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Douglas
Peternela
Consultor
Sênior do Instituto MVC
Autor do
livro
Lições que a Vida Ensina e a Arte Encena
UM FILME
PARA VER COM TODA A EQUIPE
Encontrar um filme de cinema que possa ser exibido na íntegra,
em um treinamento ou reunião com sua equipe de trabalho, não é
tarefa das mais fáceis. É muito mais comum achar títulos com um
ou outro trecho que pode ser útil, do ponto de vista educativo,
do que um que seja rico do começo ao fim.
Estrada para a Glória (Glory Road, 2006) é um desses
raros filmes que têm a virtude de ser uma ótima sugestão para
ser visto inteirinho,
em uma
autêntica sessão pipoca com sua equipe. Isso mesmo, vale a pena
conseguir um horário em um final de tarde para reunir o pessoal,
e assistirem juntos a essa bela produção Disney, que além de
tudo tem o atrativo de não ser muito conhecida.
Neste filme, você encontrará cenas que permitem reflexões sobre
Espírito de Equipe e Sinergia, Comprometimento, Liderança
e Diversidade Humana, entre outros temas.
Rivalidade na equipe
Baseado em fatos reais, o filme conta a trajetória do time de
basquete Texas Western, e de seu determinado técnico Don Haskins,
que, em 1966, foi o primeiro treinador a convocar jogadores
negros, para competir no campeonato universitário
norte-americano.
Apesar de todo o racismo existente na época, Haskins, convida
vários rapazes negros, de outras cidades, para compor seu time.
Esse ato ousado causa a resistência de muitos, inclusive dos
jogadores que já faziam parte da equipe.
Essa rivalidade vem à tona logo quando os atletas se conhecem:
sua primeira refeição em conjunto termina em uma acirrada
disputa, em pleno refeitório da universidade, num jogo
improvisado que tem um repolho como bola. Apenas o início de uma
convivência repleta de competição e animosidade, não apenas
entre os jogadores de raça diferente, como entre os próprios
novatos.
Desobedecendo as instruções do técnico, parte do time participa
de uma noitada no outro lado da fronteira, no México, regada à
música e tequila. Por conta dessa ação indisciplinada, todos os
jogadores são punidos com exercícios extras, mesmo os que tinham
ficado no alojamento. Ou seja: a falta de comprometimento de
alguns prejudicou a todos, da equipe. Coisa que só acontece em
filme, não é mesmo...?
No entanto, aos poucos, os atletas passam a adotar uma postura
mais humilde, e a primeira vitória dos Miners, como eram
chamados, ajuda a melhorar o clima.
Liderança
No
decorrer do filme, vemos Don Haskins demonstrar diversas vezes a
liderança que exercia sobre sua equipe. Durante um jogo, o time
passava por maus momentos, com riscos de perder a partida. Bobby
Joe, um dos novos jogadores, sugere ao técnico que os deixassem
jogar dentro do seu estilo próprio, e não do modo defensivo
exaustivamente praticado nos treinos. Num exercício de
flexibilidade, Haskins acata a sugestão do rapaz. E vencem.
É
o líder que tem a humildade de reconhecer quando sua estratégia
não está mais adequada, e abrir mão dela. Que ouve as sugestões
de sua equipe, e confina no potencial de seus membros,
permitindo-lhes usar seus talentos.
Além de cuidar do time como um todo, o treinador utilizava-se de
abordagens diferentes para com cada jogador, individualmente,
quando a situação assim exigia. Dessa forma, para ajudar Shed,
um atleta com pouca autoconfiança, Haskins é firme e enérgico,
mexendo com o orgulho do rapaz.
Já no caso
de Harry, que não estava levando os estudos muito a sério, faz
uma aliança estratégica com a mãe do jogador, que passa a
acompanhar o filho muito, muito de perto, como você poderá ver
em uma divertida cena.
Comprometimento
Outro
trecho bastante interessante é a verdadeira lição sobre
comprometimento que o técnico dá a Bobby Joe, que tinha
potencial para ser o líder do time, mas emprega suas energias
com outras coisas. Nas arquibancadas do ginásio, fala-lhe de sua
paixão pelo basquete e de sua própria história: “Nunca fui o
melhor, mas eu dei tudo de mim e superei jogadores melhores.
Não sou o técnico mais esperto, mas me esforço e supero
técnicos mais espertos.” Diz que ficava irritado por ver
Bobby Joe desperdiçar o talento natural que tinha; e conclui
pedindo-lhe que tivesse mais respeito pelos outros e por ele
mesmo, e jogasse basquete.
São cenas que podem ilustrar a necessidade de buscarmos o
comprometimento em nossas equipes; afinal, talento, por si só,
não leva a resultados duradouros. É preciso treinamento,
aplicação, estudo e dedicação, para aprimorá-lo.
Espírito de Equipe e Diversidade Humana
Bobby Joe
segue o conselho do líder, e o time passa a ficar bastante
unido, não só pelas consecutivas vitórias, mas pela amizade que
se fortalece, quando os jogadores freqüentam as mesmas festas, e
convivem harmoniosamente com as diferenças. O bom clima fora das
quadras ajuda o desempenho dentro delas.
No entanto, à medida que as vitórias se sucedem, a opressão
racista a que o time é submetido torna-se maior. Cansado disso,
o treinador informa ao time, às vésperas da grande final, que
pretendia escalar apenas os jogadores negros. Em uma forte
demonstração de espírito de equipe, os demais jogadores deixam
claro que gostariam de jogar, mas que entendiam a decisão do
treinador. E apóiam, de forma incondicional, seus companheiros
que fariam a final que, por sinal, entraria para a história.
Estrada
para a Glória não é apenas um filme sobre basquete. É a história
de um time que, considerado a grande zebra do campeonato,
consegue chegar à final. Um relato do que o trabalho em equipe,
respeito pelas diferenças, confiança em si próprio, nos colegas,
e uma liderança apaixonada podem fazer.
Então,
confira a sugestão. Prepare a pipoca, junte o pessoal. Estou
certo que sua equipe se sentirá..........inspirada.
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