|
Voltar
JB Vilhena
Presidente
do Instituto MVC
Professor
dos MBAs executivos da FGV
Autor do
livro: “Certificação Comercial”
O QUE
AS GRANDES EMPRESAS PODEM APRENDER COM AS PEQUENAS
Gostaria
de apresentar a Você, leitor, alguns exemplos de empresas que
merecem nossa admiração por terem sido capazes de começar
pequenas e assim continuarem, sem abrir mão de garantir a
satisfação de seus clientes e a realização profissional de seus
donos.
Para
evitar uma generalização excessiva, que poderia dificultar a
compreensão dos exemplos, vou focar três empreendimentos que
tiveram início e continuam prosperando na pequena Oliveira,
cidade de 40 mil habitantes localizada no centro-sul de Minas
Gerais (para evitar especulações dos mais curiosos, informo que
a escolha é absolutamente intencional, pois trata-se da cidade
na qual decidi morar desde meados do ano passado).
Há
aproximadamente 15 anos atrás, Oliveira viu surgir a grife
Heróis de Rua, especializada em roupas e artigos de couro.
Conheci a empresa nos seus primórdios, funcionando nos fundos da
casa da Leíse, sua fundadora. Essa jovem empreendora nada
conhecia da arte de transformar couro em produtos de moda, mas
tinha muita vontade de progredir.
Seu
primeiro passo foi contratar experientes costureiras, originadas
de uma fábrica de tecidos que reduzira drasticamente sua
produção. Depois tratou de montar uma equipe comercial que
passou a apresentar seus produtos nas cidades da região. Hoje
Leíse vende para todos os estados do sudeste e sua grife é
conhecida e apreciada por todos que com ela tomam contato.
Você pode
estar se perguntando: o que essa história tem de diferente de
inúmeras outras? Eu diria que é o fato de Leíse jamais ter
deixado de ter contato permanente com seus clientes e
vendedores. O sucesso não lhe subiu a cabeça e ela continua
tratando a todos com a mesma atenção e delicadeza de 15 anos
atrás.
História
um pouco mais antiga, de uns 20 anos pelo menos, é a do Bar do
Branco. No começo tratava-se de um dos muitos botecos, comuns
nas cidades do interior de Minas. O curioso e pitoresco é o que
Hilton (ou Branco, como todos o conhecem) intuitivamente
utilizou-se do conceito de segmentação para perpetuar o sucesso
de seu bar.
Torcedor
fanático do Atlético Mineiro, pouco a pouco Branco foi
transformando seu bar em um ninho de atleticanos. É claro que
não é proibido que torcedores de outros times freqüentem o
local. Mas há um regra implícita que lá não se pode falar mal do
“galo”. Nos dias de clássicos como Atlético e Cruzeiro (ou
outros times, quando se trata do campeonato brasileiro) o bar é
dividido em dois “ambientes”. Uns para os fiéis torcedores e
outro para “o resto”. Uma democrática cortina – preta e branca –
separa os espaços. Que lição nos ensina esse exemplo? Que
precisamos ter sempre em mente que não é possível agradar a
gregos e troianos e por isso a segmentação – e não a propaganda
- é a verdadeira “alma do negócio”.
O terceiro
exemplo Oliveirense completou agora um ano de existência.
Trata-se da Calú, uma pequena loja de presentes e artigos de
conveniência, gerenciada por Carla e Luíza. Carla é uma
profissional de vendas com mais de sete anos de experiência no
varejo (embora tenha, apenas, 22 anos de idade). Tendo começado
como balconista, foi “descoberta” por Luíza, que a convidou
para, aos 18 anos, gerenciar uma loja de aviamentos que estava
inaugurando em Oliveira.
Passados
quatro anos Luíza resolve mudar de segmento; vende a loja de
aviamentos e inaugura a Calú. Sua primeira iniciativa foi
convidar Carla para sócia. Hoje a loja da dupla ocupa importante
posição no comércio Oliveirense, servindo de referência para
quem procura produtos de moda a baixo custo.
Na minha
opinião esse caso encerra uma dupla lição. Primeiro, que é
preciso garimpar talentos e depois investir neles, oferecendo
oportunidade de desenvolvimento e crescimento profissional mesmo
em pequenos negócios (além das duas sócias a Calú emprega duas
vendedoras, diretamente supervisionadas por Carla). Depois, que
é preciso ter coragem de assumir desafios e riscos e fazer como
a Carla, que não deixou o cavalo passar selado na sua frente.
Se alguma
dessas três histórias te interessou, faça uma visita a Oliveira
e converse com os personagens. Eles são reais e estão lá, à sua
disposição, para compartilhar com você suas experiências de
pequenos empresários.
Voltar
|