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EUNICE
MENDES
Consultora
Sênior do Instituto MVC
Autora do
livro Falar Bem é Fácil – Segunda Edição 2008
MEDO? QUE MEDO?
Pense em Suas Apresentações
Pare e
pense: você ocupa o espaço que merece enquanto comunicador?
Se a
resposta for sim, parabéns! Você desfruta de uma condição rara,
experimentada por poucos e cobiçada por muitos.
Mas se for
não, não se martirize. Bem-vindo ao clube das pessoas normais,
que, apesar de todas as barreiras, não desistem de aprimorar a
sua capacidade de comunicação.
Não há nada mais poderoso para o sucesso e o reconhecimento
na carreira profissional que saber comunicar-se. É uma
competência obrigatória em todas as áreas profissionais.
Falar em público, para muitas pessoas, é
sempre um terreno movediço, porque estar em evidência pode
causar ansiedade, medo e inibição. A pessoa que não consegue se
comunicar de forma eficaz geralmente é rotulada ou se autodefine
como tímida. De fato, a timidez é um dos maiores bloqueios do
ser humano, porque aprisiona as suas potencialidades no momento
em que ele mais necessita dela para interagir com o outro, para
se comunicar. Os sintomas mais comuns são sentir vergonha, temer
dizer algo indevido e soar ridículo, ter medo da crítica alheia,
da rejeição, de não ser aceito. Esse sentimento de inadequação e
medo impede a pessoa de se expressar e cala a sua voz.
Especialistas garantem que em quase tudo que fazemos
buscamos satisfazer a duas grandes necessidades: ser aceitos e
ser reconhecidos, porque tememos ser desaprovados e,
conseqüentemente, rejeitados.
O medo é uma das três grandes barreiras
da comunicação eficaz, ao lado da mágoa (as “águas paradas” que
causam ressentimentos e nos mantêm presos ao passado) e da
autopercepção negativa (boicotar a si mesmo achando que "não pode”, “não é capaz”, “não merece”). Iremos
nos deter sobre o medo, porque ele é o maior responsável pelo
aprisionamento de quem quer se comunicar.
O medo molda uma auto-estima e
auto-imagem extremamente negativas. Ele alimenta na pessoa a
sensação de que ela não tem competência para criar a própria
história, impedindo-a de ousar, de transpor barreiras e de
aproveitar as oportunidades que se apresentam. Quando sentimos
medo, os desafios se transformam em ameaças capazes de
imobilizar o nosso talento e a nossa carreira.
*A psicoterapeuta Rosali Michelsohn provoca: “Se
ousarmos fazer uma pesquisa sobre a classificação de medos, o
da morte não estaria no mais alto grau? Temer a morte abrange os
outros medos. Se um inseto causa medo é por ele ser um causador
de morte em potencial. Se ocorre a taquicardia nas alturas é
pela eminência de morte. E qual a ligação da dificuldade de se
expressar com a morte? Não seria o “ ser morto” por não ser
aquela pessoa que os outros esperam que deveríamos ser? “Morre”
quem não é aceito, não é incluído, não é ouvido.”
Não é à toa que as pessoas sentem “frio na barriga",
taquicardia, boca seca e as mãos suadas quando se vêem diante de
uma platéia. Nos ambientes profissionais já foram
diagnosticadas, além da glossofobia (medo de falar diante de
outros), a atelofobia (medo da imperfeição), a claustrofobia
(medo de locais fechados como elevador), a climacofobia (medo de
escada) e até a ciberfobia (medo de computador). Não custa
lembrar que todos esses medos podem ser tratados.
Mas por que tanta gente tem tanto
medo e vergonha das coisas que pensa e fala?
