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Marcelo
Egéa
Consultor
sênior do Instituto MVC
Sócio-Diretor da SerTotal RH Assessoria
COMO
CONSTRUIR EQUIPES COMPETENTES
Liderar
indivíduos vs liderar equipes: qual a diferença
A tarefa
de liderar pessoas está sem dúvida entre os maiores desafios da
gestão. Desde cedo, aqueles que assumem esta função deparam com
desafios de toda ordem e, não raro, sentem-se descrentes de seu
potencial para fazê-lo.
Para os
mais desesperados, aviso logo: o desafio é normal e o
aprendizado possível. Aquela história de que a liderança é uma
habilidade inata não foi provada pelas pesquisas. Sabe-se hoje
que liderar envolve uma série de habilidades e que cada um de
nós tem mais tendência para umas do que para outras. Desenvolver
aquelas que não são tão presentes requer tempo e perseverança,
mas não é impossível.
Mas o meu
intuito aqui é discutir o desenvolvimento de equipes competentes
e, para isso, preciso começar diferenciando este desafio da
liderança de indivíduos.
A
diferença, apesar de sutil, começa com o entendimento de que
equipes são entidades que estão acima dos indivíduos e são
maiores que a soma destes. Gosto de utilizar uma metáfora, que
ajuda a compreender o conceito. Imagine um ser vivo (o seu
cãozinho, peixe ou tartaruga de estimação). Você se refere a ele
como Totó ou Nemo, ou seja, uma unidade autônoma e com
identidade própria. Porém, o que você está vendo é o resultado
de anos de evolução da natureza, integrando sistemas e órgãos
que funcionam com perfeição e harmonia. É inimaginável pensar
que a pata do seu Totó possa não funcionar de maneira harmônica
com o conjunto, quando você lhe atira um osso. Simplesmente,
tudo funciona como um sistema único, uma EQUIPE.
Infelizmente, quando estamos envolvidos com EQUIPES de trabalho,
a percepção de que é um conjunto harmônico, com identidade e
unidade próprias, não é tão imediata. No entanto, se tomarmos
uma equipe como um conjunto de indivíduos que realizam tarefas
de forma integrada, visando um objetivo comum, percebemos como
ela pode se assemelhar a um organismo vivo.
É
importante perceber que algumas funções e tarefas que realizamos
normalmente são resultado da interação ENTRE os membros da
equipe e que, individualmente, não conseguiriam cumpri-la, por
mais perfeito e competente que cada elemento envolvido seja.
Elementos
que permitem a construção de equipes
Precisamos
agora entender que elementos são fundamentais para que uma
equipe possa existir. Podemos resumi-los num acróstico,
utilizando a palavra COMUM:

Quanto
mais presentes estes elementos estiverem na vida de um grupo,
mais chance este grupo terá de se tornar uma equipe de verdade.
Acompanhe comigo o significado de cada um deles:
Comunicação Interpessoal produtiva
Comunicação é o ato de dar e receber informações, compartilhar
idéias, pensamentos, opiniões e sentimentos (verbal ou não -
verbalmente), de maneira aberta e sem barreiras. É um elemento
fundamental para a criatividade grupal e alicerce de qualquer
processo interativo saudável.
Objetivo comum e tomada de decisão efetiva
É a noção
clara sobre quais são os objetivos a serem cumpridos, assim como
os indicadores para medir seu avanço e alcance. Tomada de
Decisão é o processo de escolher uma direção para agir. A tomada
de decisão efetiva considera a natureza da tarefa, a qualidade
da decisão, o tempo disponível e o comprometimento necessário
para a implementação. Não importa se ela é autocrática, pela
maioria, minoria, por consenso ou unanimidade, mas sim a sua
efetividade no momento e na tarefa em questão.
Mobilidade
na Liderança
Liderança
é um processo de influência e pode ser assumido por qualquer
membro da equipe. As funções da liderança incluem tanto a ênfase
nas tarefas quanto no bem-estar e confiança entre os membros da
equipe (como os membros trabalham em conjunto).
