|
|
Voltar
FRANCISCO
BITTENCOURT
Consultor
Sênior do MVC,
Professor dos
MBAs Executivos da FGV
NEGOCIANDO
COM O CHEFE...
Pode-se afirmar que a convivência produtiva com o chefe se
enquadra nas técnicas básicas do tema negociação.
A negociação pressupõe, em sua estratégia, a oportunidade
de usar o tempo. O que significa isso?
Significa estar preparado para dizer o que precisa ser
dito, no momento certo.
Significa também que no momento da conversa com o chefe,
qualquer profissional deve se dar conta de que deve dispor de
informações suficientes para fazer afirmativas, ou confrontar
idéias.
É fundamental que, no momento escolhido para falar com seu
superior, o profissional leve em consideração alguns aspectos:
a)
Consegue
expor sua emoção no momento de falar o que deve ser falado?
b)
Consegue
sentir-se seguro em defender suas posições, frente às críticas
ou observações que se propõe a fazer, na hora da conversa?
c)
Está certo de
que seus fundamentos conseguirão se sobrepor à autoridade ou à
extrapolação da autoridade do chefe, no momento da conversa?
d)
Se a conversa
com o chefe envolve críticas à sua atuação, tem opções de
proposta, para mudar o pensamento dele?
e)
Historicamente sua relação interpessoal com o chefe permite dar
segurança e consistência à sua abordagem?
Em segunda instância, a negociação pressupõe a oportunidade
de usar as fontes de poder.
Com relação a esse segundo instrumento da negociação, uma
reflexão deve ser feita:
a)
Do que dispõe
o profissional, para oferecer ao chefe, na medida em que deve
solicitar a ele alguma mudança, quer seja em comportamento, quer
seja em procedimentos a serem adotados?
b)
Existe algum
tipo de pressão que possa exercer, sem provocar ameaça ao chefe,
no sentido de atingir seus objetivos?
c)
Tem algum
fundamento legal, ou fruto de um acordo interno entre seu chefe
e a equipe, no sentido de fazer valer como argumento em sua
conversa?
d)
Dispõe de
alguma informação ou conhecimento que seja capaz de servir de
base para sua conversa, ou reforço de seus argumentos?
e)
Sente-se
capaz de persuadir seu chefe com sua linha de raciocínio? Seu
poder pessoal é suficientemente consistente para enfrentar
dificuldades decorrentes da confrontação com um poder superior?
As questões levantadas se aplicam ao seu chefe. De que
forma o profissional o vê?
Há um conjunto de comportamentos que, na vida profissional
comprometem o relacionamento interpessoal em organizações, seja
entre parceiros, seja entre líderes e liderados, seja entre
liderados e líderes.
Conhecendo esses comportamentos faz-se necessário agir de
forma proativa, não deixando para reagir, quando julgar
necessário, diante de obstáculos criados por suas atuações.
-
PESSOAS QUE
TÊM HESITAÇÕES DIANTE DE UMA DECISÃO A SER TOMADA, MESMO DE ROTINA;Diante
de pessoas com esse comportamento, um dos caminhos é levar sugestões, fazer
propostas, indicar procedimentos ou atitudes que possam fazê-lo superar as
dificuldades provocadas pela hesitação. Ao levar sugestões não deixar de indicar
possibilidades de resultado.
-
PESSOAS COM
PERFIL AUTOCRÁTICO E INFLEXÍVEL;
Levantar argumentos que estejam fundamentados em bases sólidas; neste caso é
recomendável ter na equipe parceiros que possam dar sustentação à argumentação;
não sucumbir à postura inflexível, que, de um modo geral é fruto da insegurança,
ou da incapacidade do outro, de contrargumentar; não desistir diante da primeira
resistência; se for conveniente, recue temporariamente; volte à carga tão logo
se sinta de novo municiado de novos argumentos.
-
PESSOAS COM NECESSIDADE DE DOMINAR A PALAVRA A TODO O TEMPO;Prestar
atenção ao que o outro diz, seja ele seu chefe ou não; não interrompê-lo, pelo
menos até que conclua seu raciocínio; aproveitar os momentos de pausa (até
respiratória), para interferir, intervir ou mesmo contestar o pensamento; usar a
técnica do espelho, quando o interlocutor aproveita o que o outro disse, repete
e constrói seu raciocínio. Conhecer o valor do silencio, ou seja, verificar que
sua intervenção vai trazer alguma contribuição, ou se será preferível tentar em
uma outra oportunidade.