A
resposta é mais complexa do que se imagina, uma vez que o ato
de falar pode nos remeter a uma série de acontecimentos
dolorosos do passado, os quais continuam mais presentes do que
nunca dentro de nós. Ao reviver alguns fatos da infância,
certamente extrairemos frases que soaram de forma negativa em
nossa mente por caracterizarem a repressão no ambiente familiar,
escolar e social, tais como:
“Não
diga bobagem!”
“Pare de
gaguejar!”
“Em boca
fechada não entra mosquito!”
“Você
parece uma matraca!”
“Você
não tem assunto!”
“Cale a
boca!”
“Isso é
mentira!”
“Fale
baixo!”
“Você é
chato!”
“Que voz
irritante você tem!”
“Como
você fala mal!”
“Vá lá
prá fora e não me atrapalhe!”
"Essa
sua idéia não tem sentido!”
“Não vou
mais ouvir você!”
Dependendo das características individuais, a programação mental
negativa internalizada criará uma base sobre a qual se instalará
o medo, que é fonte de autopiedade e um inibidor do crescimento
pessoal. Ele seguirá invalidando a nossa competência,
intensificando a timidez e a inibição e, conseqüentemente, nos
levando a estabelecer relações interpessoais precárias.
Porém, é
importante lembrar que o bloqueio dos que não conseguem se
expressar se deu em um campo fértil que a pessoa já tinha dentro
de si. Diferenças individuais mostram que certas crianças
conseguem resistir a todas aquelas expressões negativas e
sair-se muito bem. Ninguém pode afirmar com certeza que a
repetição constante das frases acima irá condenar alguém a se
calar em público. A criança pode aprender a ouvir frases
desmotivadoras e não se sentir mal, mas entender que está sendo
realmente inconveniente. É importante lembrar que também entram
nessa dinâmica o tom com que as frases são ditas e o ambiente
cultural em que a pessoa vive.
Considerando-se, então, que alguém já tenha dentro de si um
terreno propício para o medo e a inibição, se o medo de mudar
for maior que o desejo de superar limites, os constantes
monólogos internos negativos se consolidarão e a pessoa acabará
se resignando com a sua aparente falta de escolha: Por exemplo:
“Não
nasci com o dom da palavra.”
“Sou uma
negação quando preciso dizer o que penso.”
“Ser
tímido é a minha sina.”
“Com
esta idade não mudarei mesmo.”
“Não
nasci para ser estrela.”
“Gente
dá muito trabalho.”
“Não
gosto dos refletores, prefiro ficar nos bastidores.”
“Você
pode me representar melhor.”
As
expressões acima vêm carregadas de alto poder destrutivo, que
será ainda maior se elas se tornarem crenças autolimitadoras,
tais como: "Você não é inteligente, por isso não deve se expor;
se o fizer, será punido pela crítica negativa.”
Quanto mais
medo a pessoa sente, mais necessidade ela tem de se esconder e
viver na sombra, pois tem certeza de que não é respeitada e
jamais alcançará sucesso em tudo o que fizer, e acabara se
acostumando com a frustração. Ou seja, ela não tem medo de falar
em público, mas de não ser amada. Já o prazer de falar em
público é real. Uma vez encontrado, rompe-se essa fórmula de
desconforto e mesmo de horror.
Você sabia?
As
dificuldades do passado podem ser tratadas de duas maneiras
distintas:
1.
Pela releitura. Por mais dolorosa que tenha sido a experiência,
as barreiras que resultaram em medo, mágoa e pensamentos
destrutivos podem ser reinterpretadas, ou seja, ser
transformadas em ensinamento. A terapia ajuda a encarar os fatos
de maneira mais assertiva.
2. Pela
superação induzida. Coragem é o
medo bem administrado. Então, por que não transformar os
pensamentos negativos em positivos? Ninguém está livre da
adversidade, mas ela pode ser utilizada a nosso favor através da
auto-superação, que por sua vez está relacionada à auto-imagem e
à auto-estima. Se ambas forem saudáveis, fornecerão um número
maior de ferramentas para superar o medo com mais eficácia.
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