seja, preenchemos a parte
superior, mas quando nosso estado é de tranqüilidade ou em
repouso, a nossa respiração é abdominal e enchemos a região do
diafragma.
Nos momentos que antecedem à palestra (no qual se
modela o Estado de Excelência) é importante ter total
consciência da fisiologia corporal, para ter o maior controle da
situação emocional. Aqui vão algumas dicas práticas para fazer
isso:
1.
Procure um
lugar reservado;
2.
Fique de pé,
parado e feche os olhos;
3.
Adote uma
postura ereta, com o queixo paralelo ao chão, peito aberto e
braços soltos nas laterais;
4.
Faça cinco
respirações abdominais.
O resultado
será obrigatoriamente positivo, pois outra PRESSUPOSIÇÃO DA PNL
é:
“MENTE E
CORPO FORMAM UM SÓ SISTEMA”.
7. ESCOLHENDO
O LADO DO CÉREBRO

O que é mostrado nesta figura é a TIPOLOGIA DA
DOMINÂNCIA CEREBRAL identificada por Ned Hermann, onde a
racionalidade está no Lado Esquerdo (LE), e as emoções do Lado
Direito (LD).
Sabendo disso, fica muito mais fácil controlar o
medo, pois esse sentimento reside no LD, e ele pode ser
predominante e destruidor. Precisamos desenvolver a habilidade
de transferir a dominância para o LE. A melhor forma de se
conseguir isso é praticar o antigo conselho de “contar até dez”.
Para finalizar, cito mais duas PRESSUPOSIÇÕES DA PNL
que sintetizam qual o comportamento que devemos adotar para
melhor controle emocional e maior consciência nas escolhas:
“JÁ TEMOS
TODOS OS RECURSOS DE QUE NECESSITAMOS OU ENTÃO PODEMOS
CRIÁ-LOS”.
“SE QUISER
COMPREENDER, AJA”.
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