-
PESSOAS QUE
RELUTAM EM FECHAR UM NEGÓCIO OU ACORDO;Com
esse tipo de comportamento é recomendável solicitar sua opinião, ou mesmo
delegar autoridade para que tenham a oportunidade de concluir seus objetivos.
Estabelecer metas específicas juntamente com o chefe, no sentido de colocar-se à
disposição dele para dar o devido suporte para que tome as decisões; procurar
apoio em outros parceiros na equipe; tomar cuidados para que sua iniciativa não
signifique ameaça para o chefe.
-
PESSOAS QUE
ACEITAM OPINIÕES DE OUTROS SEM DISCUTIR;O
tratamento dado a esse tipo de comportamento é semelhante ao indicado para o
comportamento anterior; mostrar ao chefe que essa posição enfraquece sua posição
como líder; deve haver cuidado, no sentido de não demonstrar que sua posição
reforça a aparente “fraqueza” no comportamento do chefe.
-
PESSOAS QUE
TEM PRESSA EM FINALIZAR O QUE FAZEM SEM PREOCUPAÇÃO COM CONSEQÜÊNCIAS;Diante
de atitudes impensadas pelo chefe, mostrar os prováveis resultados; usar
fundamentos lógicos, não procurar mostrar os erros da decisão, mas tão somente
as conseqüências; nessa situação é conveniente ter parceiros na equipe, que
reforcem essa situação.
-
PESSOAS QUE
ATRIBUEM AOS OUTROS O QUE ELAS MESMAS PENSAM OU DEDUZEM;Esse
comportamento, quando atribuído ao chefe, sem dúvida é desagradável. Vale
identificar as fontes adequadas, que foram mencionadas pelo chefe, e verificar a
possibilidade de levá-las a confrontar sua posição. Deve sempre haver o cuidado
de não diminuir a autoridade do chefe nesse caso, embora se um chefe age dessa
forma, está deficiente em sua autoridade.
-
PESSOAS QUE
NÃO SE INTERESSAM PELO QUE OS OUTROS DIZEM E COM DECLARAÇÕES QUE “CAEM NO
VAZIO”;Neste
caso é essencial insistir para que o chefe ouça o que o profissional tem a
dizer. A única característica que não se perdoa em um participante de contexto
produtivo é a omissão. Se em determinado momento não encontrar eco para o que
tem a dizer, recue temporariamente, e quando sentir que o clima sofreu alguma
modificação, voltar à carga; a busca de parceiros para essa iniciativa é
positiva. Se o chefe faz declarações sem consistência, que “caem no vazio”,
contrargumentar, mostrando, de forma sutil, a superficialidade do que foi dito.
É importante observar que em hipótese nenhuma deve se atacar a pessoa, mas sim o
problema que ela provoca.
-
PESSOAS QUE
SONHAM ACORDADAS, COM COISAS IMPROVÁVEIS
No caso recomenda-se trazer o chefe para a
realidade, levar fatos concretos, situações
factíveis e que possam ser percebidas por ele; não
permitir que suposições, "achismos" ou visões
impressionistas (tenho a impressão de que...).
Confrontar a posição do chefe, marcada pelo
irrealismo, com situações objetivas, que tenham ser
vividas ou percebidas por ele ou pela equipe.
Buscar parceiros entre os membros da equipe é
recomendável.
|
O que pode ser percebido, nesses casos é que há riscos,
pois o chefe poderá, em algumas situações utilizar seu poder
para uma decisão autocrática (advertir, e até mesmo demitir).
Mas a opção que se apresenta ao profissional é:
a)
Prefere
aceitar uma posição submissa, aceitando tudo o que chefe
oferece, por seu perfil autocrático?
b)
Ou prefere
criar um ambiente onde sua posição, sua opinião e sua visão do
contexto é aceita, e considerada pelo chefe e pela equipe?
Lawrence Apple, pensador afirmou que no mundo existem três
tipos de pessoas:
a)
As que fazem
com que as coisas aconteçam...
b)
As que vêem
as coisas acontecendo...
c)
As que sequer
sabem que as coisas acontecem...
Voltar
|
|