Unidade
com divisão de papéis
Uma Equipe
deve sentir-se unida através do processo de complementaridade
que existe entre seus membros. A Divisão de Papéis refere-se a
como os membros da equipe dividem as funções, tanto para
execução das tarefas quanto para a manutenção da unidade e clima
positivo. Inclui a valorização mútua das competências diferentes
como fundamentais para o resultado global. É fortemente
influenciada pelo respeito e reconhecimento do espaço e papel
desenvolvido por cada um dentro da equipe.
Moral e
Clima elevados
Clima e
Moral referem-se à atmosfera que existe dentro de uma equipe,
principalmente nos momentos difíceis e que exigem esforço do
conjunto. Também, a identidade, padrões culturais, ritos e
símbolos que reforçam a unidade. O clima nos dá referências
sobre a saúde e o estágio de desenvolvimento da equipe. A
avaliação sobre o clima nem sempre vem de uma observação
objetiva dos comportamentos entre eles, mas sim da observação e
escuta atenta das interações e hábitos entre os membros, tanto
no nível verbal como no não-verbal.
Estes
elementos correspondem ao COMO uma equipe trabalha e indicam sua
competência para trabalhar de maneira integrada. Não podem ser
confundidas com as dificuldades da tarefa em si, que exigem
conhecimentos e habilidades técnicas e específicas. Ambas
precisam estar presentes para que o desempenho seja superior. O
fato é que, na maioria das vezes, existe uma preocupação
excessiva com as questões técnicas e mínimas com a competência
de trabalho em equipe. Talvez por isso as experiências sejam tão
frustrantes.
As fases
de evolução das equipes
Como as
equipes não nascem prontas, o seu processo de desenvolvimento
precisa ser compreendido e estimulado. Cada um dos elementos
descritos acima precisa evoluir de maneira sincrônica, apesar de
não estarem necessariamente vinculados. É papel não só dos
líderes, mas também de cada membro da equipe, estimular o avanço
do conjunto em busca de resultados superiores.
Segundo
Tuckman e Steel, as fases de desenvolvimento das equipes são:

Cada
estágio possui características próprias e demanda ações e
iniciativas diferentes, tanto dos membros quanto do líder:
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Formação: |
Muita disposição e entusiasmo, porém ingênuos. A
ênfase deve ser na estruturação, definição clara de
objetivos e papéis, além da aquisição de
competências técnicas e para funcionar em grupo.
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Questionamento: |
Conflitos e desentendimentos, resultantes da
frustração inicial com o desempenho do conjunto,
requerem suporte emocional, equilíbrio e esforço
para manter o foco e continuar o caminho para a
aquisição das competências.
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Normatização: |
O grupo se dá conta de que precisa estabelecer
regras e definir procedimentos de trabalho e
convívio. Apesar de ainda existirem conflitos, eles
são enfrentados de forma madura, com o intuito de
melhorar os resultados do conjunto.
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Maturidade: |
O grupo torna-se enfim uma equipe competente, capaz
de se organizar e resolver seus problemas, superando
obstáculos e tendo orgulho de si mesma.
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Finalização: |
Caso o grupo venha a se separar por qualquer motivo,
esta tanto pode ser uma fase para celebrar sucessos
ou de medo e insegurança pelo futuro. Dependendo de
qual dos dois sentimentos prevaleça, o resultado
pode ser mantido em alto nível ou deteriorar. |
O simples
fato de conhecer estes estágios pode ser muito saudável para a
equipe, ajudando-a a compreender que suas dificuldades são
normais e acontecem sempre que se busca o alto desempenho. Aos
líderes, cabe auxiliá-la neste caminho, oferecendo apoio e
orientação naquilo que lhe falta em cada fase.
Por isso,
da próxima vez que você for repreender seu cãozinho por uma
traquinagem, tenha mais respeito: não é um indivíduo e sim uma
equipe. Demorou muitos anos para a natureza alcançar este
estágio de integração. Mas, ainda assim, não é perfeita.
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