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FABIO
FREZATTI
Consultor Associado ao Instituto MVC,
Professor da USP
BEYOND
PORTER
Porter
foi muito feliz ao mostrar que o pulo do gato das empresas
estava lá fora, no ambiente externo à empresa. Na verdade
Porter deixou escola. Conheci um executivo de sucesso que
colocou uma enorme placa na entrada da sala dos vendedores
onde estava escrito: o cliente não está aqui! O guru
mencionado se posicionou em um momento histórico em que as
organizações precisavam mudar seus paradigmas para olhar o
que estaria ocorrendo fora de seus muros. Olhar para isso é
algo relevante pois estabelece uma estrutura de raciocínio
para os gestores envolvidos e proporciona uma lógica com
foco pragmático. Nesse sentido, a cadeia de valor é algo
relevante como forma de redirecionar a gestão das
organizações atrelando suas estratégias ao referencial
externo: do mercado, do cliente, da concorrência e do
fornecedor. Embora Porter seja mais citado do que realmente
lido e entendido, a lógica é fortíssima e as organizações,
que buscam soluções pragmáticas para seus problemas, de
maneira relativamente rápida, correram nessa direção. Num
ambiente de guerra, como o que vivemos, faz todo o sentido ser
rápido e incisivo nas ações em uma direção definida. Uma
parte significativa do mundo se rendeu a Porter.
A
PERGUNTA
A pergunta que se insinua é: e depois, o que mais devo
fazer? Para onde devo me voltar? Tem sempre um “e
depois”. Ainda bem, pois indica que estamos vivos. Tanto o
fornecedor como o cliente e mesmo concorrente já entenderam
a cadeia de valor e dela, de alguma forma, já se
beneficiaram dessa abordagem e o diferencial competitivo foi
zerado, pois os vários agentes a entendem, praticando essa
abordagem, igualmente ou não.
Como o mundo não pára outra abordagem, um pouco contestando
e um pouco complementando a visão de Porter, diz o seguinte:
será que não existe algo na empresa que seja escasso,
raro e difícil de reproduzir, que seja o grande diferencial
competitivo da empresa? A visão baseada em recursos tem
essa proposta a partir do pressuposto de que a
competitividade está suportada pela alavancagem de algum
recurso ou capacidade controlada pela entidade, dando
sustentabilidade às suas estratégias. Pode ser uma
tecnologia, um sistema, um conhecimento que possa ser
patenteado, etc.; pode ser um conjunto de coisas. Nos
estudos iniciais um foco muito claro foi dado às questões
ligadas a questões mais inovadoras, relacionadas ao
desenvolvimento de produtos e negócio; paulatinamente,
outros ingredientes foram adicionados, chegando àqueles que
se relacionam com o controle gerencial, os sistemas de
informações gerenciais da entidade. Nesse raciocínio, dispor
de informações e utilizá-las para as decisões se tornou
vital e pode ser o grande diferencial competitivo para o
conjunto de organizações cada vez mais globalizadas.
OS QUATRO
ELEMENTOS
A visão baseada em recursos pretende focar quatro elementos
relevantes na vida da empresa: a inovação, a orientação para
o mercado, o empreendedorismo e a aprendizagem
organizacional. Dos elementos deve decorrer o desempenho da
organização e o convívio depende de um fenômeno denominado
tensão dinâmica que consiste em conviver com pressões
diferentes sobre as prioridades dos gestores.
Quando se fala das informações gerenciais da empresa várias
dimensões podem ser pensadas. Ter o sistema de informações e
a maneira como ele é usado. Muita acomodação pode ser
encontrada a partir da primeira abordagem. Ter um sistema
integrado é pré-requisito para a possibilidade de diferentes
utilizações, mas nada disso pode ser desenvolvido sem ser
planejado, pensado e gerenciado. Uma vez resolvida a questão
da disponibilidade de um sistema de informações que permita
aos gestores pensarem, fica a questão do momento no universo
de pesquisa em controle gerencial: como a entidade usa o
sistema de informações? Duas abordagens são propostas:
uso diagnóstico e uso interativo. São abordagens distintas
mas que concorrem entre si, se complementam e mantém
influências recíprocas. O uso diagnóstico permite monitorar
a empresa, entender onde está bem e onde requer melhorias.
Necessita de um parâmetro aceito, tal como uma meta do
orçamento, um padrão de custos, etc. É a visão mais
tradicional da utilização das informações gerenciais e está
ligada ao direcionamento, correção de rumo, feedback,
permitindo a coordenação de atividades na gestão na
implementação de suas estratégias. Por apontar erros,
desvios, deve ser cautelosamente utilizada para que possa
contribuir favoravelmente ao desenvolvimento da organização.
Por sua vez, o uso interativo consiste em usar a informação
de maneira diferente, buscando novas oportunidades para a
organização, nos seus mais variados sentidos mas
predominantemente na busca pela inovação. Uma informação
sobre a margem de produto de um concorrente pode ser vital
para o lançamento ou não de um produto alternativo, por
exemplo. Essa informação pode não ser “tão exata” como
alguns desejariam, nem tão regularmente disponível, mas,
certamente, será estrategicamente relevante para a entidade.
Uma das dificuldades encontradas está relacionada à maneira
como o usuário olha essas duas abordagens, muitas vezes,
dadas as limitações do sistema de informações, no que se
refere ao uso diagnostico, se apresentar de maneira
limitativa também no uso interativo, que deveria ser muito
mais flexível, aberto e menos preocupado com precisão.
Em condições normais, o uso interativo da informação deve
provocar uma maior integração nas organizações dado que
normalmente deve envolver diferentes áreas e funções. Uma
informação não pode ser simplesmente considerada como
diagnóstica ou interativa: a sua utilização é que vai
caracterizar uma ou outra abordagem. A extensão dessas duas
abordagens não é rígida na visão conceitual, mas permite
entender a amplitude. A partir de um dado momento ou
circunstância a informação interativa pode ser tornar
diagnóstica e uma informação diagnóstica pode levar a
entidade a perceber sua aplicação interativa.
O que é triste dizer é que o tal recurso escasso,
essencial, crítico para desempenhar o espaço de diferencial
competitivo, muitas vezes, acaba sendo percebido apenas
quando deixa de existir ou tarde demais dentro da vida da
empresa. É uma pena, pois ele estava lá o tempo todo, no
umbigo da empresa. A provocação fica com você. Nunca
imaginei dizer isso, mas no fundo, a mensagem é: não se
esqueça de também olhar para o seu umbigo! Ele
pode ser essencial para dar permitir da continuidade das
suas ações no ambiente externo.
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